Cine No Pretensions


BASTARDOS INGLÓRIOS


 

 

É incrível como a Segunda Guerra Mundial ainda fornece material para novos filmes. Quando pensávamos que não havia mais como explorar esse tema em películas, eis que surge ninguém menos que Quentin Tarantino e nos fornece mais uma obra-prima de sua carreira.

 

Em “Bastardos Inglórios”, temos uma “pequena” desconstrução da história, mas que cai como uma luva na proposta do filme. Se alguém poderia fazer isso com a história real, esse alguém certamente era o Tarantino. Mas, infelizmente, não poderei me alongar nessa parte (que realmente amei), porque não quero estragar a surpresa de quem ainda não assistiu o longa.

 

Uma das maiores qualidades dos filmes do Tarantino são os diálogos travados por seus personagens, e em “Bastardos Inglórios” essa qualidade se destaca novamente. Com efeito, desde a primeira cena, uma das melhores do longa, seus diálogos bem esculpidos dão o toque de qualidade diferenciada que seus somente os seus filmes têm.

 

Aliás, por falar na primeira cena, temos algumas, como essa primeira, que são uma verdadeira obra de arte. Tarantino conseguiu equilibrar muito bem nas cenas, as cores, os diálogos e as emoções com sua trilha sonora escolhida a dedo. É certo que algumas cenas ficaram bem estilosas, mas convenhamos que filme do Tarantino sem cena estilosa não é filme do Tarantino. A questão toda é que o Tarantino é completamente hábil em fazer funcionar seus filmes com todas as suas “Tarantinices” (ou manias “tarantinescas”), que sempre são postas de maneira extremamente eficiente e coerente com sua proposta.

 

O elenco, vale mencionar ainda, também tem seu brilho e merece destaque. Cristoph Waltz está majestoso no papel de um coronel nazista extremamente frio e eficiente em seu trabalho. Sua atuação é absolutamente irretocável. Brad Pitt, no papel do Lt. Aldo Raine, está com o timing preciso, sendo o grande responsável pela maioria das cenas cômicas do longa. Todas as suas cenas são formidáveis, com destaque para a que ele fala em italiano (uma cena absolutamente impagável) e para sua última cena da película. Para não citar todos, já que o elenco é deveras extenso, podemos ainda mencionar as atuações de Eli Roth, Til Schweiger, Mélanie Laurent e B.J. Novak como coadjuvantes de grande qualidade.

 

“Bastardos Inglórios” pode até não ser tudo o que o personagem de Brad Pitt afirma que é, mas certamente é uma das grandes obras da carreira de Tarantino. Suas referências à sétima arte, seus diálogos bem cuidados, suas cenas estilosas, suas violências explícitas, tudo está lá. E tudo isso é mais do que o suficiente para divertir, cativar e, consequentemente, agradar qualquer um. Pode não ser o melhor filme da carreira do Tarantino, mas, para este que vos escreve, é, até agora, o melhor filme do ano. Simplesmente imperdível!


Nota: 9,0


Escrito por Bruno às 00h30
[ ] [ envie esta mensagem ]


FELIZ ANIVERSÁRIO!!!


 

 

E mais um ano se passa! Aos trancos e barrancos, vamos tentando manter o blog da melhor maneira possível, escrevendo sempre que sobra um tempinho. Em três anos muita coisa acontece. Comigo, inúmeras responsabilidades vieram, algumas prioridades que sugam meu tempo surgiram, outros contratempos apareceram e outras tantas coisas maravilhosas também aconteceram comigo nesse meio tempo.

 

O Cine No Pretensions sempre foi, e continua sendo, um local especial, onde posso compartilhar minhas opiniões e minhas visões sobre os filmes, com quem se interessar. Este é um espaço que enquanto eu puder manter, mesmo com atualizações cada vez mais escassas, ele continuará aqui. Sei que já não consigo me dedicar como antes, sei que ando bem menos participativo nos blogs dos amigos que criei através deste blog, mas infelizmente isso fica mais difícil de fazer a cada dia que passa. Claro que tenho a eterna esperança de que um dia voltarei a ter mais tempo para me dedicar melhor, mas esse futuro é incerto e já desisti de tentar adivinhar quando ocorrerá.

Enfim, o Cine No Pretensions vem comemorar seus três anos de vida hoje! Muito obrigado a todos que visitam e continuam visitando este blog, muito obrigado por todo o tipo de interação que vocês possam ter feito com este blog em algum momento. Abramos nosso champanhe! Vida longa ao Cine No Pretensions!


Escrito por Bruno às 09h30
[ ] [ envie esta mensagem ]


AMANTES

 

 

 

É difícil explicar porque “Amantes”, novo filme de James Gray, é tão bom. Talvez seja porque quase tudo o que se passa algum de nós já viu um dia, ou ao menos conhece alguém que já viveu tal situação. Ou talvez seja em razão da estranha necessidade de auto-flagelo imposta pelo longa, que acaba sendo tão cativante. Ou talvez seja por conta das belíssimas atuações, sobretudo do seu protagonista, Joaquin Phoenix, que enchem os olhos. Ou talvez seja por algo mais que não se possa explicar muito bem, mas apenas usar o bordão “é uma questão de feeling”.

 

Se pararmos pra refletir, veremos que realmente todos nós já vivemos algo parecido com o que acontece com o trio principal de “Amantes”, e se não vivemos algo assim, provavelmente conhecemos alguém que o tenha vivido. São retratadas situações quase que mundanas, mas que dentro daquele contexto, mostram-se extremamente verdadeiras, fáceis de digerir como algo real e possível. Desilusões, desencontros, frustrações, esperanças, relacionamentos, pressões de pais, atitudes inconseqüentes, desesperança... são tantas situações criadas em cima de tantos sentimentos diferentes, que fica difícil imaginar alguém que nunca tenha vivido algo disso. E é aí, quando o longa nos traz tantas situações íntimas com nossas próprias experiências de vida, que reside um dos seus grandes méritos, pois tudo passa a ser mais crível quando conseguimos enxergar algo que se passa numa película com algo que se passa ou já se passou em nossas vidas.

 

Além disso, ao analisarmos a fundo os três personagens principais, vividos por Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw, podemos observar uma estranha necessidade de auto-flagelo de cada um. De fato, todos ele têm a oportunidade de optarem por algo mais seguro, mais estável, mais fácil, menos complicado. Mas todos acabam optando pelo mais difícil, mais complicado, mais inseguro. O personagem de Phoenix vê a oportunidade de se voltar a um relacionamento seguro e tranquilo, mas aparenta preferir o relacionamento mais arriscado, conturbado e complicado. A personagem de Paltrow demonstra uma necessidade de estar em uma relação mais difícil, de menos segurança, como se pra ela fosse vital se relacionar com alguém que já possui outro relacionamento. Algo do tipo “sou capaz de trazê-lo pra mim”. Já a personagem de Vinessa Shaw, que possui vários pretendentes, termina escolhendo a pessoa mais problemática, revelando, em suas próprias palavras, uma necessidade de estar com uma pessoa que ela possa “cuidar”. E é justamente esse auto-flagelo imposto aos personagens principais que parece cativar tanto. Talvez o que motive isso seja aquela nossa necessidade de sempre nos sentirmos solidários torcendo pelo mais fraco, pelo mais sofrido, pelo mais difícil e complicado.

 

Ainda temos um elenco impecável, que sem sombra de dúvidas é responsável pela alta qualidade da película. Joaquin Phoenix está um monstro, é uma das melhores atuações de sua carreira, se não a melhor. A maneira como ele varia suas emoções e a intensidade com que as revela são esplêndidas. São vários os momentos de ápice, como as duas cenas que se passam no telhado, a cena em que conversa com a personagem de Paltrow sobre uma possível viagem, e a cena no mar, pela noite. Phoenix conseguiu extrair com maestria todas as nuances de seu personagem. Apesar de Phoenix ser o “dono” do filme, com sua atuação magistral, ainda se pode enaltecer a atuação de Gwyneth Paltrow, que mostra mais uma vez competência em um papel mais denso, contrariando aqueles que a questionam como atriz. Vinessa Shaw também está ótima, transparecendo toda a doçura e ternura que sua personagem precisava. O restante do elenco, como Isabella Rossellini e Moni Moshonov (os pais do personagem de Phoenix) e Bob Ari (pai da personagem de Vinessa Shaw), completa a qualidade das interpretações.

 

No final das contas, se levarmos em conta tudo o que “Amantes” nos proporciona, talvez seja mais fácil dizer que gostar deste longa está mais relacionado com o sentimento, o sentir, do que com a razão, o racionalizar. Talvez tudo seja uma questão de “feeling” mesmo, e talvez por isso “Amantes” possa agradar muitas pessoas e parecer tão comum para outras tantas. Sendo ou não sendo explicável com fáceis palavras, sendo ou não sendo argumentável em todos os seus pontos positivos, fato é que, para este que vos escreve, “Amantes” é um primor de filme, uma das melhores obras do ano. Se Joaquin Phoenix realmente abandonar sua carreira, como já anunciou, então ele escolheu sair de cena em seu ápice.


Nota: 8,5


Escrito por Bruno às 11h43
[ ] [ envie esta mensagem ]


ARRASTE-ME PARA O INFERNO


 

 

Bom, após mais uma longa ausência, cá estamos outra vez. E nada melhor do que voltar escrevendo sobre um dos gêneros preferidos deste que vos escreve. “Arraste-me para o Inferno” é um autêntico Terror B, um daqueles filmes cuidadosamente trash, misturando boas doses de tensão, com muito humor e situações esdrúxulas.

 

Sam Raimi, diretor deste filme, é um cineasta que começou sua carreira se dedicando a obras voltadas ao terror, explorando cenas engraçadas e criando uma ou outra cena estilosa em seus filmes. Após assumir a franquia Homem-Aranha, contudo, nunca mais havia se dedicado ao gênero que lhe consagrou. Voltando novamente às origens, Sam Raimi conseguiu um bom resultado, que só deu saudade aos nostálgicos fãs da trilogia Evil Dead (“Uma Noite Alucinante”).

 

Um detalhe importante sobre o longa, é que definitivamente ele não foi feito para o público médio. É impressionante como têm pessoas que estão desrespeitando as sessões que estão passando “Arrasta-me Para o Inferno”. Não é incomum ouvir, ao sair do cinema, que o filme é uma piada, que deveria ser classificado como comédia ao invés de terror, dentre outras coisas. O que, na verdade, Raimi fez foi utilizar de vários clichês do terror, buscando explorar cenas escatológicas, com sustos intensos e um humor refinado. Não é uma obra de comédia, mas sim um filme tenso que também consegue causar risadas, o que é diferente.

 

O elenco, a seu turno, é um dos triunfos de Raimi. De fato, praticamente todos estão bem, incluindo os coadjuvantes de poucas aparições. Mas o destaque mesmo fica por conta de Lorna Rarver, a velha cigana, que é perfeita em seu papel, desde sua primeira aparição inofensiva, até suas investidas furiosas contra a protagonista. Alison Lohman, por sua vez, consegue carregar bem a missão de ser a principal personagem e tem o ápice da sua atuação na cena que se passa na cova, aliás a cena mais estilosa do longa. Todavia, temos também um Justin Long bastante subaproveitado, configurando um dos pontos fracos do longa, o que é uma pena.

 

O grande equilíbrio que “Arraste-me Para o Inferno” alcança, ao mesclar cenas verdadeiramente assustadoras com outras mais bem humoradas e escatológicas, é suficiente para matar a saudade dos admiradores do gênero. Mais que isso, para os fãs de Sam Raimi e sua trilogia Evil Dead, foi uma gota de nostalgia tocando nos lábios. A boa notícia é que Raimi se empolgou com sua volta ao gênero e, pelo que foi divulgado, teremos em breve um remake dirigido por ele mesmo de “Uma Noite Alucinante”, sua obra máxima. Seria lindo se o Bruce Campbell fizesse uma participação especial. Vamos ficar na torcida.


Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 10h41
[ ] [ envie esta mensagem ]


TOP 10 DA DÉCADA DE 2000 – FILMES SUBESTIMADOS

 

Bom, seguindo aquele dito que diz que “na internet nada se cria, tudo se copia”, resolvi me apoderar da idéia do cinéfilo Wallace, do Crônicas Cinéfilas, de fazer vários tops 10 temáticos da década de 2000, antes de chegar ao top 10 melhores filmes da década, que certamente será publicado aqui, no fim deste ano. O critério deste top 10 foram filmes que foram subestimados ou pelo público, ou pela crítica ou pelas premiações. A ordem não está pela minha preferência dos filmes, mas sim pela ordem dos que considero mais subestimados em relação ao que são ou significam. Enfim, sem mais delongas, segue a lista:

 

 

10 - INSÔNIA

 

Muito mais que um simples remake ou que uma obra menor na carreira de Cristopher Nolan, cineasta de uma bela e consistente filmografia, “Insônia” é um filme envolvente, que não teve seu devido reconhecimento. Com uma direção apurada, Nolan extraiu grandes atuações de Al Pacino, Robin Williams, Hilary Swank e o restante do elenco. Hoje em dia, um filme praticamente esquecido pela maioria das pessoas que o assistiu.

 

09 - O PLANO PERFEITO

 

Mais um filme subestimado na carreira de Spike Lee, nem tanto entre os blogueiros cinéfilos, que em sua maioria o aprovaram, mas mais por conta da crítica, das premiações (que o esnobaram) e do público médio. Um longa inteligente, envolvente, com uma pitada de análise sobre o comportamento humano e sobre questões raciais, que consegue ser interessante e cativante até o último minuto. E ainda tem uma Jodie Foster impecável, com Denzel Washington e Clive Owen completando muito bem o elenco.

 

08 - PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS

 

Talvez a melhor obra de Tim Burton, “Big Fish” foi completamente esquecido pelas principais premiações, sendo também insatisfatoriamente difundido ao público médio. Sua trilha sonora até foi indicada ao Oscar, mas os demais quesitos técnicos (direção de arte, fotografia, maquiagem, etc), os quais estão impecáveis, não receberam sequer uma indicação. Isso sem contar na formidável direção de Tim Burton e no maravilhoso roteiro de John August, esnobados também. Essa pequena obra-prima, que encanta e até comove em seus momentos finais, merecia, e ainda merece, um reconhecimento maior.

 

07 - VÔO UNITED 93

 

Verdade seja dita, “Vôo United 93” teve boa recepção, tanto por parte da crítica quanto por parte do público médio. A questão é que não foi tão valorizado quanto a sua grandeza merecia (poucas pessoas se lembraram dele na lista de melhores daquele ano). Afinal, ele teve o mérito de ser minimamente didático, com sua narrativa paralela situada na cabine de controle de vôos, dando ao espectador a correta ordem cronológica dos acontecimentos, e extremamente emotivo e cativante na narrativa situada dentro do avião, sem nunca cair no melodrama. Tem seu ápice aproximadamente nos vinte minutos finais, quando a tripulação decide tomar o avião. Um misto de emoção e desespero inesquecíveis. Uma direção genial de Paul Greengrass.

 

06 - MINORITY REPORT

 

Eu diria que “Minority Report” não é só subestimado, mas também incompreendido. Uma das estórias mais poderosas de Philip K. Dick, teve uma ótima adaptação nas mãos de Spielberg. Rendeu um belo lucro e hoje é mais lembrado como um filme pipoca do que como uma ficção séria, o que é uma injustiça. Quando se trata com profundidade temas como moralidade e justiça, a classificação “filme pipoca” passa a ser, no mínimo, desconfortável. Pra mim, é um dos grandes filmes do Spielberg. Para os criminalistas, um antro de discussão: o crime é da essência da sociedade.

 

05 - O NEVOEIRO

 

Uma verdade obra prima, “O Nevoeiro” não deve ser lembrado pela discussão que acabou sendo travada acerca do seu final, com alguns idolatrando e outros execrando. Seu final, pra mim perfeito, é o que menos importa. “O Nevoeiro” é um filme quase que antropológico, fazendo uma brilhante e pessimista análise do ser humano. E em meio a tudo isso, sobram doses cavalares de tensão com todo o terror trazido pelo estranho nevoeiro que surgiu na cidade. Uma obra genial, talvez a melhor película de terror da década. Merecia muito mais encômios do que teve.

 

04 - A DAMA NA ÁGUA

 

Um filme feito para poucos, talvez aí o maior motivo de ser subestimado. Com uma proposta específica e encantadora, não foi bem recebido, tanto pela crítica quanto pelo público. Quem conseguiu ser transportado para o universo fabuloso criado por Shyamalan, adorou o filme. Quem não conseguiu, detestou. Love it or leave it! Eu amei.

 

03 - GUERRA DOS MUNDOS

 

Mais um do Spielberg que deveria ter recebido mais elogios. Foi criticado num manifesto quase nostálgico dos fãs do conto de Wells. Cenas verdadeiramente assustadoras, tensão constante, excelente narrativa, estupendos efeitos visuais e sonoros. Se tem uma coisa que o Spielberg faz com maestria é estimular as emoções sentidas pelo espectador. Em “Guerra dos Mundos” ele consegue isso com louvor.

 

 

02 - O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON

 

Poucas vezes testemunhei uma subestimação tão grande quanto a que ocorreu com esta bela obra, que possui um enorme poder de causar reflexão. A maioria das pessoas, e em especial os blogueiros de cinema, repetiram em coro que este é um filme de grandes atributos técnicos, mas vazio de conteúdo. Besteira! Várias questões são trazidas à tona de maneira competente, como destino, relacionamentos, decepções, amadurecimento e tantas outras. E, além do primor técnico, do belo roteiro e da competente direção, ainda temos grandes atuações, sobretudo dos principais Brad Pitt e Cate Blanchett. Um belíssimo trabalho feito por David Fincher.

 

01 - GANGUES DE NOVA YORK


Além de subestimado, foi incompreendido e injustiçado. Chegaram a acusar o Scorsese de ter feito este longa apenas pensando na possibilidade de ganhar uma estatueta do Oscar (que só viria anos depois, com o brilhante “Os Infiltrados”). Que nada, “Gangues de Nova York” é muito mais que isso. Um verdadeiro épico brutal e sangrento, que revela as mazelas de uma época não muito distante em que a democracia ainda dava sinais de fraqueza e fragilidade, a justiça era constantemente realizada pelas mãos dos próprios cidadãos, e o preconceito e a intolerância reinavam. Um período histórico dos Estados Unidos, mas com grandes semelhanças em vários outros países. Leonardo Di Caprio já dava sinais do grande ator que se tornaria, e Daniel Day-Lewis, numa das interpretações mais avassaladoras do cinema, mostra porque é um dos maiores atores da atualidade.


Escrito por Bruno às 00h52
[ ] [ envie esta mensagem ]


HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE

 

 

 

Devo confessar que não sou nenhum fã fervoroso da série Harry Potter. Assisti todos os filmes sempre de maneira despretensiosa, sem me lembrar muito dos detalhes das películas anteriores, nada. E de uma certa maneira os longas que surgiam nunca me despertavam tanto interesse pelo seguinte. Eis que surge “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”.

 

Se a estréia de David Yates na direção de “Harry Potter e a Ordem de Fênix” chamou a atenção, é no novo longa que seu sucesso se consolida. No filme anterior, realmente houve um amadurecimento dos personagens, do clima que envolvia a trama de um modo geral, com um tom mais sério, mas faltou cativar mais o espectador, criar uma simpatia e uma conexão com o que ocorria. Agora não, tudo ficou mais cativante e empolgante.

 

Pra começar, o enredo está melhor, transportando rapidamente o espectador para sua trama. O clima criado por Yates, principalmente nas cenas noturnas, e sobretudo nas cenas mais tensas, não nos deixa desgrudar os olhos da telona. As explicações, o desenvolvimento da trama, as relações entre os personagens, tudo se encaixa numa sincronia formidável. O resultado são duas horas e trinta minutos que passam voando, o que, vale frisar, não é pouco, principalmente se levarmos em conta que esta é uma obra que se dedica bastante ao cotidiano dos personagens e às relações entre eles.

 

E, como característico da franquia, a qualidade técnica da película continua irretocável. Novamente temos cenários maravilhosos, riquíssimos em detalhes, o figurino está muito bem cuidado, temos efeitos especiais espetaculares, enfim, todos estes detalhes estão perfeitos. Ainda temos uma trilha sonora precisa, que se encaixa com leveza.

 

Mas como eu dizia no início, realmente não tenho toda essa intimidade com a série. Pra ser sincero, eu sempre ia assistir sem lembrar alguns detalhes (uns até importantes) das séries anteriores, e isso não me importava, pois nunca me sentia muito cativado. Pela primeira vez me senti completamente encantado com a história, realmente como se eu tivesse sido transportado para aquele universo. Pela primeira vez tive vontade de rever todos os anteriores, e fiquei ansioso pelo que vem pela frente. Aliás, novidade: é a primeira vez que um filme da franquia termina incompleto, necessitando de um complemento para seu desfecho.

 

E é assim, sendo incompleto, mas perfeitamente acabado, que “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” surge para elevar a um patamar maior a qualidade da franquia. Não tem como o espectador não ficar ansioso pela continuação. Desta forma, não é nenhum pecado dizer não só que “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” é o melhor longa feito pela franquia, como também é um dos melhores filmes do ano. Difícil resistir ao seu encanto.


Nota: 8,5


Escrito por Bruno às 15h42
[ ] [ envie esta mensagem ]


TRANSFORMERS: A VINGANÇA DOS DERROTADOS



Transformers: A Vingança dos Derrotados” é um filme com a cara do seu diretor, Michael Bay: muita ação, muita empolgação, muita pirotecnia, pouco aprofundamento na trama e nos personagens, alguns clichês e montagem ágil, que até garantem, no final das contas, uma diversão boa, mas, como sempre, efêmera.

Se no primeiro Transformers muito se criticou o excesso de lutas entre os robôs, que do meio para o final o longa se perdia em meio a inúmeras cenas de ação, a mesma crítica serve para a sua continuação. Mas o problema agora é maior, pois o efeito da novidade já não causa tanto impacto, e, pra piorar, dessa vez o roteiro é bem menos amarrado.

Aliás, apesar de o filme conseguir divertir na maior parte do tempo, o seu roteiro por vezes incomoda. Algumas cenas são desnecessárias, alguns personagens simplesmente são descartados no meio do longa e algumas cenas são completamente constrangedoras, como a dos pais de Sam Witwicky, encontrando seu filho no deserto (a cena pseudo-emotiva que se segue é completamente clichê e descartável). No quesito humor, este novo Transformers já não possui o mesmo charme. Pelo menos, em contrapartida, novamente explorou-se bem o personagem de John Turturro, que desde sua primeira aparição rouba a cena. De fato, as cenas mais engraçadas e divertidas são as que envolvem o seu Agente Simmons. Todavia, pra compensar as falhas, ainda temos grandes batalhas e cenas de ação que conseguem empolgar, apesar de parecerem um pouco cansativas ao término da película.

Quanto às atuações, Shia LaBeouf mostra que é mesmo um jovem de talento. Seu carisma mais uma vez garante o sucesso de seu personagem. Megan Fox, por sua vez, tem vários atributos que agradam os marmanjões (inclusive esse que vos escreve), mas é inegável que como atriz ela ainda precisa de muita evolução. Não consigo entender porque ela faz tanto “biquinho” em cena (será uma tentativa de sempre parecer ainda mais sexy?). John Turturro, como dito antes, rouba a cena quando aparece. Seu timming está perfeito, o que só confirma o grande ator que ele é. Os demais atores pouco merecem destaque, mas ninguém compromete, mesmo que em algumas horas se possa ficar irritado com o personagem do desconhecido Ramon Rodriguez, porém mais por culpa do papel do personagem do que da atuação do referido ator.

No final das contas, mesmo que canse um pouquinho, o longa consegue divertir. Trata-se de um filme bem raso, com muita embalagem e pouco conteúdo, mas que tem lá seus momentos, mesmo sendo esquecível. Contudo, como o que manda em Hollywood é o dinheiro, basta contar os sucessos de bilheteria que “Transformers: A Vingança dos Derrotados” conquistou. Somente na primeira semana em cartaz, no mundo todo, o longa arrecadou mais de 152 milhões de dólares, o que já foi o suficiente para pagar os custos da produção, orçados em míseros 150 milhões de verdinhas americanas. Não é de se estranhar que a Dreamworks já tenha encomendado o terceiro.


Nota: 6,0


Escrito por Bruno às 15h52
[ ] [ envie esta mensagem ]


TRAMA INTERNACIONAL

Antes de escrever sobre este filme, preciso dar algumas explicações com relação ao meu mais recente sumiço: saiu o edital de um concurso que me interessa bastante, e a prova está marcada para o início de agosto. Por conta disso, tenho me dedicado bastante aos estudos, e os filmes estiveram em segundo plano nos últimos dias. Aliado a isso, meu computador ficou em manutenção por quase três semanas, só tinha acesso à internet no computador da biblioteca onde eu estudo, o que também inviabilizou a produção de textos para o blog. Mas quero aproveitar também para anunciar que há possibilidade de novidades no Cine No Pretensions. Ainda não sei dizer se será neste espaço ou noutro lugar (mais provável que não seja aqui), mas quando chegar a hora certa eu darei o recado. Enfim, vamos ao filme então? 

“Trama Internacional”, dirigido por Tom Tykwer, possui um probleminha que o compromete como um todo: cria uma trama sensacional, de proporções globais, mas que são tão globais, que chegam a complicar o seu próprio desfecho. Além disso, há um abandono injustificável de alguns personagens em sua reta final.

É verdade que a película consegue rapidamente cativar o espectador e transportá-lo para o seu universo com facilidade, contudo fica também a sensação que seus personagens principais poderiam ter sido melhor desenvolvidos. De fato, não se trabalha satisfatoriamente o motivo pelo qual o agente Louis Salinger, interpretado por Clive Owen, é tão obstinado em desmascarar um dos mais poderosos bancos do mundo, o IBBC. Todos que estão envolvidos no caso querem “derrubar” o aludido banco, mas Salinger parece ter uma motivação muito maior, a qual, contudo, pouco é desenvolvida. Já a personagem de Naomi Watts, Eleanor Whitman, além de ser um tanto quanto rasa em nuances psicológicas, inexplicavelmente é esquecida no ato final.

Quanto à crítica ao desfecho, é que fica a sensação que quiseram simplificar demais o final, divergindo bastante do que vinha sendo o resto do longa. As últimas reuniões das principais figuras do IBBC, o teor de tais reuniões, suas decisões, tudo fica mal explicado. Ainda, alguns personagens importantes são completamente descartados, como o advogado do Banco. Há ainda um furo grosseiro na derradeira cena (atenção, possível spoiler: quem é que não visualizaria uma terceira pessoa naquele telhado, já que não havia uma única barreira onde se pudesse esconder?). Porém, vale também o elogio pela opção adotada no desfecho da trama, em termos de realismo. Seria clichê e de mal gosto apresentar uma solução simplista, coma a apresentação de alguma prova inquestionável, a atuação da Justiça e o fim do Banco. O problema é bem mais complexo que um simples banco, que na verdade é apenas um fruto de todo um sistema, englobando vários setores das principais nações.

Na verdade, “Trama Internacional” é uma obra muito preocupada com sua trama, que a desenvolve num ritmo bom, cativando o espectador e garantindo bom entretenimento em sua maior parte, mas que esquece um pouco dos seus personagens principais, os quais terminam sendo rasos em termos psicológicos. Há ainda um desfecho aquém do que se vinha desenvolvendo, mas agrada a idéia realista e pouco ingênua deixada no final. Venhamos e convenhamos, não há herói que resolva um problema que é abraçado por quase todos aqueles que deveriam combatê-lo. É mais fácil conduzir uma vingança do que apresentar uma solução adequada para combater tamanha trama internacional, repleta de complexidade.


Nota: 6,5


Escrito por Bruno às 15h33
[ ] [ envie esta mensagem ]


ANJOS E DEMÔNIOS

 

 

 

 “Anjos e Demônios”, nova adaptação de Ron Howard para as telonas do livro homônimo do escritor Dan Brown, é um entretenimento esperto e eficiente, que apresenta, porém, alguns defeitos que o enfraquece, sobretudo quando comparado à adaptação anterior “O Código da Vinci”.

 

Não que “O Código da Vinci” seja um longa repleto apenas de qualidades, mas foi um longa que conseguiu criar uma trama de proporções gigantescas, em meio a investigações, grandes descobertas, e muita controvérsia religiosa, um dos grandes motivos de seu sucesso. Se fez jus ao livro que lhe deu origem é outra conversa, que não ocorrerá aqui, pois como sempre falo de adaptações, pra mim é incomparável um livro com um filme. São mundos distintos, um com um vasto leque de tempo e espaço para apresentar detalhes, outro com um curto tempo.

 

A questão é que “Anjos e Demônios” já não apresenta uma trama tão fascinante assim, com proporções tão magníficas. Verdade seja dita, a trama cativa sim, mas não empolga tanto quanto poderia. E o pior, o filme, como quase toda adaptação, sofre do problema de curto tempo para contar sua história. Temos muitos detalhes num curto período de tempo. Basta uma piscada e uma distraída, e o espectador já perde detalhes importantes. Essa característica, na verdade, funciona como uma faca de dois gumes. Se por um lado há muita informação, sendo difícil de absorver tudo aquilo em tão pouco tempo, gerando pouca interação e conexão entre o público e a película, por outro essa mesma gama de informações impõe bastante ritmo, não deixando o espectador descansar e desgrudar os olhos da telona, o que cria uma sensação boa, pois duas horas e vinte minutos acabam parecendo menos de uma hora e meia no final da sessão.

 

Contudo, o longa ainda apresenta outros problemas. Alguns personagens são subaproveitados e algumas atuações são completamente esquecíveis. A atriz Ayelet Zurer não parece muito à vontade com sua personagem. Tom Hanks é sempre um atrativo, mas pouco explora todo o seu talento. Ewan McGregor, sempre simpático e cativante, dessa vez não tem uma atuação de destaque, porém também não chega a comprometer.

 

Mas, no final das contas, o conjunto da obra até que agrada. Mesmo com seus defeitos, “Anjos e Demônios” entretem e até contagia em alguns momentos. Em meio a uma trama ultra-acelerada, ainda temos curiosidades históricas e culturais que dão um charme a mais ao filme, o qual não aparenta ter sequer uma hora e meia das duas horas e vinte minutos que realmente possui. Se o que se procura é um mero entretenimento, então “Anjos e Demônios” pode até ser uma boa escolha.


Nota: 6,5


Escrito por Bruno às 00h41
[ ] [ envie esta mensagem ]


VICKY CRISTINA BARCELONA

 

 

 

Woody Allen é um cineasta com um estilo inconfundível. Seja fazendo filmes leves como “Scoop”, ou filmes mais pesados como “Match Point”, seu humor inteligente e sua visão amarga e pessimista da vida, de alguma forma, sempre estão presentes. Até nos seus filmes mais escrachados, como “Bananas”, sua inteligência humorística diferente e seu pessimismo podem ser detectados. “Vicky Cristina Barcelona” é mais um longa do mestre Woody que possui tais atributos, o que, todavia, não retira sua originalidade.

 

As melhores obras do vasto currículo de Woody Allen são as relacionadas a relacionamentos amorosos. Meus dois filmes preferidos dele são “Annie Hall” e “Manhattan”. Sua visão dolorosa sobre os relacionamentos estão à flor da pele em “Vicky Cristina Barcelona”, quase na mesma intensidade que nos filmes citados anteriormente. Nenhum relacionamento é simples, nenhum casal tem perspectivas reais de plena felicidade e bom convívio.

 

Em “Vicky Cristina Barcelona” todas as relações são complicadas. Vicky imagina que tem um futuro certo e sólido com seu noivo, até que uma noite muda a estabilidade de seu relacionamento. Cristina, quando pensa estar vivendo uma paixão mágica, descobre estar numa relação bem mais complexa do que esperava. Juan Antonio não consegue entrar numa nova relação sem ser afetado por sua ex-esposa Maria Elena. Judy sofre com a “morte” da paixão do seu casamento.

 

Aliás, um dos grandes méritos de Woody é sua capacidade em saber aproveitar os personagens secundários de seus filmes. Enquanto muitas outras obras apresentam alguns personagens inicialmente para logo depois descartá-los no restante, Woody se esforça ao máximo para aproveitar tudo o que tem em mãos. O maior exemplo é Judy, personagem de Patricia Clarkson, que surge no começo do filme como se fosse uma personagem secundária “esquecível”, para depois reaparecer de maneira marcante.

 

Outro ponto forte do filme é o seu elenco. Scarlett Johansson, a nova musa de Woody Allen, está encantadora como sempre, mas sua atuação não chama tanto a atenção como a de seus companheiros. Javier Bardem prova mais uma vez o grande ator que é, com uma atuação impecável. Penélope Cruz dá show com a melhor atuação do longa, conferindo à sua Maria Elena uma intensidade formidável. Ela rouba a cena quando aparece. Rebecca Hall, um doce, possui talvez a personagem mais intrigante, mais sofrível e que mais oferece nuances, e não faz feio, nos oferecendo uma atuação à altura de sua personagem. Pra mim, foi uma agradável surpresa. Ainda temos uma competente Patricia Clarkson completando o elenco.

 

Agora, outro aspecto a se comentar, é que todo o pessimismo e toda a complexidade que Woody confere aos relacionamentos de seus personagens são adocicados por seu humor debochado. Seus diálogos inteligentes e as situações cômicas e irônicas criadas na película, registradas por uma câmera simples e leve, sem nenhuma pirotecnia, garantem um clima cômico em quase toda a obra, equilibrando bem os romances, os dramas e o humor.

 

Enfim, parece que os novos ares estão fazendo bem a Woody Allen. Depois que saiu de Nova York, sua filmografia ganhou novo fôlego. “Vicky Cristina Barcelona” é mais uma das suas obras características, somando mais um bom filme em sua consistente carreira.


Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 01h02
[ ] [ envie esta mensagem ]


X-MEN ORIGENS: WOLVERINE

 

 

 

Crucifiquem-me se quiserem, mas venho escrever mais coisas boas sobre “X-Men Origens: Wolverine” do que ruins. Talvez tenha sido a minha ida despretensiosa ao cinema, sem esperar por um grande filme, que tenha ajudado para que eu apreciasse tanto o longa, já que havia lido vários textos na internet que me deram uma perspectiva um tanto quanto pessimista. Mas a verdade é que este filme surpreende.

 

É público e notório que uma das histórias oriundas dos quadrinhos mais complicadas de se contar é a do Wolverine. De fato, sua história é tão complicada e complexa, e já sofreu tantas reviravoltas, que até os maiores fãs do personagem costumam se confundir. Para se ter uma idéia, Wolverine surgiu pela primeira vez numa revista do Incrível Hulk, pra somente depois ser incorporado nos gibis dos X-Mens. Seu passado, no próprio gibi, é bastante nebuloso. Aliás, mesmo sendo construído após décadas de inúmeras tiragens de revistinhas, ainda ficam muitas dúvidas sobre seu passado. Não se sabe tudo sobre sua juventude, e muito se discute acerca de alguns “fatos” sobre seu passado, pois nosso herói foi vítima de implantes de memória pelos militares, e muitos acontecimentos que ele se lembra não se sabe se são provenientes de um passado real e vivido, ou de um passado implantado e imaginário.

 

Desta forma, não dava para esperar uma rígida fidelidade histórica, pois certamente não haveria tempo hábil para contá-la. O que acontece é uma necessária manipulação de personagens, com mudanças de funções de alguns, deslocamento temporal de outros, biografia de alguns alterada, dentre outras coisas. Não que a franquia X-Men não tivesse feito um pouco isso antes, como no terceiro da franquia, mas certamente nada se compara à mutação histórica e funcional feita aqui. Há, ainda, um imenso sub-aproveitamento de algumas fases da vida de Logan, como no período em que fugiu do laboratório, após ter o adamantium inserido em seu esqueleto. Nos gibis, ele viveu durante muito tempo como um animal nas florestas canadenses, sem memória, agressivo e agindo praticamente só por instinto, até ser acolhido pelo casal Hudson, que o ajuda a reaprender a ser sociável. No filme, isso é completamente ignorado e da fuga do laboratório até o encontro com o casal não demora poucos minutos, ainda que isso seja eficiente para amarrar melhor o roteiro. Mas tudo isso, todas essas alterações, como já foi dito, é compreensível e justificável.

 

É inegável, também, que, apesar de tantas alterações, a história de Logan conseguiu ser transportada para a telona com alguma lógica e coerência. Claro que um personagem como ele, sombrio e denso, merecia uma visão mais forte e profunda (algo como o feito em “Dark Knight”), com detalhes mais ricos, e com menos cenas de ação. Mas venhamos e convenhamos, pra retratar satisfatoriamente o personagem seria necessário no mínimo uma série com umas três temporadas. Não me parece que foi o objetivo do longa. Aqui, o que se almejou foi montar um surgimento para o Wolverine, explorar alguns pontos de sua origem, abusar de cenas de combates, e faturar muito, mas muito dinheiro nas bilheterias.

 

Aliás, é por isso que não critico a escolha do diretor Gavin Hood para o longa. É verdade que o enfoque nas cenas de ação é demasiado, e se trocassem algumas cenas de adrenalina por outras com carga mais dramática, o longa poderia ser muito melhor. Mas também é verdade que Gavin Hood conseguiu unir todas as pontas do roteiro bem amarrado que tinha em mãos, aliando o desenvolvimento da história do mutante com muitas cenas de ação, algumas com bom uso da criatividade, como no último combate entre Wolverine, Dente-de-Sabre e Deadpool. Se a proposta era mesmo essa, ele conseguiu fazer o “feijão com arroz” direitinho.

 

Apesar de pouco aproveitar vários personagens, como o Gambit (finalmente ele apareceu!), vivido por Taylor Kitsch, há espaço para atuações a serem destacadas. Liev Schreiber faz de seu Dente-de-Sabre, o arqui-rival, de Wolverine, um personagem forte e complexo, sendo um acerto inquestionável. Danny Houston faz um excelente Coronel William Stryker, que tanto é importante nos gibis dos X-Mens. Ryan Reynolds, no pouco que aparece, agrada com seu Wade (e posteriormente Deadpool). Dominic Monoghan também não tem muito tempo em cena, mas é cativante quando aparece. Por fim, temos um Hugh Jackman muito a vontade em seu papel, conferindo o tom certo ao seu Wolverine, como aliás já havia feitos nos filmes anteriores.

 

Por último, vale comentar também sobre a cópia que vazou do longa na internet, o que certamente deve ter prejudicado sua bilheteria nos cinemas. Tenho que ressaltar que a cópia que vazou do filme é um “workprint”, que é, a grosso modo, como se fosse uma versão sem ter sido completamente editada, sem os efeitos especiais inseridos. Faço questão de enfatizar isso porque vi muita gente criticando “X-Men Origens: Wolverine” principalmente por conta dos efeitos especiais, mas sem ter a consciência de que estava vendo uma versão “workprint” do longa. Eu, particularmente, gostei da grande maioria dos efeitos especiais e recomendo que quem assistiu essa versão da internet vá ao cinema conferir a versão final. Vale a pena.


Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 23h50
[ ] [ envie esta mensagem ]


MILK - A VOZ DA IGUALDADE

 

 

 

Saindo da linha autoral que vinha assumindo em suas últimas obras, Gus Van Sant nos traz este excelente filme biográfico, que conta a história de Harvey Milk, primeiro homossexual assumido a ser eleito em algum cargo político nos Estados Unidos.

 

O grande mérito de “Milk - A voz da Igualdade” é sua sensibilidade em contar a história de um árduo defensor da causa homossexual. A chance de se tornar uma obra panfletária era grande, mas Gus Van Sant, com a ajuda de um excelente roteiro, conseguiu conduzir a história que tinha em mãos com maestria, dosando na medida certa o seu posicionamento e a defesa de seus ideais com o desenvolvimento de sua trama. Pode parecer que isso é uma tarefa fácil, mas não é. A história de Harvey Milk nas mãos de outro cineasta poderia facilmente resultar num longa fervoroso, que muito critica e muito denuncia, mas que pouco conta sobre a intimidade de seus personagens. Felizmente não foi o que ocorreu nas mãos de Gus Van Sant.

 

Aliás, “Milk - A voz da Igualdade”, além de ser um filme com uma mensagem importante, que provoca muita reflexão, é um filme de ricos personagens. Sean Penn caracteriza seu personagem, Harvey Milk, com uma perfeição inquestionável (o Oscar realmente foi merecido), sabendo trazer à baila toda a coragem, fragilidade, doçura e humanidade de Milk. Seu personagem é contagiante e cativante, como Milk efetivamente parecia ser na vida real. Josh Brolin, em grande fase, é outro estupendo em cena, conseguindo conferir a seu Dan White uma inesperada humanidade intrigante. Talvez este seja o personagem mais complexo da película, sempre imprevisível. James Franco também possui um personagem intrigante, mais simples é verdade, mas que possui a sua devida importância. James Franco acertou em conferir simplicidade a seu Scott Smith, talvez o namorado de maior importância na vida de Milk. Por fim, os personagens de Emile Hirsch (excelente, possivelmente na melhor atuação de sua carreira) e Diego Luna são bastante intriguistas, mas me pareceu que poderiam ter sido mais trabalhados. Tenho certeza que uma incursão mais ampla no personagem de Luna cairia muito bem. Talvez tenha faltado tempo.

 

Sobre a vida de Milk e sua árdua batalha, é gratificante reconhecer que muita coisa melhorou de lá pra cá, e que ele foi um dos responsáveis por essas mudanças em seu país. Afinal, conseguir barrar a tal da “proposition 06”, uma aberração legal, foi um marco. Reunir inúmeros homossexuais para lutarem por sua causa, para se manifestarem contra toda opressão e todo o preconceito que sofriam, foi espetacular. Aliás, uma pena constatar que as paradas do orgulho gay, ainda que gerem algum debate quando ocorrem, não mais possuem o intuito de luta e reivindicação de direitos como antes, servindo atualmente, pelo menos aqui no Brasil, mais como uma micareta do que como uma forma de manifestação contra o preconceito. Mas não nos enganemos, muita coisa melhorou de lá pra cá, em todos os países, mas muita coisa ainda precisa melhorar. Em nosso país, por exemplo, ainda existe muito preconceito na esfera profissional, no mundo da política, e muitos temas importantes, como a adoção por casais homossexuais, ainda não foram legalizados. Certamente esses são problemas vividos por muitos outros países também.

 

Enfim, “Milk - A voz da Igualdade” é um filme que passa a mensagem importante que foi a vida de Harvey Milk: todas as minorias oprimidas, e não só os homossexuais, devem lutar e se manifestar contra toda forma de opressão e preconceito. Porém “Milk - A voz da Igualdade”, além de ser uma mensagem apaixonada e um registro em forma de película, é também um filme com uma trama muito bem conduzida, ainda que já conhecida por muitos, e que possui grandes personagens. Sem o subjetivismo característico de seus últimos filmes, Gus Van Sant produziu uma bela obra, recheada de boas atuações, que merecia ter ficado mais tempo em cartaz nos cinemas brasileiros. Pelo menos aqui em Salvador quase não ficou, estando em cartaz atualmente apenas no circuito alternativo daqui (Circuito Sala de Arte). Ainda bem que existem os cinemas alternativos.

 

Nota: 8,0


Escrito por Bruno às 11h20
[ ] [ envie esta mensagem ]


GRAN TORINO

 

 

 

Desculpem-me pelo desabafo, mas ando cansado de ler alguns textos na internet. Detesto o estilo “oito ou oitenta” de ser. Ultimamente o que tem chovido de textos sobre o cinema autoral e suas maravilhas já está “dando no saco”, com o perdão da expressão. Critica-se muito Hollywood e sua fome por filmes comerciais, e acusa-se o público, de um modo geral, de apenas valorizar estes filmes. Mas seria esse um discurso que reflete a verdade, ou seria um manifesto exagerado de algumas pessoas que anseiam pela adoção de um discurso pró-cinema-independente? O público só valoriza filmes essencialmente hollywoodianos? E, afinal, o que isso tem a ver com “Gran Torino”?

 

Analisando a filmografia de Clint Eastwood como diretor, é fácil concluir que ele possui um estilo não convencional no comando de seus filmes. Até quando faz filmes com uma estrutura mais comercial, Clint consegue torná-los menos convencionais que o esperado. É o que ele fez com “Gran Torino”. Verdade seja dita, estamos diante de um filme que se utiliza de vários clichês (velho militar, mal humorado e amargo, se aproxima de pessoas pelas quais tinha preconceitos; adolescente que se torna uma pessoa melhor com a ajuda de um mentor...), mas que no conjunto da obra conferem ao todo um tom longe do lugar-comum que se espera de filmes formuláicos. Aliás, pelo contrário, até no quesito estético Clint sabe dar um enfoque diferente à sua película, o que por si só, já afasta sua obra do caráter hollywoodiano que poderia assumir. Deste enfoque, temos cenas belas, como quando o personagem de Clint tem um acesso de raiva e pouco depois está sentado, com as duas mãos sangrando, fumando enquanto arquiteta o que deverá fazer.

 

Por falar no personagem principal, o enfoque dado a ele também beira um provável clichê, mas nunca realmente o é, pois Clint consegue construir seu personagem com a maestria devida, tramitando na linha tênue do estereótipo, sem nunca ser apenas comum. De fato, seu personagem, apesar de caricato (num sentido não pejorativo), é extremamente denso. Seu mal humor constante, suas ironias desenvoltas e seu estilo durão refletem um possível passado nebuloso, que lhe conferiu fardos pesados para carregar por toda a vida. É o personagem que mais nos causa reflexões. É o personagem que mais nos cativa e causa simpatia. E é o personagem que mais apresenta fórmulas em sua construção.

 

E eu não poderia deixar de comentar sobre o final do longa. Se durante a película temos a impressão de estarmos diante de alguns conceitos comuns, o desfecho nos garante que estamos equivocados. É o tipo de “reviravolta” inteligente. Uma solução inesperada, feita com elegância e muito feeling, arredondando as arestas do filme, permitindo um final paradoxal (triste, mas feliz), que agrada muito.

 

Mas, retornando às questões inicialmente levantadas, “Gran Torino” agrada justamente por não ser “oito nem oitenta”. Pegou-se algo convencional, mesclou-se com alguns conceitos não convencionais, e esculpiu-se uma obra equilibrada. Dessa forma, não dá pra afirmar que “Gran Torino” é um típico filme hollywoodiano, não é mesmo? E, ainda assim, vem tendo amplo reconhecimento do público, basta ver sua atual nota no site imdb. Aliás, recentemente, inúmeros longas bem mais alternativos vêm sendo recebidos de braços abertos pelo público. O que quero falar com tudo isso, ainda que aqui não seja o melhor lugar para dizê-lo, é que não acho que o público médio só valoriza filmes comerciais, tampouco creio que todo filme não-convencional ou autoral deva ser valorizado. O que me parece ser verdade é que há público suficiente para qualquer tipo de filme. Não tem porque ficar criticando o público e fazendo discursos inflamados em defesa do cinema independente. Isso cansa.

 

 

Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 13h06
[ ] [ envie esta mensagem ]


PARANOID PARK

 

 

 

Não tem jeito, Gus Van Sant mudou completamente depois de “Gerry”. De cineasta que fazia obras hollywoodianas, fase que nos presenteou com “Gênio Indomável”, passou para cineasta autoral, com filmes cada vez mais alternativos e peculiares. Deste momento recente de sua carreira, saiu o excepcional “Elefante”, possivelmente sua melhor obra. “Paranoid Park” é mais um filme dessa nova safra.

 

A despreocupação que Gus Van Sant desenvolveu em fazer uma película que agrade um público mais abrangente, está lhe permitindo que mergulhe a fundo numa filmografia bastante autoral. “Paranoid Park” até sofre um pouco com isso, pois em alguns momentos aparenta ser mais uma continuação dessa nova fase do referido cineasta, do que uma tentativa de ser uma grande obra. Talvez esse seja o único defeito do filme inteiro, mas que incomoda, pois é perceptível do início ao fim.

 

Por outro lado, “Paranoid Park” tem outras tantas qualidades para compensar. A trama, em si, é ótima, pois Gus Van Sant, trabalhando novamente com o universo adolescente, não se preocupou em passar lições de moral, nem a refletir visões estereotipadas de adolescentes. Temos um protagonista (atenção, possível spoiler) que tem que lidar com um assassinato acidental, que de uma certa forma o atormenta. Sobre este aspecto, a narrativa não linear se revela extremamente útil e funcional para a trama. E que ninguém espere reflexões e diálogos didáticos, o que não condiz com a proposta do longa.

 

Além disso, alguns plano-sequências são memoráveis. A fotografia também é um acerto. As cenas de skates, filmadas na maior parte em câmera lenta, se adequam bem à proposta, já que o skate parece ser o que mais interessa ao protagonista. Mas é inegável que tais cenas dão um tom intencional de discurso artístico à película. Por fim, temos uma trilha sonora eclética e um tanto quanto complexa, que é simplesmente formidável.

 

Em verdade, “Paranoid Park” é um belo filme, confirmando o atual estilo, cada vez mais autoral, de Gus Van Sant, que como diretor pouco procura interferir em suas histórias. Porém, aparenta também ser apenas mais uma obra de sua nova filmografia, como se o objetivo fosse apenas reafirmar a sua atual fase alternativa. A impressão final é que, com um pouco mais de ambição, “Paranoid Park” poderia ter alcançado vôos maiores, sobretudo quando pensamos no desfecho da trama. Talvez “Milk”, último filme do referido diretor, que conferiu a Sean Penn o Oscar 2009 de melhor ator, tenha esse tipo de ambição. É o próximo da lista a ser conferido.

 

 

Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 11h02
[ ] [ envie esta mensagem ]


ÚLTIMOS FILMES ASSISTIDOS

 

 

Pela primeira vez, desde que criei este blog, não escrevi uma prévia do Oscar antes da cerimônia. E é a primeira vez, também, nos últimos cinco anos, que não assisti os cinco filmes indicados à categoria de melhor filme. Reflexo purinho dos meus estudos, e das restrições que eles me impõem.

 

Mas pra tentar compensar, resolvi fazer um post único, com textos um pouco mais curtos, sobre os últimos filmes que assisti. São eles:

 

 Frost/Nixon: muito interessante a nova incursão de Ron Howard, com excelentes interpretações de Frank Langella e Michael Sheen. A grande qualidade do longa é refletir com muito realismo e detalhe um dos debates mais famosos da história da televisão, ocorrido em 1977, entre o jornalista e apresentador David Frost e o ex-presidente norte-americano Richard Nixon. O filme retrata bem os bastidores dessa entrevista, mas sua melhor qualidade é conseguir se sustentar, do meio pro fim, apenas nos diálogos de seus protagonistas. O único problema, aqui, é a falta daquele “algo mais” que o filme ora aponta querer atingir, mas nunca consegue. Nota: 7,5

 

 Quem quer ser um milionário?: longe, mas muito longe de ser uma obra-prima, como andou se falando por aí, e longe de ser um filme extremamente inovador, ou um marco no cinema, o grande ganhador do Oscar (oito estatuetas) foi o filme certo, no momento certo. É um filme que trabalha uma fábula urbana de modo muito original. Em tempos em que o cinema aponta para um lado mais pessimista, e que o mundo vive projeções mais pessimistas ainda, sobretudo em razão da crise atual, um filme que fomenta a esperança nos espectadores é muito bem vindo, e a Academia soube aproveitar isso. Além disso, o longa possui grandes virtudes, como sua eficiente montagem (trabalha com maestria os flashbacks), a tensão que consegue criar nas principais cenas, além de trabalhar muito bem uma genuína história de amor. Danny Boyle, diretor que sempre me agradou, teve seu talento reconhecido, através de todas as premiações recebidas, nesta que não é a sua melhor obra. Confirmou, ainda, que é mesmo um dos diretores mais versáteis da atualidade. Nota: 7,5 

 Operação Valquíria: a grande virtude do novo longa de Brian Singer, estrelado por Tom Cruise, é saber criar suspense e tensão em cima de uma história que todos nós sabemos como terminou. Claro que muitos (e eu me incluo nesse grupo) não sabiam de alguns detalhes contados no filme, mas o grosso da história (Hitler não foi assassinado, e aqui creio não estar revelando nenhum segredo) todos conhecem. O elenco é outro ponto forte: somente para citar alguns, Tom Cruise está excelente, Bill Nighy (irregular ultimamente) também, assim como Tom Wilkinson, este sempre no ponto. Apesar de não ser formidável em momento algum, “Operação Valquíria” funciona bem em sua proposta, sendo difícil imaginar alguém saindo insatisfeito depois de assisti-lo. Nota: 7,0


Escrito por Bruno às 01h20
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico:

01/10/2009 a 31/10/2009
01/09/2009 a 30/09/2009
01/08/2009 a 31/08/2009
01/07/2009 a 31/07/2009
01/06/2009 a 30/06/2009
01/05/2009 a 31/05/2009
01/04/2009 a 30/04/2009
01/03/2009 a 31/03/2009
01/02/2009 a 28/02/2009
01/01/2009 a 31/01/2009
01/12/2008 a 31/12/2008
01/11/2008 a 30/11/2008
01/10/2008 a 31/10/2008
01/09/2008 a 30/09/2008
01/08/2008 a 31/08/2008
01/07/2008 a 31/07/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006


Filmes Assistidos:

  • Minhas Estimativas

    Perfil:

  • Nome: Bruno
  • Idade: 25 anos
  • Cinéfilo nas horas vagas

    Recomendo:

     Alta Fidelidade
     Baú de Filmes
     Blog Cinefilia
     Cine Carranca
     Cine Resenhas
     Cinéfila por Natureza
     Crônicas Cinéfilas
     Dementia 13
     Diário de um Cinéfilo
     Filmes do Chico
     Nit Zombies
     Sombras Elétricas
     Tudo é Crítica
     Última Sessão