TRAMA INTERNACIONAL 
Antes de escrever sobre este filme, preciso dar algumas explicações com relação ao meu mais recente sumiço: saiu o edital de um concurso que me interessa bastante, e a prova está marcada para o início de agosto. Por conta disso, tenho me dedicado bastante aos estudos, e os filmes estiveram em segundo plano nos últimos dias. Aliado a isso, meu computador ficou em manutenção por quase três semanas, só tinha acesso à internet no computador da biblioteca onde eu estudo, o que também inviabilizou a produção de textos para o blog. Mas quero aproveitar também para anunciar que há possibilidade de novidades no Cine No Pretensions. Ainda não sei dizer se será neste espaço ou noutro lugar (mais provável que não seja aqui), mas quando chegar a hora certa eu darei o recado. Enfim, vamos ao filme então? “Trama Internacional”, dirigido por Tom Tykwer, possui um probleminha que o compromete como um todo: cria uma trama sensacional, de proporções globais, mas que são tão globais, que chegam a complicar o seu próprio desfecho. Além disso, há um abandono injustificável de alguns personagens em sua reta final.
É verdade que a película consegue rapidamente cativar o espectador e transportá-lo para o seu universo com facilidade, contudo fica também a sensação que seus personagens principais poderiam ter sido melhor desenvolvidos. De fato, não se trabalha satisfatoriamente o motivo pelo qual o agente Louis Salinger, interpretado por Clive Owen, é tão obstinado em desmascarar um dos mais poderosos bancos do mundo, o IBBC. Todos que estão envolvidos no caso querem “derrubar” o aludido banco, mas Salinger parece ter uma motivação muito maior, a qual, contudo, pouco é desenvolvida. Já a personagem de Naomi Watts, Eleanor Whitman, além de ser um tanto quanto rasa em nuances psicológicas, inexplicavelmente é esquecida no ato final.
Quanto à crítica ao desfecho, é que fica a sensação que quiseram simplificar demais o final, divergindo bastante do que vinha sendo o resto do longa. As últimas reuniões das principais figuras do IBBC, o teor de tais reuniões, suas decisões, tudo fica mal explicado. Ainda, alguns personagens importantes são completamente descartados, como o advogado do Banco. Há ainda um furo grosseiro na derradeira cena (atenção, possível spoiler: quem é que não visualizaria uma terceira pessoa naquele telhado, já que não havia uma única barreira onde se pudesse esconder?). Porém, vale também o elogio pela opção adotada no desfecho da trama, em termos de realismo. Seria clichê e de mal gosto apresentar uma solução simplista, coma a apresentação de alguma prova inquestionável, a atuação da Justiça e o fim do Banco. O problema é bem mais complexo que um simples banco, que na verdade é apenas um fruto de todo um sistema, englobando vários setores das principais nações.
Na verdade, “Trama Internacional” é uma obra muito preocupada com sua trama, que a desenvolve num ritmo bom, cativando o espectador e garantindo bom entretenimento em sua maior parte, mas que esquece um pouco dos seus personagens principais, os quais terminam sendo rasos em termos psicológicos. Há ainda um desfecho aquém do que se vinha desenvolvendo, mas agrada a idéia realista e pouco ingênua deixada no final. Venhamos e convenhamos, não há herói que resolva um problema que é abraçado por quase todos aqueles que deveriam combatê-lo. É mais fácil conduzir uma vingança do que apresentar uma solução adequada para combater tamanha trama internacional, repleta de complexidade.
Nota: 6,5
Escrito por Bruno às 15h33
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ANJOS E DEMÔNIOS
“Anjos e Demônios”, nova adaptação de Ron Howard para as telonas do livro homônimo do escritor Dan Brown, é um entretenimento esperto e eficiente, que apresenta, porém, alguns defeitos que o enfraquece, sobretudo quando comparado à adaptação anterior “O Código da Vinci”. Não que “O Código da Vinci” seja um longa repleto apenas de qualidades, mas foi um longa que conseguiu criar uma trama de proporções gigantescas, em meio a investigações, grandes descobertas, e muita controvérsia religiosa, um dos grandes motivos de seu sucesso. Se fez jus ao livro que lhe deu origem é outra conversa, que não ocorrerá aqui, pois como sempre falo de adaptações, pra mim é incomparável um livro com um filme. São mundos distintos, um com um vasto leque de tempo e espaço para apresentar detalhes, outro com um curto tempo. A questão é que “Anjos e Demônios” já não apresenta uma trama tão fascinante assim, com proporções tão magníficas. Verdade seja dita, a trama cativa sim, mas não empolga tanto quanto poderia. E o pior, o filme, como quase toda adaptação, sofre do problema de curto tempo para contar sua história. Temos muitos detalhes num curto período de tempo. Basta uma piscada e uma distraída, e o espectador já perde detalhes importantes. Essa característica, na verdade, funciona como uma faca de dois gumes. Se por um lado há muita informação, sendo difícil de absorver tudo aquilo em tão pouco tempo, gerando pouca interação e conexão entre o público e a película, por outro essa mesma gama de informações impõe bastante ritmo, não deixando o espectador descansar e desgrudar os olhos da telona, o que cria uma sensação boa, pois duas horas e vinte minutos acabam parecendo menos de uma hora e meia no final da sessão. Contudo, o longa ainda apresenta outros problemas. Alguns personagens são subaproveitados e algumas atuações são completamente esquecíveis. A atriz Ayelet Zurer não parece muito à vontade com sua personagem. Tom Hanks é sempre um atrativo, mas pouco explora todo o seu talento. Ewan McGregor, sempre simpático e cativante, dessa vez não tem uma atuação de destaque, porém também não chega a comprometer. Mas, no final das contas, o conjunto da obra até que agrada. Mesmo com seus defeitos, “Anjos e Demônios” entretem e até contagia em alguns momentos. Em meio a uma trama ultra-acelerada, ainda temos curiosidades históricas e culturais que dão um charme a mais ao filme, o qual não aparenta ter sequer uma hora e meia das duas horas e vinte minutos que realmente possui. Se o que se procura é um mero entretenimento, então “Anjos e Demônios” pode até ser uma boa escolha.
Nota: 6,5
Escrito por Bruno às 00h41
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VICKY CRISTINA BARCELONA
Woody Allen é um cineasta com um estilo inconfundível. Seja fazendo filmes leves como “Scoop”, ou filmes mais pesados como “Match Point”, seu humor inteligente e sua visão amarga e pessimista da vida, de alguma forma, sempre estão presentes. Até nos seus filmes mais escrachados, como “Bananas”, sua inteligência humorística diferente e seu pessimismo podem ser detectados. “Vicky Cristina Barcelona” é mais um longa do mestre Woody que possui tais atributos, o que, todavia, não retira sua originalidade. As melhores obras do vasto currículo de Woody Allen são as relacionadas a relacionamentos amorosos. Meus dois filmes preferidos dele são “Annie Hall” e “Manhattan”. Sua visão dolorosa sobre os relacionamentos estão à flor da pele em “Vicky Cristina Barcelona”, quase na mesma intensidade que nos filmes citados anteriormente. Nenhum relacionamento é simples, nenhum casal tem perspectivas reais de plena felicidade e bom convívio. Em “Vicky Cristina Barcelona” todas as relações são complicadas. Vicky imagina que tem um futuro certo e sólido com seu noivo, até que uma noite muda a estabilidade de seu relacionamento. Cristina, quando pensa estar vivendo uma paixão mágica, descobre estar numa relação bem mais complexa do que esperava. Juan Antonio não consegue entrar numa nova relação sem ser afetado por sua ex-esposa Maria Elena. Judy sofre com a “morte” da paixão do seu casamento. Aliás, um dos grandes méritos de Woody é sua capacidade em saber aproveitar os personagens secundários de seus filmes. Enquanto muitas outras obras apresentam alguns personagens inicialmente para logo depois descartá-los no restante, Woody se esforça ao máximo para aproveitar tudo o que tem em mãos. O maior exemplo é Judy, personagem de Patricia Clarkson, que surge no começo do filme como se fosse uma personagem secundária “esquecível”, para depois reaparecer de maneira marcante. Outro ponto forte do filme é o seu elenco. Scarlett Johansson, a nova musa de Woody Allen, está encantadora como sempre, mas sua atuação não chama tanto a atenção como a de seus companheiros. Javier Bardem prova mais uma vez o grande ator que é, com uma atuação impecável. Penélope Cruz dá show com a melhor atuação do longa, conferindo à sua Maria Elena uma intensidade formidável. Ela rouba a cena quando aparece. Rebecca Hall, um doce, possui talvez a personagem mais intrigante, mais sofrível e que mais oferece nuances, e não faz feio, nos oferecendo uma atuação à altura de sua personagem. Pra mim, foi uma agradável surpresa. Ainda temos uma competente Patricia Clarkson completando o elenco. Agora, outro aspecto a se comentar, é que todo o pessimismo e toda a complexidade que Woody confere aos relacionamentos de seus personagens são adocicados por seu humor debochado. Seus diálogos inteligentes e as situações cômicas e irônicas criadas na película, registradas por uma câmera simples e leve, sem nenhuma pirotecnia, garantem um clima cômico em quase toda a obra, equilibrando bem os romances, os dramas e o humor. Enfim, parece que os novos ares estão fazendo bem a Woody Allen. Depois que saiu de Nova York, sua filmografia ganhou novo fôlego. “Vicky Cristina Barcelona” é mais uma das suas obras características, somando mais um bom filme em sua consistente carreira.
Nota: 7,5
Escrito por Bruno às 01h02
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X-MEN ORIGENS: WOLVERINE
Crucifiquem-me se quiserem, mas venho escrever mais coisas boas sobre “X-Men Origens: Wolverine” do que ruins. Talvez tenha sido a minha ida despretensiosa ao cinema, sem esperar por um grande filme, que tenha ajudado para que eu apreciasse tanto o longa, já que havia lido vários textos na internet que me deram uma perspectiva um tanto quanto pessimista. Mas a verdade é que este filme surpreende. É público e notório que uma das histórias oriundas dos quadrinhos mais complicadas de se contar é a do Wolverine. De fato, sua história é tão complicada e complexa, e já sofreu tantas reviravoltas, que até os maiores fãs do personagem costumam se confundir. Para se ter uma idéia, Wolverine surgiu pela primeira vez numa revista do Incrível Hulk, pra somente depois ser incorporado nos gibis dos X-Mens. Seu passado, no próprio gibi, é bastante nebuloso. Aliás, mesmo sendo construído após décadas de inúmeras tiragens de revistinhas, ainda ficam muitas dúvidas sobre seu passado. Não se sabe tudo sobre sua juventude, e muito se discute acerca de alguns “fatos” sobre seu passado, pois nosso herói foi vítima de implantes de memória pelos militares, e muitos acontecimentos que ele se lembra não se sabe se são provenientes de um passado real e vivido, ou de um passado implantado e imaginário. Desta forma, não dava para esperar uma rígida fidelidade histórica, pois certamente não haveria tempo hábil para contá-la. O que acontece é uma necessária manipulação de personagens, com mudanças de funções de alguns, deslocamento temporal de outros, biografia de alguns alterada, dentre outras coisas. Não que a franquia X-Men não tivesse feito um pouco isso antes, como no terceiro da franquia, mas certamente nada se compara à mutação histórica e funcional feita aqui. Há, ainda, um imenso sub-aproveitamento de algumas fases da vida de Logan, como no período em que fugiu do laboratório, após ter o adamantium inserido em seu esqueleto. Nos gibis, ele viveu durante muito tempo como um animal nas florestas canadenses, sem memória, agressivo e agindo praticamente só por instinto, até ser acolhido pelo casal Hudson, que o ajuda a reaprender a ser sociável. No filme, isso é completamente ignorado e da fuga do laboratório até o encontro com o casal não demora poucos minutos, ainda que isso seja eficiente para amarrar melhor o roteiro. Mas tudo isso, todas essas alterações, como já foi dito, é compreensível e justificável. É inegável, também, que, apesar de tantas alterações, a história de Logan conseguiu ser transportada para a telona com alguma lógica e coerência. Claro que um personagem como ele, sombrio e denso, merecia uma visão mais forte e profunda (algo como o feito em “Dark Knight”), com detalhes mais ricos, e com menos cenas de ação. Mas venhamos e convenhamos, pra retratar satisfatoriamente o personagem seria necessário no mínimo uma série com umas três temporadas. Não me parece que foi o objetivo do longa. Aqui, o que se almejou foi montar um surgimento para o Wolverine, explorar alguns pontos de sua origem, abusar de cenas de combates, e faturar muito, mas muito dinheiro nas bilheterias. Aliás, é por isso que não critico a escolha do diretor Gavin Hood para o longa. É verdade que o enfoque nas cenas de ação é demasiado, e se trocassem algumas cenas de adrenalina por outras com carga mais dramática, o longa poderia ser muito melhor. Mas também é verdade que Gavin Hood conseguiu unir todas as pontas do roteiro bem amarrado que tinha em mãos, aliando o desenvolvimento da história do mutante com muitas cenas de ação, algumas com bom uso da criatividade, como no último combate entre Wolverine, Dente-de-Sabre e Deadpool. Se a proposta era mesmo essa, ele conseguiu fazer o “feijão com arroz” direitinho. Apesar de pouco aproveitar vários personagens, como o Gambit (finalmente ele apareceu!), vivido por Taylor Kitsch, há espaço para atuações a serem destacadas. Liev Schreiber faz de seu Dente-de-Sabre, o arqui-rival, de Wolverine, um personagem forte e complexo, sendo um acerto inquestionável. Danny Houston faz um excelente Coronel William Stryker, que tanto é importante nos gibis dos X-Mens. Ryan Reynolds, no pouco que aparece, agrada com seu Wade (e posteriormente Deadpool). Dominic Monoghan também não tem muito tempo em cena, mas é cativante quando aparece. Por fim, temos um Hugh Jackman muito a vontade em seu papel, conferindo o tom certo ao seu Wolverine, como aliás já havia feitos nos filmes anteriores. Por último, vale comentar também sobre a cópia que vazou do longa na internet, o que certamente deve ter prejudicado sua bilheteria nos cinemas. Tenho que ressaltar que a cópia que vazou do filme é um “workprint”, que é, a grosso modo, como se fosse uma versão sem ter sido completamente editada, sem os efeitos especiais inseridos. Faço questão de enfatizar isso porque vi muita gente criticando “X-Men Origens: Wolverine” principalmente por conta dos efeitos especiais, mas sem ter a consciência de que estava vendo uma versão “workprint” do longa. Eu, particularmente, gostei da grande maioria dos efeitos especiais e recomendo que quem assistiu essa versão da internet vá ao cinema conferir a versão final. Vale a pena.
Nota: 7,5
Escrito por Bruno às 23h50
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MILK - A VOZ DA IGUALDADE
Saindo da linha autoral que vinha assumindo em suas últimas obras, Gus Van Sant nos traz este excelente filme biográfico, que conta a história de Harvey Milk, primeiro homossexual assumido a ser eleito em algum cargo político nos Estados Unidos. O grande mérito de “Milk - A voz da Igualdade” é sua sensibilidade em contar a história de um árduo defensor da causa homossexual. A chance de se tornar uma obra panfletária era grande, mas Gus Van Sant, com a ajuda de um excelente roteiro, conseguiu conduzir a história que tinha em mãos com maestria, dosando na medida certa o seu posicionamento e a defesa de seus ideais com o desenvolvimento de sua trama. Pode parecer que isso é uma tarefa fácil, mas não é. A história de Harvey Milk nas mãos de outro cineasta poderia facilmente resultar num longa fervoroso, que muito critica e muito denuncia, mas que pouco conta sobre a intimidade de seus personagens. Felizmente não foi o que ocorreu nas mãos de Gus Van Sant. Aliás, “Milk - A voz da Igualdade”, além de ser um filme com uma mensagem importante, que provoca muita reflexão, é um filme de ricos personagens. Sean Penn caracteriza seu personagem, Harvey Milk, com uma perfeição inquestionável (o Oscar realmente foi merecido), sabendo trazer à baila toda a coragem, fragilidade, doçura e humanidade de Milk. Seu personagem é contagiante e cativante, como Milk efetivamente parecia ser na vida real. Josh Brolin, em grande fase, é outro estupendo em cena, conseguindo conferir a seu Dan White uma inesperada humanidade intrigante. Talvez este seja o personagem mais complexo da película, sempre imprevisível. James Franco também possui um personagem intrigante, mais simples é verdade, mas que possui a sua devida importância. James Franco acertou em conferir simplicidade a seu Scott Smith, talvez o namorado de maior importância na vida de Milk. Por fim, os personagens de Emile Hirsch (excelente, possivelmente na melhor atuação de sua carreira) e Diego Luna são bastante intriguistas, mas me pareceu que poderiam ter sido mais trabalhados. Tenho certeza que uma incursão mais ampla no personagem de Luna cairia muito bem. Talvez tenha faltado tempo. Sobre a vida de Milk e sua árdua batalha, é gratificante reconhecer que muita coisa melhorou de lá pra cá, e que ele foi um dos responsáveis por essas mudanças em seu país. Afinal, conseguir barrar a tal da “proposition 06”, uma aberração legal, foi um marco. Reunir inúmeros homossexuais para lutarem por sua causa, para se manifestarem contra toda opressão e todo o preconceito que sofriam, foi espetacular. Aliás, uma pena constatar que as paradas do orgulho gay, ainda que gerem algum debate quando ocorrem, não mais possuem o intuito de luta e reivindicação de direitos como antes, servindo atualmente, pelo menos aqui no Brasil, mais como uma micareta do que como uma forma de manifestação contra o preconceito. Mas não nos enganemos, muita coisa melhorou de lá pra cá, em todos os países, mas muita coisa ainda precisa melhorar. Em nosso país, por exemplo, ainda existe muito preconceito na esfera profissional, no mundo da política, e muitos temas importantes, como a adoção por casais homossexuais, ainda não foram legalizados. Certamente esses são problemas vividos por muitos outros países também. Enfim, “Milk - A voz da Igualdade” é um filme que passa a mensagem importante que foi a vida de Harvey Milk: todas as minorias oprimidas, e não só os homossexuais, devem lutar e se manifestar contra toda forma de opressão e preconceito. Porém “Milk - A voz da Igualdade”, além de ser uma mensagem apaixonada e um registro em forma de película, é também um filme com uma trama muito bem conduzida, ainda que já conhecida por muitos, e que possui grandes personagens. Sem o subjetivismo característico de seus últimos filmes, Gus Van Sant produziu uma bela obra, recheada de boas atuações, que merecia ter ficado mais tempo em cartaz nos cinemas brasileiros. Pelo menos aqui em Salvador quase não ficou, estando em cartaz atualmente apenas no circuito alternativo daqui (Circuito Sala de Arte). Ainda bem que existem os cinemas alternativos.
Nota: 8,0
Escrito por Bruno às 11h20
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MEME LITERÁRIO E NOVIDADES
O blogueiro Wallace, do Crônicas Cinéfilas, me passou este meme literário, que possui as seguintes regras:
1) Agarrar o livro mais próximo; 2) Abrir na página 161; 3) Procurar a quinta frase completa; 4) Colocar a frase no blog; 5) Repassar para cinco pessoas;
Então, antes deixem-me dar algumas explicações. O último livro literário que li, há um ano e meio atrás, foi "Ponto de Impacto", do Dan Brown, e acho que seria injusto utilizá-lo aqui. É que, de uns tempos pra cá, todo o tempo que tenho para fazer alguma leitura é dedicado à leitura de livros jurídicos. Estudo diariamente de quatro a seis horas, e realmente isso corta a vontade de ler outros livros. Enquanto não vier a aprovação em um concurso que me apeteça, não me vejo lendo um livro literário. Credo, espero não parecer um alienado falando isso, mas infelizmente é assim que as coisas estão atualmente. Enfim, o livro mais próximo é o "Manual de Processo Penal e Execução Penal", de Guilherme de Souza Nucci, e a frase é:
"Enfim, embora a Constituição tenha aberto a oportunidade de se prever a amplitude da identificação criminal, mencionando que isso se daria ´nas hipóteses previstas em lei´, houve um lapso de doze anos para que, finalmente, a lei fosse editada".
Agora passo este meme literário para os seguintes blogueiros:
Vinícius (Blog Cinefilia) André Renato (Sombras Elétricas) Carranca (Cine Carranca) Ronald Perrone (Dementia 13) Pips (Última Sessão)
Venho aproveitar também para avisar que agora, nas minhas estimativas (quem não conhece é só clicar neste link ao lado), estou colocando os nomes dos diretores dos respectivos filmes assistidos. Está sendo cada vez mais comum um nome traduzido aqui no Brasil equivaler a dois ou até três filmes diferentes, então pra facilitar a indentificação, todo o filme terá agora o nome do respectivo diretor ao lado, seguido da respectiva avaliação.
Edit de última hora: vocês devem ter percebido que o contador aqui do blog anda dando problema. Ainda não descobri o porquê, já que hora funciona, hora não. Talvez eu tente colocar outro contador, mas se o problema não for resolvido, talvez eu venha a mudar de endereço (blog hospedeiro) num futuro não tão distante.
Escrito por Bruno às 23h51
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GRAN TORINO
Desculpem-me pelo desabafo, mas ando cansado de ler alguns textos na internet. Detesto o estilo “oito ou oitenta” de ser. Ultimamente o que tem chovido de textos sobre o cinema autoral e suas maravilhas já está “dando no saco”, com o perdão da expressão. Critica-se muito Hollywood e sua fome por filmes comerciais, e acusa-se o público, de um modo geral, de apenas valorizar estes filmes. Mas seria esse um discurso que reflete a verdade, ou seria um manifesto exagerado de algumas pessoas que anseiam pela adoção de um discurso pró-cinema-independente? O público só valoriza filmes essencialmente hollywoodianos? E, afinal, o que isso tem a ver com “Gran Torino”? Analisando a filmografia de Clint Eastwood como diretor, é fácil concluir que ele possui um estilo não convencional no comando de seus filmes. Até quando faz filmes com uma estrutura mais comercial, Clint consegue torná-los menos convencionais que o esperado. É o que ele fez com “Gran Torino”. Verdade seja dita, estamos diante de um filme que se utiliza de vários clichês (velho militar, mal humorado e amargo, se aproxima de pessoas pelas quais tinha preconceitos; adolescente que se torna uma pessoa melhor com a ajuda de um mentor...), mas que no conjunto da obra conferem ao todo um tom longe do lugar-comum que se espera de filmes formuláicos. Aliás, pelo contrário, até no quesito estético Clint sabe dar um enfoque diferente à sua película, o que por si só, já afasta sua obra do caráter hollywoodiano que poderia assumir. Deste enfoque, temos cenas belas, como quando o personagem de Clint tem um acesso de raiva e pouco depois está sentado, com as duas mãos sangrando, fumando enquanto arquiteta o que deverá fazer. Por falar no personagem principal, o enfoque dado a ele também beira um provável clichê, mas nunca realmente o é, pois Clint consegue construir seu personagem com a maestria devida, tramitando na linha tênue do estereótipo, sem nunca ser apenas comum. De fato, seu personagem, apesar de caricato (num sentido não pejorativo), é extremamente denso. Seu mal humor constante, suas ironias desenvoltas e seu estilo durão refletem um possível passado nebuloso, que lhe conferiu fardos pesados para carregar por toda a vida. É o personagem que mais nos causa reflexões. É o personagem que mais nos cativa e causa simpatia. E é o personagem que mais apresenta fórmulas em sua construção. E eu não poderia deixar de comentar sobre o final do longa. Se durante a película temos a impressão de estarmos diante de alguns conceitos comuns, o desfecho nos garante que estamos equivocados. É o tipo de “reviravolta” inteligente. Uma solução inesperada, feita com elegância e muito feeling, arredondando as arestas do filme, permitindo um final paradoxal (triste, mas feliz), que agrada muito. Mas, retornando às questões inicialmente levantadas, “Gran Torino” agrada justamente por não ser “oito nem oitenta”. Pegou-se algo convencional, mesclou-se com alguns conceitos não convencionais, e esculpiu-se uma obra equilibrada. Dessa forma, não dá pra afirmar que “Gran Torino” é um típico filme hollywoodiano, não é mesmo? E, ainda assim, vem tendo amplo reconhecimento do público, basta ver sua atual nota no site imdb. Aliás, recentemente, inúmeros longas bem mais alternativos vêm sendo recebidos de braços abertos pelo público. O que quero falar com tudo isso, ainda que aqui não seja o melhor lugar para dizê-lo, é que não acho que o público médio só valoriza filmes comerciais, tampouco creio que todo filme não-convencional ou autoral deva ser valorizado. O que me parece ser verdade é que há público suficiente para qualquer tipo de filme. Não tem porque ficar criticando o público e fazendo discursos inflamados em defesa do cinema independente. Isso cansa. Nota: 7,5
Escrito por Bruno às 13h06
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PARANOID PARK
Não tem jeito, Gus Van Sant mudou completamente depois de “Gerry”. De cineasta que fazia obras hollywoodianas, fase que nos presenteou com “Gênio Indomável”, passou para cineasta autoral, com filmes cada vez mais alternativos e peculiares. Deste momento recente de sua carreira, saiu o excepcional “Elefante”, possivelmente sua melhor obra. “Paranoid Park” é mais um filme dessa nova safra. A despreocupação que Gus Van Sant desenvolveu em fazer uma película que agrade um público mais abrangente, está lhe permitindo que mergulhe a fundo numa filmografia bastante autoral. “Paranoid Park” até sofre um pouco com isso, pois em alguns momentos aparenta ser mais uma continuação dessa nova fase do referido cineasta, do que uma tentativa de ser uma grande obra. Talvez esse seja o único defeito do filme inteiro, mas que incomoda, pois é perceptível do início ao fim. Por outro lado, “Paranoid Park” tem outras tantas qualidades para compensar. A trama, em si, é ótima, pois Gus Van Sant, trabalhando novamente com o universo adolescente, não se preocupou em passar lições de moral, nem a refletir visões estereotipadas de adolescentes. Temos um protagonista (atenção, possível spoiler) que tem que lidar com um assassinato acidental, que de uma certa forma o atormenta. Sobre este aspecto, a narrativa não linear se revela extremamente útil e funcional para a trama. E que ninguém espere reflexões e diálogos didáticos, o que não condiz com a proposta do longa. Além disso, alguns plano-sequências são memoráveis. A fotografia também é um acerto. As cenas de skates, filmadas na maior parte em câmera lenta, se adequam bem à proposta, já que o skate parece ser o que mais interessa ao protagonista. Mas é inegável que tais cenas dão um tom intencional de discurso artístico à película. Por fim, temos uma trilha sonora eclética e um tanto quanto complexa, que é simplesmente formidável. Em verdade, “Paranoid Park” é um belo filme, confirmando o atual estilo, cada vez mais autoral, de Gus Van Sant, que como diretor pouco procura interferir em suas histórias. Porém, aparenta também ser apenas mais uma obra de sua nova filmografia, como se o objetivo fosse apenas reafirmar a sua atual fase alternativa. A impressão final é que, com um pouco mais de ambição, “Paranoid Park” poderia ter alcançado vôos maiores, sobretudo quando pensamos no desfecho da trama. Talvez “Milk”, último filme do referido diretor, que conferiu a Sean Penn o Oscar 2009 de melhor ator, tenha esse tipo de ambição. É o próximo da lista a ser conferido. Nota: 7,5
Escrito por Bruno às 11h02
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ÚLTIMOS FILMES ASSISTIDOS Pela primeira vez, desde que criei este blog, não escrevi uma prévia do Oscar antes da cerimônia. E é a primeira vez, também, nos últimos cinco anos, que não assisti os cinco filmes indicados à categoria de melhor filme. Reflexo purinho dos meus estudos, e das restrições que eles me impõem. Mas pra tentar compensar, resolvi fazer um post único, com textos um pouco mais curtos, sobre os últimos filmes que assisti. São eles: Frost/Nixon: muito interessante a nova incursão de Ron Howard, com excelentes interpretações de Frank Langella e Michael Sheen. A grande qualidade do longa é refletir com muito realismo e detalhe um dos debates mais famosos da história da televisão, ocorrido em 1977, entre o jornalista e apresentador David Frost e o ex-presidente norte-americano Richard Nixon. O filme retrata bem os bastidores dessa entrevista, mas sua melhor qualidade é conseguir se sustentar, do meio pro fim, apenas nos diálogos de seus protagonistas. O único problema, aqui, é a falta daquele “algo mais” que o filme ora aponta querer atingir, mas nunca consegue. Nota: 7,5
Quem quer ser um milionário?: longe, mas muito longe de ser uma obra-prima, como andou se falando por aí, e longe de ser um filme extremamente inovador, ou um marco no cinema, o grande ganhador do Oscar (oito estatuetas) foi o filme certo, no momento certo. É um filme que trabalha uma fábula urbana de modo muito original. Em tempos em que o cinema aponta para um lado mais pessimista, e que o mundo vive projeções mais pessimistas ainda, sobretudo em razão da crise atual, um filme que fomenta a esperança nos espectadores é muito bem vindo, e a Academia soube aproveitar isso. Além disso, o longa possui grandes virtudes, como sua eficiente montagem (trabalha com maestria os flashbacks), a tensão que consegue criar nas principais cenas, além de trabalhar muito bem uma genuína história de amor. Danny Boyle, diretor que sempre me agradou, teve seu talento reconhecido, através de todas as premiações recebidas, nesta que não é a sua melhor obra. Confirmou, ainda, que é mesmo um dos diretores mais versáteis da atualidade. Nota: 7,5
Operação Valquíria: a grande virtude do novo longa de Brian Singer, estrelado por Tom Cruise, é saber criar suspense e tensão em cima de uma história que todos nós sabemos como terminou. Claro que muitos (e eu me incluo nesse grupo) não sabiam de alguns detalhes contados no filme, mas o grosso da história (Hitler não foi assassinado, e aqui creio não estar revelando nenhum segredo) todos conhecem. O elenco é outro ponto forte: somente para citar alguns, Tom Cruise está excelente, Bill Nighy (irregular ultimamente) também, assim como Tom Wilkinson, este sempre no ponto. Apesar de não ser formidável em momento algum, “Operação Valquíria” funciona bem em sua proposta, sendo difícil imaginar alguém saindo insatisfeito depois de assisti-lo. Nota: 7,0
Escrito por Bruno às 01h20
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O LUTADOR
Existem poucos filmes que conseguem se sustentar basicamente com a atuação de uma só pessoa, e “O Lutador”, filme mais novo de Darren Aronofsky, é um deles. Claro que isso se deve ao brilhante desempenho de Mickey Rourke, e falar isso já está sendo chover no molhado. Todavia, o que também deve ser enaltecido é o belo roteiro de Robert D. Siegel e a direção simples, e por isso perfeita, de Aronofsky. É verdade que existem algumas semelhanças entre Mickey Rourke e seu personagem Randy “The Ram”, o que deve ter ajudado que sua interpretação ficasse tão formidável. Efetivamente ambos são o resultado, de uma certa forma indesejado, de suas escolhas equivocadas, e isso fica claro tanto quando analisamos a carreira de Rourke como quando presenciamos a emotiva conversa de reconciliação de Randy com sua filha. Contudo, à despeito de tais semelhanças, a composição do personagem impressiona por outros atributos. Rourke é verdadeiramente um monstro nessa película, por conseguir transpor com maestria toda a complexidade dramática de Randy. Suas expressões faciais impressionam, seu tom de voz não tinha como ser mais adequado, enfim, tudo está excelente. Além disso, o roteiro de Robert D. Siegel também é digno de elogios. Impressiona a complexidade que ele conseguiu criar na proposta que, supostamente, seria simples (sujeito que optou por abrir mão de tudo em sua vida em prol de se dedicar a sua profissão, e agora busca um recomeço). A construção de Randy “The Ram” é ótima, garantindo espaço para vermos a doçura por trás do personagem, suas inconseqüências, e o resultado de suas escolhas. Randy é um sujeito sozinho, que viveu apenas em prol de proporcionar entretenimento ao seu público (que o ama), e agora decidi buscar um recomeço. Contudo, na vida nada é simples. Randy procura um possível relacionamento com Cassidy, a stripper interpretada muito bem por Marisa Tomei, tenta se reaproximar de sua filha, e se esforça para arrumar outro emprego, mas não é a toa que ele chegou ao estado que chegou. Randy é a conseqüência triste de suas escolhas: “O único lugar onde meu coração sai machucado é lá fora. O mundo não se importa comigo. Sabe, quando se vive uma vida dura e se joga duro, e você queima sua vela dos dois lados, paga-se o preço por isso.” Darren Aronofsky, por sua vez, acertou ao optar por uma direção mais simples. Aronofsky costuma ser bem estiloso, o que me agrada bastante (e, ao mesmo tempo, desagrada muitos), mas ele acertou em mudar seu estilo neste longa, pois tudo o que Mickey Rourke precisava era de uma câmera atrás dele, e só. Por vezes a filmagem chega a assumir um tom documental. Desta vez, as opções estéticas de Aronosfky, suas cenas detalhadamente acabadas e sua edição moderna, dão lugar à uma câmera passiva, que simplesmente está ali para registrar a atuação poderosa de Rourke. Quanto ao reconhecimento de sua qualidade, “O Lutador” recebeu apenas duas indicações ao Oscar, nas categorias de melhor ator (Mickey Rourke) e melhor atriz coadjuvante (Marisa Tomei). Faltou, no mínimo, uma indicação para melhor filme. E eu ainda não vi o trabalho de Sean Penn, principal concorrente de Rourke, mas digo que se o prêmio for para este último, será extremamente merecido. Afinal, não é todo dia que vemos um único ator sustentar um brilhante filme em sua inteireza. É sempre bom testemunhar a complexidade que se pode extrair da simplicidade. Nota: 8,5
Escrito por Bruno às 00h25
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O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
Se David Fincher foi elogiado pela maturidade que revelou em seu último longa, “Zodíaco”, agora, com seu recente “O Curioso Caso de Benjamin Button”, ele sacramentou de vez que vive uma nova fase. Não que estes últimos filmes se pareçam, nada disso, mas certamente divergem de tudo aquilo que Fincher vinha produzindo até então, comprovando sua versatilidade e talento. Em “O Curioso Caso de Benjamin Button”, temos a interessantíssima história de um sujeito que nasce como se velho fosse, e ao longo dos anos rejuvenesce, enquanto todos a sua volta envelhecem. O motivo de se elogiar Fincher é a forma como ele desenvolve sua obra. Claramente caberia uma exploração tendendo para o fantástico (conseguem imaginar Tim Burton com esse roteiro?), mas Fincher opta por uma condução simples, limitando-se a desenvolver seu filme sob a ótica passiva de seu principal personagem, que desde o início assume uma postura tão paciente e tranquila com sua condição, que, em certos momentos, quase esquecemos que estamos diante de um sujeito extraordinário. Mas eu diria que uma das grandes qualidades deste filme é o seu poder de causar reflexão. Pelo menos pra mim, foi inevitável pensar em questões relacionadas a relacionamentos, amor, passagens de tempo, decepções, morte, enfim, acabou sendo um daqueles raros filmes que me deixam refletindo bastante após o seu término. Não sei, mas é que o longa explora bem a questão da importância de viver intensamente os momentos bons que a vida proporciona, além de deixar também aquela confortável mensagem de que “há males que vem para o bem”. E, engraçado, no final fiquei com uma estranha sensação de tristeza, muito difícil de explicá-la com palavras, mas não chegou a ser algo ruim, apenas triste. Nos quesitos técnicos, o filme é um primor. A maquiagem, o figurino, a fotografia, que é belíssima, o cenário, enfim, todo o visual do longa é impecável. E é incrível como conseguiram criar diferentes corpos para Benjamin Button de forma tão funcional. O melhor de tudo, é que isso é um ingrediente a mais no todo que é o filme, e não o seu atrativo principal, o que nas mãos de outros cineastas poderia não ter acontecido. Além disso, ainda temos excelentes atuações. O elenco coadjuvante está ótimo, e Brad Pitt e Cate Blanchett estão em plena sintonia. Cate Blanchett sabe administrar formidavelmente a evolução da maturidade de sua personagem, enquanto que Brad Pitt se entrega por completo ao seu personagem, cativando o espectador desde suas primeiras aparições, sendo justa sua indicação ao Oscar de melhor ator. A vitória já é outro assunto, não me parece que essa é uma interpretação impactante o suficiente para levar o prêmio, sobretudo quando se tem na concorrência a tão badalada atuação de Mickey Rourke, pelo filme “O Lutador”. Falando em Oscar, “O Curioso Caso de Benjamin Button” recebeu treze indicações este ano. Acredito que deva levar a maioria nos quesitos técnicos, mas nos principais ainda é cedo para me manifestar, não assisti os outros. Por todo o buzz que está rolando, e pelas comparações, de uma certa forma negativa para o filme, que estão fazendo com “Forrest Gump”, suspeito que ele não terá força suficiente para ser o grande vencedor da festa. Mas seja como for, é muito bom constatar que David Fincher vem galgando um espaço entre os grandes cineastas do momento. Se continuar mostrando versatilidade e talento assim, talvez ganhar um Oscar de melhor diretor, por exemplo, seja uma questão de tempo.
Nota: 8,0
Escrito por Bruno às 23h22
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DEZ FILMES NOTA DEZ Bom, estou meio receioso de escrever este texto e soar arrogante, mas vamos lá. Recentemente uma amiga veio me dizer que sou muito rígido nas minhas notas, que nunca dou notas muito altas, e que nunca me viu dando uma nota dez. Na verdade não é bem assim, quem acompanha este blog sabe que, por exemplo, já dei a nota máxima para "Os Infiltrados", aqui mesmo, na época em que escrevi sobre ele.
A questão é que eu sou contra a vulgarização da nota dez, somente isso. Faço uma analogia, guardando obviamente as devidas proporções, com o tão usado "eu te amo". Certamente, quase todo mundo já esteve com uma pessoa que gostasse demais dela, mas não ao ponto de amá-la. Isso é mais comum do que se pensa. E não é porque gostamos muito, que chegamos ao ponto de dizer que amamos aquela pessoa. Tem que ser algo de coração, não é? Da mesma forma, guardando as devidas proporções, ocorre com os filmes. As vezes eu gosto bastante de um longa, mas não ao ponto de dizer que ele é digno de nota dez. Se eu vulgarizasse as minhas estimativas, e saísse dando nota dez pra várias obras, como alguém distinguiria uma obra maravilhosa e impecável de uma somente excelente?
Eu sei que posso ser chato em alguns momentos por causa dessas notas, mas em compensação quando alguém vê uma nota alta por aqui, mesmo que não seja a nota maior, tem a certeza de que o filme me agradou bastante.
Enfim, provando que nem sou tão chato assim, e que tem muitos filmes que, pra mim, merecem nota dez, resolvi listar dez filmes que dou nota máxima com louvor. Escolhi dez filmes primeiro pra facilitar minha vida e não ter que pensar muito, segundo pela questão publicitária do título, hehehe. Não são os dez que mais gosto, nem estão necessariamente em ordem de preferência, são simplesmente dez filmes que merecem nota dez:
- Forrest Gump
- Um Sonho de Liberdade
- Pulp Fiction
- Os Bons Companheiros
- O Poderoso Chefão
- Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas
- Coração Valente
- O Iluminado
- Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
- Oldboy
PS: tentei listar filmes conhecidos por todos, de gêneros diferentes, de diretores distintos, de diversos estilos de filmagem, no intuito de comprovar que qualquer tipo de filme, se bem feito, tem potencial pra receber nota dez deste cinéfilo que vos escreve.
Escrito por Bruno às 01h22
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EXPLICAÇÕES, PREVISÕES E INDICAÇÕES Bom, há um tempo atrás andei dizendo nos blogs dos amigos cinéfilos que a partir de janeiro de 2009 eu voltaria a ter mais tempo livre, que voltaria a me dedicar mais ao blog, etc, etc, etc. Ocorre que, utilizando da frase mais clichê possível, "a vida é uma caixinha de surpresas". Eu achava que ficaria menos aterefado, já que me formei no final do ano passado em Direito, e, teoricamente, não teria mais muitos deveres, como fazer trabalhos, artigos, TCC, provas de final de semestre, dentre outras coisas que atolam nossa vida na faculdade. Todavia, surgiram várias oportunidades já no começo do ano (graças a Deus!), então estou me preparando para as mesmas, o que vem consumindo completamente meu tempo. Passei na primeira fase da OAB, e agora estou estudando diariamente para a segunda fase, que será no dia 1º de março. Se não bastasse isso, também estou conciliando do jeito que dá e estudando também para um concurso que ocorrerá em Brasília, em março, mais precisamente no dia 15, o que compromete mais ainda meu tempo livre. Mal tive tempo para entrar no internet nos últimos dias, conferir emails, conversar pelo Messenger ou orkut. Por fim, soma-se a isto tudo as festas que ocorreram aqui em casa por causa da formatura do meu irmão (agora tenho um fisioterapeuta em casa!) e aos preparativos da minha festa, que será justamente na semana da minha prova da 2ª fase da OAB, é mole?
Então, daí fiz a seguinte previsão, um tanto quanto pessimista: analisando que este é um ano que promete muito, sobretudo nos concursos federais, prevejo que continuarei a ter dificuldades em atualizar este espaço. Cheguei a cogitar a hipótese de fechar o blog temporariamente, porque sei como é chato frequentar um blog que nunca é atualizado, mas acontece que eu gosto tanto deste espaço, gosto tanto de compartilhar minhas idéias com os poucos amigos que aqui visitam, que prefiro mantê-lo mais parado a ter que fechá-lo por um tempo. Espero que todos compreendam, mas é que nessa fase de conquistas, que um dia todos atravessarão, temos que ter algumas prioridades.

Por fim, venho expressar minha gratidão ao blogueiro Wallace Andrioli, do blog Crônicas Cinéfilas, que indicou o Cine No Pretensions com o selo "Olha que blog maneiro". Muito obrigado! Seguem as regras dessa iniciativa:
1. Exiba a imagem do selo "Olha que blog maneiro!" que você acabou de ganhar. 2. Poste o link do blog que te indicou (muito importante). 3. Indique 10 blogs de sua preferência. 4. Avise seus indicados (não esquecer). 5. Publique as regras. 6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo e as regras. 7. Envie a sua foto ou de um(a) amigo(a) para olhaquemaneiro@gmail.com juntamente com o link dos 10 blogs indicados para verificação. Caso os blogs tenham repassado o selo e as regras corretamente, dentro de alguns dias você receberá uma caricatura em P&B.
Sendo assim, os blogs que eu indico (a maioria são blogs sobre cinema, mas também resolvi indicar alguns blogs que visito sobre temas diversos) são estes, em ordem alfabética:
Análise Privada
Baú de Filmes
Blog Cinefilia
Cine Carranca
Cine Resenhas
Dementia 13
Filmes do Chico
Sacaniei
Sombras Elétricas
Sou Crente. Sou Diferente.
Escrito por Bruno às 00h13
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[--] Melhores e Piores de 2008 [--]
Final do ano é a época que publicamos as nossas adoráveis listas de melhores e piores do ano. Assim como em 2007, não achei 2008 um ano repleto de grandes filmes. Claro que tivemos algumas obras que ficarão para a história e serão sempre lembradas, mas como um todo acho que mais uma vez o ano deixou a desejar.
Não custa comentar que essa minha lista é apenas mais uma diversão, que não visa gerar polêmica, mas apenas refletir meu gosto. E vale ressaltar também que somente estiveram aptos a entrar em ambas as litas, os filmes que entraram em circuito (considerando tanto as estréias nos cinemas como os filmes lançados diretamente nas locadoras) no Brasil em 2008, independentemente do ano que foram produzidos ou que estrearam lá fora.
Por fim, venho desejar a todos um feliz ano novo. Que todos nós tenhamos muita paz, sucesso, que nossas metas se concretizem e que 2009 nos reserve excelentes filmes!
Top 10 - Melhores do ano
1 - Batman - O Cavaleiro das Trevas 2 - O Nevoeiro 3 - Wall-E 4 - O Gângster 5 - Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto 6 - Sangue Negro 7 - Juno 8 - Onde os fracos não têm vez 9 - REC 10 - Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da rua Fleet
Top 10 - Piores do ano
1 - 10.000 A.C. 2 - Super Herói - O filme 3 - A vida por um fio 4 - Uma chamada perdida 5 - Os Aloprados 6 - Max Payne 7 - Cinturão Vermelho 8 - Espelhos do Medo 9 - Jogos Mortais V 10 - A Lista - Você Está Livre Hoje?
Obs: Todos os filmes que estrearam nos cinemas ou foram lançados diretamente em DVD no Brasil, no ano de 2008, que eu assisti, estão aqui (em ordem alfabética).
Escrito por Bruno às 20h04
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MAX PAYNE

São poucos os jogos de videogame que foram satisfatoriamente adaptados para os cinemas. Grande parte por causa da dificuldade que há em transportar o clima, a emoção e a trama desenvolvida pelo game para a telona, e, com uma parcela menor de responsabilidade, se pode atribuir à opção das produtoras em escolher diretores do menor escalão para realizar as adaptações. "Max Payne" sofre justamente desses dois problemas.
É certo que é complicado adaptar um jogo para as telonas. No videogame, há bastante espaço e tempo para desenvolver cenas de ação e trabalhar bastante a história, o que não ocorre nos filmes, que, para conseguirem transportar a mesma proposta, acabam modificando bastante a história inicial. Todavia, em "Max Payne" exageraram nas modificações.
Enquanto no jogo, Max Payne era um policial que teve sua mulher e filhos mortos e, por causa disso, pede transferência para a unidade de infiltrados da polícia, porém, quando infiltrado, acaba sendo descoberto e envolvido em uma conspiração envolvendo uma indústria farmacêutica, no filme ele é um personagem recluso, trabalha arquivando casos de homicídio, obstinado em ainda encontrar alguma pista sobre a morte de sua mulher e filha, e que, em suas investigações, acaba descobrindo um projeto fracassado de uma indústria farmacêutica. Não bastasse isso, alguns personagens importantes são completamente diferentes do jogo (vide o vilão Lupino e o detetive Jim Bravura), a droga valkyr produz outros efeitos além das alucinações, dentre outras coisas.
Até aí, tudo bem, isso não seria problema pra quem nunca jogou o game, mas o problema é que como filme em si, "Max Payne" é realmente fraco. O longa desnecessariamente cria um clima falso envolvendo as valquírias (os monstros com asas que parecem sombras), dando inicialmente uma mentirosa primeira impressão sobre elas; trabalha mal vários personagens secundários (alguns são apressadamente estúpidos e incoerentes, outros contraditórios, e outros simplesmente são descartados no decorrer da trama); despreza a importância do seu principal vilão (e, por conseqüência, a máxima de que "um herói é tão bom quanto o seu vilão"), ao torná-lo apenas num sujeito violento, que pouco fala e pouco aparece; tem vários furos no roteiro (reparem que após um tiroteio contra vários policiais, o personagem-título toma um tiro em cheio, e logo depois é como se ele nunca tivesse sido baleado - ele não sente dor, não sangra, não mostra ele se recuperando ou fazendo um curativo, nada); e, por fim, tem um desfecho infame.
A falta de qualidade do roteiro, do estreante Beau Thorne, não é compensada pelo diretor mediano John Moore, o qual, pelo contrário, contribui pouco, criando somente algumas cenas de ação dignas de não serem criticadas. Pra piorar, o referido diretor extrai atuações ruins de seus atores, como Mark Wahlberg, mais uma vez irreconhecível (onde está todo aquele talento de "Os Infiltrados"?), Olga Kurylenko e Chris O´Donnell, ambos subaproveitados, e Amaury Nolasco (o Sucre, de Prison Break), que pouco consegue fazer com seu calado vilão. Enfim, fica aquela sensação de que o diretor John Moore esteve longe de ter o elenco em suas mãos.
Aliás, esse é justamente o outro problema que as adaptações de games sofrem: a falta de um cineasta de peso. Resident Evil, por exemplo, inicialmente seria adaptado por ninguém menos que o mestre George Romero, mas acabou caindo nas mãos do fraco Paul W. S. Anderson (lembram da adaptação de "Mortal Kombat"?). Acho que a única adaptação de um jogo para o cinema que me agradou foi o excepcional "Silent Hill", tendo Cristophe Gans, este sim bom cineasta, assinando sua direção.
É uma pena que um filme com um visual tão bacana como este, tenha, ao mesmo tempo, um conteúdo fraco e mal trabalhado. É bem verdade que há de se levar em conta a dificuldade de transpor a aura de um game para os cinemas, mas nada justifica as falhas do enredo, e a falta de consistência que "Max Payne" apresenta. Se no excelente prólogo, o espectador tiver uma boa impressão do que está por vir, não há dúvidas de que se decepcionará com todo o resto.
Nota: 4,0
Escrito por Bruno às 00h51
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