Cine No Pretensions


CINTURÃO VERMELHO

 

 

"Cinturão Vermelho" é um filme sobre um tema interessante, que vem ganhando cada vez mais destaque no meio esportivo, sobretudo no mercado dos Estados Unidos. É, também, um filme que começa bem, todavia peca no seu desenvolvimento e na sua visão excessivamente romântica sobre o esporte tema do filme, o Jiu-Jitsu. Mas o pior talvez não seja identificável por todo o público: "Cinturão Vermelho" é um filme temerário, pois passa uma idéia falsa sobre o mundo do MMA (Mixed Martial Arts - outrora denominado Valeu-Tudo).

 

Se não bastasse esse novo filme de David Mamet (uma curiosidade: o diretor, mais conhecido por seus roteiros, é praticante de Jiu-Jitsu há mais de cinco anos) ter esses problemas, que acabam por enfraquecer o que poderia ser uma bela obra, pra piorar, aqui no Brasil ainda me fazem o favor de traduzirem o título de modo absolutamente equivocado. "Red Belt", literalmente falando, pode mesmo dar a idéia de "Cinturão Vermelho", mas analisando o contexto do filme, fica bem claro que se refere à "Faixa Vermelha", que é a graduação máxima que um lutador pode obter, mas enfim, traduções de títulos aqui no Brasil sempre foram uma tragédia mesmo, então nem vale a pena me estender nesse assunto.

 

A primeira questão a se analisar é o desperdício de uma idéia que começa muito bem. Inicialmente, Mamet constrói uma história abordando mais o lado humano dos personagens, com diálogos bem escritos, reveladores das características de cada personagem, trazendo à baila seus traços principais (o humilde, o sábio, o arrojado, o traumatizado, o arrogante). A grande vantagem é a verossimilhança com que as situações vão se desenvolvendo no começo, tudo é bastante crível. Contudo, ao desenvolver sua trama, ele acaba apressando sua história e, com isso, as atitudes dos principais personagens fogem à lógica inicial apresentada. Muita coisa fica mal explicada ou, no mínimo, forçada, culminando com um final mais apressado ainda.

 

Outro ponto que começa bem, mas no desenvolver da película vai se revelando desarrazoado, é a filosofia do personagem principal, Mike Terry. Ele acredita num "código de honra" mais romântico do que a própria essência do Jiu-Jitsu. Falo isso com conhecimento de causa. Para os que não me conhecem há mais tempo, luto Jiu-Jitsu desde 1999, e acompanho desde então o mundo das lutas, sobretudo na área do Jiu-Jitsu e do MMA. No filme, Terry revela ser contra competições, pois estas enfraqueceriam o lutador (especialmente se houver apostas nos campeonatos) ao invés de ajudá-lo a crescer. O maior e mais respeitado ícone do Jiu-Jitsu, Helio Gracie (praticamente o pai do jiu-jitsu brasileiro - não foi ele quem o trouxe para o país, mas foi ele quem revolucionou a arte suave) diz que a competição serve de grande aprendizado e crescimento pessoal para o atleta. Até os mestres do diretor, os irmãos Machado, defendem as participações em torneio, o que só mostra que o filme tentou exageradamente buscar um espírito samurai mais romântico que qualquer ideal samurai. 

 

É um exagero também Terry possuir uma "pureza" tão grande, mas abdicar dela tão facilmente depois. Mesmo passando por dificuldades, ele deixa de cobrar o estrago que uma, até então, desconhecida causa em seu carro, deixa de ficar com um presente caríssimo quando estava precisando de dinheiro, tudo isso baseado em suas crenças. Basta alguns acontecimentos (um deles, envolvendo o policial aluno de Mike, totalmente incoerente) e pronto, Mike quebra o seu código de honra e resolve lutar pra levantar um dinheirinho.

 

Não bastasse isso, o filme ainda mexe com um conceito muito perigoso. Sua trama deixa sugerido, no mínimo, que muitos torneios de MMA são de lutas arranjadas (resultados combinados). Pelo menos é essa a visão de Mike, o nosso personagem principal. Que podem haver lutas arranjadas em algum torneio isso é óbvio, é passível mesmo de acontecer em qualquer modalidade (no próprio MMA tem uma luta famosa ocorrida em 2000, que todos acreditam ter sido arranjada, envolvendo os lutadores Nobuhiko Takada e Mark Coleman), mas isso é a pequenina minoria. O problema é que filme também forma opinião, e após assistir este filme muitas pessoas que não conhecem este mundo das lutas podem passar a achar que "tudo é combinado mesmo", que "esses lutas do UFC são todas arranjadas" e isso seria uma injustiça com uma modalidade que vem se esforçando tanto para crescer.

 

Vale ainda mencionar algumas atuações. Chiwetel Ejiofor está bem (os problemas envolvendo seu personagem são por conta do roteiro), Alice Braga, num papel coadjuvante de destaque, também agrada (e, fisicamente falando, mostra que está em ótima forma), Tim Allen não convence muito (além de ser abandonado na reta final do filme), David Paymer é completamente subaproveitado, Emily Mortimer convence (menos nas cenas iniciais em que se mostra uma pessoa traumatizada) e, por fim, temos um Rodrigo Santoro com uma participação interessante. Seu inglês parece melhor (impressionante como um "fuck" faz a frase parecer mais americana), ainda que isso não seja tão importante, já que interpreta um brasileiro que mora nos Estados Unidos, mas é interessante vê-lo em um papel com algum destaque (continua bem coadjuvante, mas cada vez mais com espaço maior).

 

Apesar do bom começo, de algumas boas lutas (principalmente a luta no bar, um tanto quanto crível) e de mostrar um pouco um "mundo" ainda desconhecido para muitos, "Cinturão Vermelho" peca em seu desenvolvimento apressado, no seu abandono e subaproveitamente de alguns personagens, no seu conceito exageradamente romântico sobre o Jiu-Jitsu e na manipulação da idéia de que grande parte das lutas em competições são arranjadas. Fazendo um balanço entre os prós e os contras, infelizmente, como cinema, "Cinturão Vermelho" deixa a desejar. É uma pena, já que torcia para que fosse um grande filme, em razão do tema e da participação de Rodrigo Santoro e Alice Braga. Fica para uma próxima vez.

 

 

Nota: 5,0



Escrito por Bruno às 22h44
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A MÚMIA - TUMBA DO IMPERADOR DRAGÃO


Sabe que "A Múmia - Tumba do Imperador Dragão" até que é um filme bacaninha. Sei que minha opinião deve ser minoritária, mas realmente acho que se ele for encarado como um filme B (o que ele assume ser, nesse terceiro da cinessérie) dá pra se aproveitar bem a sessão.

 

Pelo que percebi, o pessoal que gostava dos filmes anteriores da franquia não gostou das mudanças, que realmente foram muitas: mudou o diretor, mudaram os roteiristas, até a graciosa Rachel Weisz saiu do elenco. Todavia, para aqueles que nem viam tanta graça assim nos filmes anteriores (eu, por exemplo), a mudança radical pode funcionar muito bem (como funcionou comigo). Vamos por partes.

 

Primeiro foi a opção em mudar o cenário: a ambientação saiu do Egito e foi pra China. Deste modo, o filme meio que mesclou o "estilo múmia" das franquias anteriores, com um pouco da mitologia e cultura chinesa. Mas a melhora reside na opção francamente assumida pela produção: fazer um filme B. Ainda que seu orçamento seja milionário (mais de 160 milhões de dólares), trata-se mesmo de um filme B, desde as piadinhas (algumas bem colocadas, outras nem tanto), até as cenas de guerra, sobretudo na metade-final da película, na parte em que aparece o exército de mortos vivos multilados, lembrando até um pouco o jeito agradavelmente tosco de "Uma Noite Alucinante Três".

 

O filme também tem seus defeitos, como o uso excessivo de cortes na edição, algumas faltas de explicações no roteiro, e o sub-aproveitamento de cenas que poderiam enriquecer bastante a obra, como no caso da luta de espadas entre os personagens de Michelle Yeoh e Jet Li (nessa hora até deu saudade de "O Tigre e o Dragão"). Aliás, falando em atores, o maior ponto fraco deste filme é o elenco.

 

A saída de Rachel Weisz realmente foi negativa pro filme. Em seu lugar foi escalada Maria Bello, boa atriz, mas que não conseguiu a mesma química que Weisz teve com Brandon Frasier (o qual, pra mim, continuou divertido e com bom timing). O novo protagonista, Luke Ford, que interpreta Alex, filho do casal, não tem o carisma necessário para a importância do seu papel, e isso fica bem evidente no decorrer da obra. Jet Li aparece muito bem no começo do filme, mas depois some ao ser substituído por um enorme aparato digital. Michelle Yeoh é pouco aproveitada e Isabella Leong é simpática e bem disposta, mas não parece muito a vontade em seu papel. Por fim, Anthony Wong faz um general bastante caricato, mas pro estilão B que o filme assume, acaba sendo satisfatória a sua atuação.

 

Enfim, como falei, para aqueles que gostaram dos dois anteriores, talvez "A Múmia - Tumba do Imperador Dragão" não seja a continuação que tanto esperavam, mas para aqueles que não admiravam tanto as obras anteriores, e que gostam de filmes no estilo B, a continuação até que pode ser considerada satisfatória. Não sei se foi porque na sessão em que eu estava tinham pessoas bem humoradas que acabaram me contagiando (sobretudo nas cenas de humor), mas fato é que no final das contas acabei me divertindo com esse filme, o que vale qualquer ingresso.

 

 

Nota: 6,0



Escrito por Bruno às 20h47
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BATMAN - O CAVALEIRO DAS TREVAS

 

 

 

Nossa, Christopher Nolan conseguiu! Inicialmente, a primeira coisa que quero fazer é enaltecer o trabalho do referido diretor neste fantástico filme. Se em “Batman Begins” ele havia apostado acertadamente em nos trazer uma Gothan City mais sombria, com um enfoque efetivamente mais “dark” em toda a trama, sua aposta agora foi mais arriscada e, por isso mesmo, mais acertada ainda.

 

Enquanto em “Batman Begins” vimos a tentativa de Bruce Wayne lutar contra o crime organizado, que  corrompia vários setores chaves da sociedade (chefes de polícia, juízes, etc), revelando o quão quase anárquica era Gothan City, em “Batman - O Cavaleiro das Trevas” vemos uma Gothan City quase livre da máfia, graças a parceria do homem morcego com o tenente Jim Gordon, e à implacável atuação do incorruptível promotor de justiça Harvey Dent. E é nesse diapasão que reside a maestria de Nolan.

 

De início, nos foi apresentada, em seu primeiro filme, uma Gothan City detestável, mais corrupta do que nunca. Agora, ao nos ser revelada a mesma cidade quase livre daquela situação alarmente, graças à atuação do homem morcego, temos a introdução do Coringa, um vilão psicopata que tem o desejo de ver a cidade completamente à beira do caos (algo pior do que era Gothan antes mesmo do surgimento do Batman). Ele propõe, num primeiro plano, destruir Batman, para que todo o crime organizado possa imperar novamente na cidade, todavia é fácil perceber, à medida que o filme desenvolve, que seus objetivos vão muito além disso.

 

O que “Batman - O Cavaleiro das Trevas” deixa claro é que estamos diante de um vilão absolutamente fascinante. E é justamente nessa idéia de Nolan de apostar suas fichas no vilão, deixando ele ditar todo o ritmo da trama, que reside sua genialidade. Afinal, explorar um vilão totalmente insano, que deixa claro seu amor ao caos, à anarquia, ao combate ao excesso de regras do mundo, foi sim uma aposta arriscada, haja vista que normalmente o herói é quem sempre costuma ser o centro das atenções (de preferência sendo o herói um cara politicamente correto).

 

O que ninguém esperava era que Heath Legder realmente fosse capaz (não devido a sua qualidade como ator, o que já havia provado ser ótimo em outras obras, como em “O Segredo de Brokeback Mountain”) de fazer um Coringa tão insano (mas ao mesmo tempo lúcido) e tão psicologicamente complexo como ele fez. Pode ser exagero, mas prefiro pecar pelo excesso que pela cautela: este é o vilão mais fascinante da história do cinema. Claro que o texto foi muito bem escrito, mas a vida que Ledger põe em seu Coringa é que o deixa tão complexamente apaixonante. Seu personagem é a personificação da frase “é tênue a linha que separa a loucura da genialidade”.

 

Outro ponto correto é a idéia finalmente trazida pelo filme, compreendida largamente pelo Coringa, de que o Batman o completa e vice-versa. O Batman é uma pessoa que segue as regras com rigor, buscando sempre o bem a e justiça, enquanto o Coringa é um vilão que só deseja subverter as regras, através da mais pura e insana violência. É estranho, mas efetivamente um completa o outro.

 

Agora, o que parece mais impossível ainda é que mesmo nesta fantástica exploração do “homem morcego versus coringa”, temos o desenvolvimento da trama com outros enfoques, como o triângulo englobando a relação de Bruce Wayne com Rachel Dawes (agora vivida otimamente por Maggie Gyllenhaal), a qual agora tem um relacionamento com o promotor de justiça Harvey Dent, perfeitamente interpretado por Aaron Eckhart; o surgimento do vilão “Duas Caras”; a ascensão do tenente Jim Gordon para o cargo de comissário; enfim, são várias histórias paralelas que são desenvolvidas no decorrer da trama, e tudo com o devido cuidado.

 

Por fim, vale a pena elogiar os efeitos especiais, que tornam várias cenas de ação em verdadeiros espetáculos, a fotografia que conseguiu deixar o filme com o clima sombrio que ele precisava, e a edição, que consegue fazer quase duas horas e meia de filme passar rápido e parecer até pouco, pra quem estava tão extasiado com a película.

 

“Batman - O Cavaleiro das Trevas” é o melhor filme de super herói já feito em toda a historia. Não há uma única adaptação das HQs que chegue perto do que é esse filme. Com a presença de um elenco inspirado e do vilão mais bem encarnado da história do cinema, não há como não tirar o chapéu para o esta magnífica obra. Christopher Nolan conseguiu. Não há dúvidas que este filme já nasce imortal. Pena o Heath Ledger não estar vivo para colher os frutos.

 

 

Nota: 9,0

Escrito por Bruno às 15h51
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HANCOCK

 

 

 

Um super astro em um filme é o suficiente para valer um ingresso? Nem sempre, e “Hancock” é a maior prova disso. Will Smith é um daqueles atores que é capaz de levar um filme nas costas fácil, fácil. “Eu sou a lenda” é a maior prova disso. Todavia, apostar que ele seria capaz de compensar toda a falta de emoção que a história deste filme nos proporciona foi um pouco demais.

 

A grande virtude de “Hancock” é seu protagonista, Will Smith. No começo, quando seu personagem faz mais o tipo irreverente, herói bad boy, Will Smith é o dono do filme. Tanto nas cenas de ação quanto nas cenas de reflexão do seu personagem, o brilho todo é por conta dele. Claro que não chega a ser um vôo solo de Smith, já que Jason Batemam também aparece bem desde o princípio, assim como Charlize Theron, que vai ganhando mais importância no decorrer da película, mas sem dúvidas é ele o grande charme do filme.

 

Falando isso parece então que ele tem uma atuação excelente, e faz seu personagem memorável, né? Mas não é assim não. Como se sabe, todo protagonista é tão bom quanto seu antagonista. Isso tem nos manuais básicos de roteiristas, que um vilão forte e poderoso valoriza o herói, o fortalece. “Todo herói é tão bom quanto seu vilão”. E o pecado de “Hancock” reside justamente aí, não temos um único vilão no filme, nada. Uns bandidos de meia tigela surgem no decorrer da obra, mas são tão descartáveis que chegam a serem esquecidos quando o filme acaba. E aqui não dá nem pra dizer que o maior vilão do herói é ele mesmo, porque ele, apesar de todo esse espírito anti-social, é apenas alguém querendo saber mais sobre si, se autodescobrir.

 

Desta forma, no decorrer da obra, o que resta é reproduzir cenas de ação que realmente divertem (mas que acabam sendo sem muito propósito), fazer piadas, várias piadas, sobre heróis, vilões, super poderes, relações públicas, etc., e deixar todo o enfoque do filme sob o seu protagonista.

 

Aí acabamos por nos perguntar: vale a pena apostar todas as suas fichas no personagem principal e dar toda a ênfase para ele, se despreocupando com o desenvolvimento de alguma trama? Eu realmente acho que vale a pena um filme voltado só para o auto conhecimento de um personagem. “Corpo Fechado” está aí pra provar isso. Mas “Hancock” não faz isso. Sua aposta é nas cenas de ação e comédia protagonizadas por Smith, que divertem sim, mas só. Sem aprofundar o personagem, sem explorar a fundo essa idéia de descobrimento, não faz muito sentido fazer um filme todo voltado para um personagem só porque seu ator é um super astro. O resultado é um entretenimento que diverte um pouco, mas logo quando saímos do cinema cai no esquecimento.

 

 

Nota: 6,0

Escrito por Bruno às 16h02
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ESPÍRITOS - A MORTE ESTÁ AO SEU LADO

 

 

 

Normalmente eu só escrevo sobre lançamentos (de preferência os mais recentes), e “Espíritos - A Morte está ao seu lado” nem é dos mais novos (lançado em 2004), inclusive já até ganhou uma versão americana, mas como sempre tenho um carinho e uma dedicação especial com filmes de suspense e terror, resolvi escrever sobre este filme tailandês que compõe um dos inúmeros exemplares que vêm atraindo olhares para o cinema oriental voltado ao horror.

 

O que chama a atenção para esta obra é a capacidade em assustar e criar cenas tensas. O roteiro nem é dos mais bem amarrados, principalmente porque deixa pontos mal explicados ou confusos. Resumindo bastante o filme, caso alguém ainda não o tenha assistido, o história é a de um casal (Thun e Jane) que atropela uma mulher aparentemente desconhecida e foge do local do acidente, passando a tentar retomar a sua vida. Todavia, após este evento, começam a aparecer estranhas figuras nas fotos tiradas por Thun, enquanto que Jane passa a ter terríveis visões e pesadelos.

 

Então, um dos pontos mais mal explicados é o porquê de tudo aquilo estar acontecendo somente naquela época. Após a revelação final do filme fica no ar o porquê de tudo aquilo (os acontecimentos sobrenaturais) estar acontecendo tão depois. Não há explicação da razão de aquilo não ter acontecido antes, ou se houve algum fato que desencadeasse tudo aquilo somente depois (falei assim genericamente para não estragar a surpresa de quem ainda não assistiu ao filme).

 

Mas enfim, apesar de algumas falhas e de algumas obviedades, a grande vantagem deste filme é sua capacidade de causar tensão. De fato, se tem uma coisa que não dá para criticar é a criatividade dos diretores para causar um bom suspense através de sustos e um grande sentimento de aflição quando as cenas “marcantes” estão por vir. Devo confessar que foram muitas as cenas que me deixaram com o coração acelerado.

 

Quanto ao final, o qual muitas pessoas classificam como genial, ao mesmo tempo em que ele é efetivamente brilhante, também é absurdamente previsível. Deixe-me tentar explicar essa contradição. No momento em que os fenômenos misteriosos começam a ser justificados, o que se revela, quanto ao sobrenatural, é realmente fantástico, de deixar o espectador de boca aberta. Contudo, os fatos que são revelados quanto ao passado são de uma enorme previsibilidade (um clichê já explorado por incontáveis filmes).

 

Este filme pode até parecer mais do mesmo se comparado a recentes produções do gênero (eu mesmo acho isso), mas para quem gosta de filmes assim, certamente vale a pena. Cenas tensas, belos sustos e aflição na medida certa acabam compensando algumas falhas que se percebe no decorrer da produção. Principalmente para os fãs do gênero, “Espíritos - A morte está ao seu lado” é um bom passatempo. Agora quanto ao remake americano, desse eu quero distância.

 

 

Nota: 7,0

Escrito por Bruno às 18h28
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O INCRÍVEL HULK

 

 

 

Ah, Marvel Studios. Eu sabia que este filme seria bom. Já havia esbanjado todo o meu entusiasmo com o “Homem de Ferro”, primeiro filme dessa nova produtora. Agora vem “O incrível Hulk” para confirmar de vez que a referida produtora veio para ficar.

 

Um dos acertos que fazem “O incrível Hulk” funcionar muito bem é justamente a fidelidade à HQ. A prioridade é a ação que envolve o personagem, e não a esfera psicológica e subjetiva dele, como quis fazer Ang Lee (que infelizmente fracassou feio em sua aposta). Com efeito, o início do filme mostra de maneira ultraresumida a origem do personagem (o porquê de Bruce Banner ter se tornado o Hulk). Em pouquíssimos minutos somos apresentados a praticamente todos os personagens principais do longa e... pronto, o filme já está a mil por hora logo no seu início.

 

Não que eu não aprecie o desenvolvimento mais profundo dos persongens, com maior ênfase na carga dramática, mas a questão é que a história do Hulk combina bastante com filmes onde o enfoque maior é a ação, como este. O diretor francês Louis Leterrier não podia ser mais feliz quando apostou todas as suas fichas num filme mais corrido e agitado.

 

Com um texto enxuto, mas que trata com o devido cuidado o personagem do homem-verde, e com uma montagem dando um ótimo ritmo para a película, fica difícil fazer muitas críticas dentro desta proposta. Ainda mais se levarmos em conta que o roteiro de Zak Penn foi quase todo revisado por Edward Norton (fã do Hulk), que se preocupou em acrescentar várias referências da história original ao filme. Ou seja, temos um filme onde a ação é ótima e ainda presensiamos um texto fiel à HQ.

 

Falando em Edward Norton, a escolha do elenco mostrou ser outro acerto. Norton é um excelente ator, e encarna com maestria o papel de Bruce Banner. Tim Roth faz um vilão a altura (foi ótimo ver o surgimento do Abominável),  Willian Hut mostrou-se uma escolha acertada para o papel do General Ross, e Liv Tyler, com toda sua doçura, está adorável como Betty Ross.

 

Eu também não poderia deixar de comentar que, assim como em “Homem de Ferro”, temos um final pra deixar todo mundo com água na boca para o próximo filme da produtora. A união dos personagens da Marvel em um único filme promete muito.

 

Enfim, “O incrível Hulk” foi mais um filme que veio pra provar que a Marvel Studios promete ser a melhor produtora de filmes de super-heróis. No final das contas eu gostei mais de “Homem de Ferro” que do filme do homem-verde, porém isso não é nenhuma crítica, tendo em vista a excelente qualidade da primeira obra. Mas uma coisa é certa, e eu já havia dito antes: a Marvel Studios veio mesmo pra ficar.

 

 

Nota: 7,5

Escrito por Bruno às 14h25
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FIM DOS TEMPOS

 

 

 

Eu sou fã confesso de M. Night Shyamalan. Gosto muito das histórias que ele escreve, gosto do seu jeito de filmagem, gosto dos focos que ele costuma dar em seus filmes e do modo como os desenvolve. “Fim dos Tempos” é bom, todavia é o seu filme que menos gostei até hoje. Vamos por partes.

 

Todos os filmes do Shyamalan possuem uma característica que me agrada muito, que é a importância que o diretor dá para os personagens. Em todos os seus filmes os personagens mais importantes são bem trabalhados e desenvolvidos. A trama acaba sendo apenas uma maneira de prender o espectador à película (e isso Shyamalan sabe fazer com maestria), mas os personagens são a chave do sucesso de seus filmes.

 

Em “Fim dos Tempos”, pela primeira vez, Shyamalan não denota todo esse cuidado e carinho com seus personagens. O único que, ainda aparecendo pouco, me pareceu satisfatoriamente bem cuidado foi o personagem de John Leguizamo, que, por sinal, nos oferece a melhor interpretação da obra. Mas, infelizmente, este é o filme dos personagens menos importantes e cativantes da filmografia do cineasta. Entre os prós e contras do filme, este é o seu principal contra.

 

Aliás, sobre as atuações, me parece que este é o filme em que o diretor menos conseguiu extrair boas interpretações de seus atores. Mark Wahlberg, um ator que vem subindo cada vez mais no meu conceito, tem uma atuação muito aquém das suas capacidades. Zooey Deschanel é simpática e interessante, mas sua personagem é um pouco bobinha demais. Conforme falado anteriormente, John Leguizamo, o que menos aparece desses três, é o único que realmente agrada, com um olhar, um tom de voz e uma emoção precisamente no ponto.

 

Como mérito, não há como deixar de destacar as várias cenas de mortes, sobretudo as primeiras, como a cena em que as pessoas começam a “cair” dos prédios. A curiosidade que sentimos sobre o porquê daquilo tudo estar acontecendo é o que mais nos prende, e o diretor consegue segurar essa angústia até seus momentos finais. A explicação para o “incrível” que se passa no filme pouco importa, mas sua mensagem final é válida.

 

Contudo, ao final do filme, ainda que a sensação seja boa, o que fica óbvio é que faltou algo. Não estivemos cativados e comovidos com o que ocorreu com os personagens, não ficamos surpresos com o desfecho da obra, não ficamos com grandes pontos para refletir, mas apenas saímos do cinema com a certeza de que vimos um filme simpático. E isso, vindo de um diretor como o Shyamalan, é pouco.

 

 

Nota: 7,0

Escrito por Bruno às 13h22
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O RETORNO

 

 

I´m back!!! I´m fucking back!!! Oh yeah… tá bom, peço desculpas pelo exagero, mas é que estou muito feliz. Finalmente acho que voltarei a ter um tempinho para ver meus filmes e poder escrever sobre eles. Já tem um tempo que não vou ao cinema, e não vejo a hora do reencontro. Aliás, alguns filmes já estão na minha lista, e acredito que devo assisti-los nesse final de semana. “Indiana Jones”, “Crônicas de Nárnia”, “Hulk” e, o meu mais aguardado, “Fim dos Tempos”. Fiquei triste por ter postado tão pouco nesses últimos meses (inclusive já faz quase um mês que postei pela última vez por aqui), mas de agora em diante é só alegria. Voltarei a escrever com uma boa frequência por aqui, assim como, igualmente, voltarei a frequentar os blogs dos amigos cinéfilos. Os cinemas que me aguardem!



Escrito por Bruno às 22h31
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HOMEM DE FERRO

 

 

 

É incrível como a escolha correta do protagonista é capaz de fortalecer um filme. Inicialmente, causou estranheza a muitos a escolha de Robert Downey Jr. como o milionário Tony Stark. Não por sua capacidade de atuação, mas sim por parecer que não combinaria com o protagonista de um filme de super-herói. Ledo engano. Robert Downey Jr. é um dos grandes triunfos dessa bela adaptação da Marvel para os cinemas.

 

Tudo bem, falar bem de Downey Jr. nesse filme é chover no molhado, afinal é unânime em todos os lugares a excelente escolha pelo referido ator. Todavia, qualquer texto sobre “Homem de Ferro” tem o dever de enaltecer sua atuação.

 

Abrindo um pequeno parênteses: Robert Downey Jr. vinha há um tempo sendo esnobado por Hollywood. Após “Chaplin”, o ator entrou numa acentuada descendente, pegando papéis cada vez menos relevantes, talvez por conta de seu recorrente problema com drogas (o que possivelmente afetava seu prestígio profissional). De 2005 pra cá, no entanto, sua carreira voltou a ascender. Primeiro com um papel correto em “Boa Noite e Boa Sorte”, depois por estar excelente em “O Homem Duplo”, e, posteriormente, melhor ainda em “Zodíaco”. Coroando a sua grande fase, Downey Jr. ganhou o papel de Tony Stark, fazendo de seu personagem um dos protagonistas mais interessantes em filmes de super-heróis.

 

Curioso é que, procurando pela carreira do referido ator, vi que ele interpreta o papel do mesmo Tony Stark no novo filme do “The Incredible Hulk”! O que, no mínimo, me deixou curioso. Mas não percamos o foco e voltemos ao filme.

 

Além da acertada escolha do personagem principal, um dos grandes méritos de “Homem de Ferro” é a grande capacidade do roteiro de desenvolver bem sua trama, nos contando o surgimento do Homem de Ferro, e, ao mesmo tempo, administrando muito bem as pitadas de humor, ação, drama, romance e críticas sociais. O resultado é uma história divertida, empolgante e cativante. Tudo o que o espectador desejava.

 

No quesito efeitos especiais, a Marvel Studios mostra que veio pra ficar. Logo no seu filme de estréia, faz um filme de dar inveja a muitos outros que se gabam por seus efeitos. As armaduras utilizadas por Stark, tanto a primeira feita de modo mais cru no Afeganistão, que consegue ser bacana mesmo sendo rústica e desprovida dos equipamentos de última geração, como a segunda toda prateada, impecável, e a terceira, a armadura dourada com vermelho, seu visual final, são visualmente fabulosas. Ainda: temos os modernos mísseis arrasadores vendidos por Stark ao exército americano no começo do filme, que assustam pelo seu poder de devastação; cenas impecáveis com caças; computadores de alta tecnologia; e, por fim, as cenas de vôo do Homem de Ferro.

 

O elenco do filme é outro mérito inegável. Robert Downey Jr., como já falei anteriormente, está impecável, tornando seu herói absolutamente crível. Desde a cena inicial, quando ele ainda faz o tipo playboy sarcastimante divertido, passando por seus momentos de prisioneiro, até quando ele passa a se tornar o super herói, seu personagem brilha. O ator conseguiu a medida certa para Tony Stark. Jeff Bridges também está bem, fazendo um vilão inicialmente ambíguo e até certo ponto misterioso, mas que no final fica um pouco canastrão, sem, contudo, ser caricato, o que já é bom. Gwyneth Paltrow faz da secretária de Stark uma personagem adorável, atraindo inclusive mais destaque para sua personagem do que o previsto. Ela e Downey Jr. possuem boa química em cena, e certamente o relacionamento de seus personagens será mais explorado nos próximos filmes.

 

Por fim, vale mencionar a qualidade enorme da trilha sonora do filme. Com vários riffs de rock no decorrer da película, impondo ritmo e empolgação às cenas, ainda temos músicas clássicas de bandas como AC/DC e Black Sabath. Aliás, quando começaram os créditos finais e entrou o clássico riff de “Iron Man”, quase todo o cinema estava empolgado na minha sessão. Ah, e por falar em créditos finais, recomendo a todos que ainda não assistiram, que fiquem até o final dos créditos, porque há uma cena que nos deixa com água na boca em relação à próxima continuação. Ao menos eu fiquei.

 

Então, “Homem de Ferro” é um filme que veio pra ficar. Excelente adaptação dos quadrinhos para o cinema, certamente haverá uma continuação, e a possível interação entre personagens da Marvel promete. Aliás, a julgar por este filme, primeiro da Marvel Studios como produtora, podemos esperar grandes adaptações da mesma para a sétima arte. Desejemos em coro: vida longa à Marvel Studios!

 

 

Nota: 8,0

Escrito por Bruno às 14h39
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A VIDA POR UM FIO

 

 

 

Surpresas e reviravoltas, coisas que há muito tempo atrás poderiam ser geniais, agora representam o banal, o recorrente e as vezes até o imbecil. Aliás, o uso excessivo de reviravoltas pelo cinema atual chega a embrulhar o estômago se imaginado em sua larga escala. “A vida por um fio” é um filme que se vale tão somente de reviravoltas, e absolutamente só isso. Não há uma qualidade que possa ser apontada além de você ser surpreendido com alguma reviravolta.

 

O filme parte de uma premissa nada razoável, até começar as primeiras reviravoltas, que vão sendo sucedidas por outras reviravoltas, aí é aplicada uma dose de ação para elevar os ânimos e a tensão (se você estiver se importando com o filme), depois alguns personagens vão assumindo formas estereotipadas, depois temos novas reviravoltas, e por fim temos um final que agrada o espectador (o que estava gostando de toda essa porcaria, claro).

 

Só para citar alguns fatos incômodos do filme, atenção SPOILER (se você não viu o filme e pretende vê-lo, não leia este parágrafo): quem é que escolhe um médico, o qual é apenas bom, para fazer seu transplante de coração, só porque é seu amigo, sendo que você tem a sua disposição o melhor cardiologista do país, que é inclusive o médico de vários presidentes? E, tá bom, a trama surpreende mesmo. Mas a troco de quê? No decorrer descobrimos que toda a equipe médica que fará o transplante, na verdade está planejando matar o rapaz, para dar um golpe financeiro. Calma aí, um médico decidir matar um paciente para se enriquecer (contrariando a moral e toda ética que qualquer profissional pode ter), eu até aceito que possa existir. Tem muito louco por aí, inclusive médico. Agora me dizer que um grupo inteiro de médicos decidiu isso? Tudo bem que pode ter um ou outro imbecil que planeje um golpe desses, mas uma equipe de cinco médicos?

 

O que me revolta é que a idéia inicial me agradou bastante. Se o filme investisse no tema da consciência anestésica do rapaz que está sendo operado, poderia até render bons frutos. Mas o que vemos são um monte de reviravoltas na trama, que surpreendem mesmo, mas que parecem apenas querer apresentar situações inesperadas, sem, contudo, resolvê-las.

 

Sobre as atuações, Hayden Christensen não convence muito como personagem principal, mas pelo menos não chega a comprometer. Jessica Alba começa bem, sua personagem lhe dá margem para atuar bem, mas à medida que ela (a personagem) vai ficando caricata, fica difícil exigir boa atuação da atriz. Terrence Howard faz mais o básico aqui, e quando é exigido para transmitir alguma emoção, infelizmente não convence. Eu gosto deste ator, mas dessa vez ele não agradou.

 

Enfim, “A vida por um fio” é o típico filme recomendado para quem quer ver uma trama cheia de reviravoltas, e não quer se importar com o conteúdo do filme. Se você não quiser pensar muito, for bastante curioso, um pouco ingênuo, indiferente em relação a estereótipos e clichês, talvez o filme lhe agrade. Veja bem, não quero ser desrespeitoso com ninguém, aceito opiniões diferentes e sei que gosto varia de cada um. Mas que esse filme é de uma penúria lamentável, isso não tem como eu não comentar.

 

 

Nota: 3,0



Escrito por Bruno às 18h05
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O ORFANATO

 

 

 

Não é a toa que no meu perfil (ao lado) coloquei “cinéfilo nas horas vagas”. Na verdade é a segunda vez que começo um texto com essa frase. Ocorre que, como todos podem ver, ando sumido tanto aqui quanto nos blogs dos amigos cinéfilos. É que têm épocas da vida que fico sem tempo, não me sobram as “horas vagas”, aí, infelizmente, não consigo exercer a minha paixão pelo cinema, muito menos escrever sobre os filmes. Estou, por uma série de circunstâncias, talvez na fase mais atarefada da minha vida, e a previsão é de que isso só vai acabar no final de junho, por isso peço a paciência e compreensão de todos. Mas vamos ao filme, prometo não mais aborrecê-los com esse assunto.

 

Confesso que, em face de algumas comparações que havia escutado sobre esta obra, bem como alguns comentários bem positivos, esperava um filme melhor. O que me chamou a atenção, e até impressionou, foi a direção. Juan Antonio Bayona conduz bem toda a película, consegue boas atuações de seu elenco, a edição das cenas e o uso da trilha sonora caem muito bem, mas é no roteiro que o filme não satisfaz. Não que seja ruim, pelo contrário, ele se revela inclusive correto, mas simplesmente não brilha, não encanta como deveria encantar. Pelo menos a impressão é que esse era seu objetivo (vide principalmente o final do filme).

 

Não sei o quanto Gilhermo Del Toro influenciou no filme, mas que dá pra sentir sua mão no decorrer da obra, isso me parece claro. O clima de terror que algumas cenas apresentam são realmente fantásticos, sem utilizar nenhum apelo macabro, nem nenhuma oriental do enorme cabelo preto liso (como os últimos filmes do gênero insistem em fazer).

 

Como já falei, o que faz o filme ser bom é a maneira como a história é conduzida e mostrada, e não a história em si. O que Bayona faz é criar um clima de tensão nas cenas, com uso variado da câmera (ora câmera movimentada, tremida e corrida, ora câmera bem cadenciada) casando muito bem as filmagens com a trilha sonora. Até a cena inicial (“um, dois, três... bate na parede”), tem um charme especial. Uma das cenas finais, que nos remete a essa cena inicial, é magnificamente conduzida também.

 

Todavia, não é porque o filme é formidavelmente conduzido que iremos esquecer seu conteúdo. A trama em si é boa, consegue até satisfazer, mas não cativa, não empolga. Inicialmente o filme até começa bem, mas depois começa a ficar morno (sobretudo do meio até o final), e tem um desfecho aquém da sua qualidade. As cenas finais possuem uma beleza sombria impressionante, mas a beleza não garante a qualidade do conteúdo.

 

Sobre as atuações, quero destacar três: Belén Rueda (Laura, a mãe) tem uma interpretação muito bela, precisa, na medida certa, sendo a melhor do filme e a que mais se destaca; Roger Príncep (Simon, o filho) que é um encanto quando aparece; e, por fim, a participação saudosa de Edgar Vivar, o conhecido Sr. Barriga de “Chaves”, que vive, aqui, um médium que ajuda Laura em sua situação. Apesar de vê-lo bem mais gordo que antes, foi realmente muito bom assisti-lo em um filme de qualidade. Tomara que surjam mais oportunidades pra ele.

 

Bom, é isso. “O Orfanato” é um filme dirigido com maestria, encanta pela forma como ele é conduzido e por como consegue aterrorizar, quase um “terror à moda antiga”. Porém possui uma trama apenas mediana, o que, sem dúvidas, enfraquece o conjunto da obra. Mas é sempre bom ver filmes de terror sem os típicos apelos que estamos vendo atualmente. Filme de terror, com elegância, é coisa rara nos dias de hoje.

 

 

Nota: 7,0

Escrito por Bruno às 13h17
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MEDO DA VERDADE

 

 

 

Primeiramente quero pedir desculpas por ficar mais de um mês sem escrever por aqui. Muitos foram os fatores, e nem vou me estender explicando, mas posso garantir que fiquei absolutamente sem tempo. Não me lembro qual foi a última vez que tinha visto tão poucos filmes num único mês (somente assisti quatro). Mas enfim, mesmo ainda sem tempo, resolvi me virar pra escrever por aqui, e espero voltar a fazê-lo regularmente.

 

Inédito nos cinemas, sendo lançado diretamente em dvd, “Medo da Verdade” é um excelente filme sobre a investigação do desaparecimento de uma garotinha. O que mais me impressiona é saber que Ben Afffleck é quem assina a direção, e o faz com soberba competência. Affleck também é co-responsável por um roteiro instigante, que meche com questões éticas difíceis, além de se desenvolver muito bem como um filme policial de ação e suspense.

 

Sem sombra de dúvidas, os atores também dão enorme qualidade à película, pois vermos Ed Harris, Morgan Freeman, Casey Affleck, Amy Ryan e Michelle Monaghan em ação é realmente bom. Aliás, os personagens destes atores são praticamente todos excelentes, pois nenhum é exatamente aquilo que aparenta no início, e quanto mais o filme se aprofunda, mais os personagens se revelam diferentemente do que aparentavam no início. Sobre as atuações, acho que merece destaque à parte Casey Affleck, cada vez melhor em cena, e Amy Ryan, que dá um verdadeiro show ao compor uma prostituta, que chega a ensejar raiva no espectador em determinados momentos.

 

Apesar de montar bem a trama, equilibrando bem ação com revelações, investigações e descobertas, é na questão ética que o filme mais se fortalece (como na execução de um psicopata, ou na decisão final do filme). Com efeito, no final da obra eu mesmo fiquei me perguntando: qual seria o mais correto? O que eu faria? Ainda que possa parecer absurdo fazer tais perguntas, se refletirmos bem sobre a situação, veremos que a questão é bem mais complexa do que aparenta. Eu, sinceramente, até agora não sei qual seria a melhor decisão. O que é correto, por lei, eu sei. Mas o que era mais correto pro caso concreto, confesso que até agora estou refletindo.

 

Enfim, fiquei agradavelmente surpreso com a direção de Ben Affleck, que nos presenteou com um filme mais profundo do que esperava. Além de ter belas atuações, boa ação, revelações e descobertas interessantes, o filme ainda nos estimula bastante a refletir. O final deste filme mexeu e está mexendo comigo até agora. Algo que poucos filmes conseguem.

 

 

Nota: 8,0

Escrito por Bruno às 16h20
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SENHORES DO CRIME

 

 

 

É interessante como um filme pode parecer simples em seu plano inicial, mas se revelar bastante profundo no seu conteúdo. Em “Senhores do Crime”, David Cronenberg nos mostra os bastidores da máfia russa, onde nem tudo é simples como aparenta no começo.

 

Desde as cenas iniciais, tudo o que nos é mostrado é de vital importância para compreendermos quem são os personagens que formam a história que nos é apresentada. Então o que pode parecer demorado ou desnecessário para trama, na verdade é sério, profundo e importante sim para entendermos quem são aquelas pessoas que ali, por algum motivo, estão. Assim, aos poucos, com a adição de cada informação, os personagens vão sendo revelados e suas complexidades também.

 

A trama é muito bem escrita e revela-se profunda no decorrer da obra, mas é na condução de Cronenberg que o filme se fortalece ainda mais. Primeiro é interessante perceber que é o segundo filme do referido cineasta em que o personagem principal é alguém que quer esconder quem ele realmente é. Aliás, em “Senhores do Crime”, mais de um personagem procura embaçar sua identidade, e Cronenberg sabe conduzir isso com maestria, revelando cada detalhe no momento mais propício. Coincidências não têm aqui, tudo é perspicazmente conexo.

 

Sobre as atuações, se alguém duvidava de Viggo Mortensen como ator, agora não deve mais duvidar. Talvez seja a melhor atuação de sua carreira, e ele está realmente muito inspirado. Sua indicação ao Oscar não foi à toa. Ainda temos Naomi Watts, bem em todas as cenas que protagoniza, Armin Mueller Stahl ótimo como o chefão russo, e Vicent Russel, que consegue esconder seu personagem dos olhos do pai, mas nas cenas em que está com Mortensen é que percebemos sua verdadeira natureza. Por falar nisso, Vicente Russel e Viggo Mortensen mostram uma ótima química, e a cena final entre os dois é esplendidamente bem interpretada.

 

Claro, falta ainda comentar a tão famosa cena na sauna. Para quem ainda não viu o filme, este parágrafo contem spoiler, então não leia. A cena de luta corporal chega a ser antológica pela realidade crua que aparenta. Neste momento, cessam os efeitos, cessam as músicas, e tudo o que vemos é uma luta real, e tudo o que ouvimos são gritos, gemidos e sons de socos e cortes. Dizer que esta cena brutal é genial me parece até pouco, tendo em vista que sua violência estética aliada adequadamente ao realismo do combate são coisas raras, muito raras, de se ver hoje em dia.

 

Então, David Cronenberg acertou a mão de novo, e após “Marcas da Violência”, nos traz um filme com personagens até mais profundos que aquele, conduzindo bem a narrativa do início ao fim, e promovendo novamente cenas violentamente impressionantes. Se o referido cineasta continuar produzindo obras nessa linha, garanto que seu nome entrará no rol dos melhores diretores do cinema mundial. O que, convenhamos, não é pouca coisa.

 

 

Nota: 8,0



Escrito por Bruno às 15h50
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OSCAR 2008

 

                

                            

 

Bom, o Oscar é hoje e começa daqui a poucas horas. Queria ter escrito esse texto antes, mas infelizmente não consegui. Tentarei falar pelo menos um pouquinho dos principais filmes, e apontar os favoritos e os meus preferidos, os quais nem sempre coincidem com os que acho favoritos, gosto sempre de frisar isso.

 

Sobre os cinco que concorrem na categoria de melhor filme, temos Onde os fracos não têm vez, Sangue Negro, Desejo e Reparação, Juno e Conduta de Risco. Onde os fracos não têm vez é um ótimo filme, muito bem escrito, conduzido e interpretado. Parece ser a bola da vez, e pode até ser o papa tudo do Oscar. Sangue Negro é outro grande trabalho, com a direção assinada por Paul Thomas Anderson. É o grande concorrente de Onde os fracos não têm vez, e é um daqueles filmes que quanto mais nos lembramos dele, mais parece que o filme é melhor. Desejo e Reparação é o filme que poderia até surpreender os citados favoritos, por ser uma bela obra, ter muito a cara de um filme que a Academia gosta de premiar, e ainda por ter sido fortalecido com a premiação do Globo de Ouro de melhor filme. É um filme bastante interessante, com boa carga dramática, com boas atuações, e tem um final até agradavelmente inesperado (ao menos pra mim foi). Me parece difícil ele conseguir desbancar os favoritos, mas eu não descartaria essa hipótese. Já Juno é um ótimo filme, muito inteligente, divertido, absolutamente encantador. Mas confesso que não tem cara de Oscar de forma alguma. Agora, que seria interessante vê-lo vencendo, isso seria. Por fim, temos Conduta de Risco como o quinto indicado. Filme interessante, bem feito e muito bem escrito (seu maior ponto forte). Eu diria que ele é o azarão, tem poucas chances, e se vencer será uma grande zebra.

 

Para não me estender muito (e dar tempo de escrever esse texto, hehe), vou direto para as minhas previsões, palpites e preferências: acredito que Onde os fracos não têm vez é a aposta mais acertada na categoria melhor filme, mas algo me diz que Sangue Negro irá levar a estatueta È uma aposta arriscada, mas como só quero escolher um, é o filme que aponto. Na categoria de diretor, vou ficar com Paul Thomas Anderson. Os irmãos Coen conduziram muito bem o filme deles, mas é em Sangue Negro que a mão de um diretor parece mais presente (e, me arrisco, eficiente). Mas também sou minoria, as grandes apostas apontam os irmãos Coen como vencedores. Na categoria de melhor ator, aposto minhas fichas em Daniel Day-Lewis, que está excelente em Sangue Negro. George Clooney e Johnny Depp o seguem de perto, e eu adoraria ver Johnny Depp vencendo, mas não sei se a Academia seria capaz de tirar o prêmio de Day-Lewis. Na categoria de melhor atriz, mais pelo forte buzz eu aposto na atriz Julie Christie, do filme Longe Dela. Infelizmente não pude conferir o filme. Ainda temos na parada Marion Cotillard, em Piaf - um hino ao amor, Cate Blanchett, por sua atuação em Elizabeth - A Era de Ouro, que está ótima como sempre, e, minha preferida, Ellen Page, por Juno. No meu longínquo mundo perfeito, Ellen Page levaria a estatueta. Em ator coadjuvante eu aposto todas as minhas fichas em Javier Bardem, por sua atuação em Onde os Fracos não tem vez. Ele está perfeito em cena, tem a melhor atuação do filme, por isso não é somente o ator que acho favorito, como também é que mais gostei atuando, dos que pude conferir. Em atriz coadjuvante, pelo buzz todo que já foi feito, eu aposto na vitória de Amy Ryan, por Medo da verdade. Quem sabe Cate Blanchett não estraga a festa aqui também, por sua atuação em Não estou lá. Na categoria de roteiro original, acho que Juno leva, por ter verdadeiramente um excelente roteiro. Agora, se o que determinasse a premiação fosse somente originalidade, o roteiro de Lars and the real girl ganharia fácil. Em roteiro adaptado, poderia parecer lógico apostar em Sangue Negro, já que o estou apontando como favorito nas outras categorias importantes. Mas minha aposta é para Onde os fracos não têm vez, que está igualmente tão bem escrito, e pelo menos essa premiação eles levariam (pode até ocorrer o contrário também, Onde os fracos não têm vez levando todas as outras, e Sangue Negro levando aqui). Por fim, aposto minhas em Ratatouille na categoria melhor filme de animação, fico com The Counterfeiters em melhor filme estrangeiro, e termino os palpites apostando em No end in sight na categoria de melhor documentário, mas seria lindo ver Michael Moore levantando a estatueta por SOS Saúde, o que acho pouco provável. É isso, esse ano minhas apostas foram mais arriscadas, talvez me arrependa por achar que Onde os fracos não têm vez não levará as principais categorias, mas algo me diz que Sangue Negro vai estragar a festa dos irmãos Coen. É esperar pra conferir.



Escrito por Bruno às 19h07
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4 FILMES, 1 POST

 

 

Bom, como estou gastando meu escasso tempo livre assistindo o máximo possível de filmes indicados ao Oscar, não está me sobrando muito tempo para escrever sobre os mesmos. Mas... para deixá-los a par de alguns dos filmes que assisti, resolvi escrever brevemente sobre quatro indicados que me chamaram a atenção.

 

Onde os fracos não têm vez: Filme dos irmãos Coen, diferente de tudo o que eles já fizeram na carreira. Ou igual. Afinal, todo o filme deles é um filme não-convencional. Aqui, o interessante é que o filme foca três personagens quase antagônicos. Enquanto o personagem de Tommy Lee Jones é aquele xerife cansado, que tenta de uma forma quase cadenciada impedir a série de crimes que está acontecendo, o personagem de Josh Brolin é aquele típico americano, com virtudes e defeitos, que se bate, quase sem querer, com uma oportunidade de melhorar sua vida. Já o personagem de Javier Bardem é um assassino ímpar, por ser capaz de matar um ser humano como se mata uma formiga, e ainda assim ter valores convincentes. Uma espécie de código de conduta. Todos os três atores estão ótimos, mas é Javier Bardem quem está perfeito em cena. Seus diálogos, seu rosto sem expressão de sentimentos, tudo o que ele faz cai como uma luva ao personagem. Enfim, o filme é seco, vai direto ao ponto sem ser apressado, é anticlímax por essência, e ainda assim consegue ter beleza. Tudo graças a um roteiro muito bem escrito, ao belo elenco que fortalece a obra, e a direção talentosa dos irmãos Coen. Nota: 8,0.

 

Elizabeth - A era de ouro: Filme interessante, que mostra uma época intrigante da história. Mas o melhor de tudo não é a trama do filme ou como se reconstroi a história, mas sim ver Cate Blanchett em ação. Suas atuações sempre trazem algo a mais para suas personagens, e mesmo quando achamos que ela está perfeita em uma cena, ela se supera logo na cena seguinte. Ainda temos um Clive Owen que não está no seu ápice, mas quando contracena com Cate Blanchett mostra porque é um ótimo ator. Quanto à história, à trama e aos momentos de ação e guerra, tudo é legal, mas nada de espetacular. É um bom filme, que possui uma atriz que cresce obra por obra no conceito de todos. O que já é mais que suficiente para dar uma conferida. Nota: 7,0.

 

Juno: Mais um exemplo de filme simples, sem grande orçamento, que quando bem escrito supera inúmeros blockbusters. Filme que começa simples até demais, mas que vai se revelando, ao seu modo, maduro e divertido. Mais bacana ainda é o filme conseguir fugir do clichê e dos personagens estereotipados. Ellen Page, que já havia esbanjado talento de sobra em “Meninamá.com”, faz de sua Juno uma personagem muito cativante. A garota de 16 anos, que aparentemente é sensurada por ser diferente das demais pessoas comuns, é uma mistura de inocência com maturidade, e isso fica bem claro na maneira como ela lida com sua gravidez. Bom humor, diálogos divertidos, e uma história inteligente fazem de “Juno” uma obra encantadora. Ainda contando com uma trilha sonora excelente, e com um desfecho muito agradável, é quase impossível não se encantar com o filme. Nota: 8,0.

 

$O$ Saúde: Talento para fazer documentários, Michael Moore já provou que tem de sobra. Aqui, ele vem nos mostrar o colapso do sistema de saúde dos EUA, onde somente quem tem dinheiro (muito dinheiro!) pode dormir sossegado ao refletir que um dia poderá estar em alguma emergência. Os planos de saúde não se interessam nem um pouco pela saúde dos seus clientes, o que importa é a maximização do lucro. Então qualquer cirurgia que for possível recusar, por qualquer brecha que houver, será negada. Moore, como sempre, convence muito bem como cineasta, e tem talento de sobra para usar seu sarcasmo típico para nos convencer da sua idéia. E as comparações com o sistema de saúde do Canadá, da França e da Inglaterra até chocam, tamanha a diferença na qualidade de atendimento. No final, cineasta ainda mostra o sistema de saúde de Cuba, um dos melhores, se não o melhor, de toda a América. Talvez aqui resida o seu ponto fraco. Na intenção de provocar mostrando que um "pobre país socialista" como Cuba, trata melhor os pacientes do que nos EUA, o centro da democracia, Moore muda o tom que vinha utilizando até então, e apesar de vermos as pessoas recebendo um tratamento adequado, as cenas ficam um tanto enfadonhas. Mas o filme vale muito a pena, principalmente porque além de ser bom cinema, de divertir, de denunciar, ainda causa uma baita reflexão. Nota: 8,0.

Escrito por Bruno às 15h16
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