Cine No Pretensions


SENTINELA

 

 

Quando um respeitado agente do serviço secreto passa a trabalhar na investigação da morte de um amigo de trabalho, morto em frente à própria casa, ele acaba descobrindo que alguém planeja assassinar o presidente dos Estados Unidos.

 

É mais um filme de ação policial, contendo tramas, reviravoltas, cenas de ação e perseguição. De uma certa forma, o filme consegue ser um pouco tenso, porém nada inovador. O espectador só consegue se prender ao filme por ficar curioso em como vai acabar o filme. Acho que somente a curiosidade mesmo é que prende o espectador, porque o roteiro é devagar (pra um filme de ação) e demora pra decolar. Aliás, o ponto fraco do filme é o roteiro. O diretor Clark Johnson, o mesmo de S.W.A.T (filme que não me agradou), consegue fazer milagre aqui. Tendo em mãos um péssimo roteiro, ele faz o que pode pro produto final não ser ruim, e, na medida do possível, acaba tendo sucesso. Ele conseguiu dar uma dinâmica maior ao filme, uma certa movimentação no desenrolar da trama, que até deixa o filme agradável em diversos momentos.

 

Sobre as atuações, Michael Douglas, que faz o personagem principal, o segurança do serviço secreto, não está nem nas suas melhores atuações, nem nas piores. Kiefer Sutherland (outro policial) talvez apresente a melhor atuação do filme, mas nada espetacular também. Temos a atriz Kim Basinger, atuando de forma competente, mas sem espaço para algo melhor. E, deixei propositalmente por fim, temos Eva Longoria que faz uma personagem estéril. Sério, é até injusto falar da sua fraquíssima atuação, tendo em vista que sua personagem praticamente não existe. Não faz nenhum sentido a existência de sua personagem, a qual nem deveria existir no filme, tamanha a sua inutilidade. Acho que simplesmente aproveitaram a fama da atriz, a qual faz a famosa série “Desperete Housewives”, pra tentar chamar mais atenção pro filme, pois há muito tempo que eu não via um personagem tão inútil à trama como no caso em comento.

 

Acho que esse filme pode até ser um passatempo para alguns. Ele não chega a irritar o espectador, mas também não causa nenhum êxtase. É mais um daqueles filmes que, se você não tiver o que alugar, pode gastar o seu tempo dando uma conferida, mas com poucas expectativas.

 

 

Nota: 5,0


Escrito por Bruno às 23h07
[ ] [ envie esta mensagem ]


O SOM DO TROVÃO

 

 

É sempre muito difícil fazer um filme sobre voltar no tempo, que não tenha furos. Quase todos costumam apresentar algum furo na teoria ou na proposta. A questão é minimizar ao máximo os furos. Quanto menos furo tiver, claro que é melhor. E os furos que a história apresentar, que não tenham muita influência no desenvolvimento do filme. Esse é o objetivo. Objetivo esse, completamente não atingido pelo filme “O som do Trovão”.

 

O enredo, a priori, soa interessante. No futuro, mais precisamente em 2055, surge um novo esporte: viajar no tempo para caçar dinossauros. Porém, esses dinossauros precisam estar prestes a morrer, pois qualquer alteração no ecossistema do passado é capaz de provocar sérias mudanças no futuro. Desta forma, as principais regras são: é proibido trazer do passado qualquer objeto ou animal, assim como é proibido deixar no passado qualquer objeto, por mais insignificante que possa ser. Quando numa viagem ao passado, algo misterioso dá errado, o futuro sofre alterações. Agora o cientista Travis Ryer (Edward Burns) tem que voltar novamente ao passado, para descobrir o que deu errado na última viagem.

 

O filme apresenta inúmeros problemas. Primeiro que há muito tempo eu não assistia um filme com tantos efeitos especiais medíocres. Sério, se alguém de vocês tiver coragem de assistir esse filme, poderá conferir que os efeitos especiais do “Chapolin” são melhores que os deste filme. Outro fator que incomoda: o excesso de clichês. Eu não sou contra clichês. Se forem bem utilizados, quase sempre deixam o filme excelente. Não é o caso de “O som do trovão”.  Outro problema: devido à forma como nos é contada, a história do filme torna-se bastante previsível.

 

Até aqui, tudo bem. Seria apenas mais um filme ruim, como muitos outros que tem por aí. Agora quando entramos no mérito principal do filme, chegamos â mediocridade deste. Os furos contidos na história são tantos, que sinceramente, não me lembro de ter assistido até hoje algum filme com tantos furos quanto este. Irei resumidamente enumerar os principais, portanto, se você não quer saber quais são, não leia o final deste parágrafo. Primeiro, uma das falhas mais gritantes: quando os passageiros vão viajar no tempo, eles entram em uma máquina, onde ficam presos por barras de metal, em pé e sem poder mover o corpo. Quando voltam no tempo, aparecem milagrosamente caminhando por um túnel dimensional que abre um piso translúcido sobre o terreno pré-histórico, sem estarem presos a nenhuma barra de metal mais. Aí quando querem voltar pro futuro, adentram novamente naquele túnel, e, do nada, ressurgem no futuro, presos àquelas barras novamente. Como isso é possível? O roteirista preferiu deixar a resposta pra quem quiser usar a imaginação, de preferência com uma boa forçada de barra. Segundo, os animais que aparecem no futuro são a maior improbabilidade genética já concebida. Temos um puta gorila com a pele de um crocodilo. Assim, ele tem a força, destreza e agilidade de um gorila, com uma pele de crocodilo, ou melhor, com uma pele que se assemelha a uma casca de tartaruga, pois os tiros não fazem nem cócegas quando acertados em qualquer lugar, que não o pescoço. Vai me desculpando aí, mas pra mim, o cruzamento dessas espécies é contra todas as leis do evolucionismo, ou de qualquer outra lei que explique a evolução dos seres vivos. Terceiro, todo mundo sempre pensou que se alterássemos o passado, o futuro poderia sofrer drásticas mudanças. Isso é de comum acordo. No excelente filme “De volta para o futuro”, quando algo mudava no passado, o personagem “voltava” para um futuro completamente diferente, em decorrência das mudanças feitas no passado. Agora em “O Som do Trovão”, conseguiram inventar uma esdrúxula “teoria de ondas de tecido temporal”, que diz que, após mudar o passado, o futuro vai se alterando aos pouquinhos, por ondas temporais. É uma teoria que não tem nem o mínimo do mínimo de uma lógica científica, feita exclusivamente para tentar criar um certo climinha no filme.

 

Por fim, falemos das atuações. Nem o grande Ben Kingsley conseguiu se salvar. Em um dos piores papéis de sua carreira, se não no pior, percebe-se claramente que o ator não estava nem um pouco a vontade com seu personagem. Primeiro porque suas falas são as mais medíocres do filme, segundo porque ele teve que usar um penteado ridículo e uma mini-barbicha fininha, que o deixaram com uma péssima aparência. Quanto aos outros atores, como Edward Burns (que faz o personagem principal, com pouca ou nenhuma eficiência), August Zirner (coadjuvante em Amém) e Catherine McCormack (a esposa assassinada de Mel Gibson, em Coração Valente), nenhum merece atenção.

 

Um filme que a produtora gastou US$52 milhões para fazer, e só rendeu US$1,8 milhão, já é pra se ficar com o pé atrás. Mas eu pensei “ah, que são mais ou menos 50 milhões de dólares de prejuízo?”. Me arrependi. Agora, você que leu esta crítica sabe que além do prejuízo que o filme deu a sua produtora, deu a mim, que descolei 5 reais para alugá-lo. Perdi meu dinheiro, e, sobretudo, o meu tempo. Não perca o seu.

 

 

Nota: 2,0


Escrito por Bruno às 10h38
[ ] [ envie esta mensagem ]


POPULAÇÃO 436

 

 

Eu, particularmente, sou um grande fã de filmes de suspense. Quando vi este filme na locadora, me interessei muito pela sinopse. Afinal, como não ficar intrigado com o fato de uma cidade há mais de 100 anos continuar sempre tendo 436 habitantes?!

 

Neste filme, quando Steve Kady, um funcionário do Censo, é mandado para investigar por que uma cidade chamada Rockwell Falls, aparentemente perfeita, tem o mesmo número de cidadãos (436) nos últimos 100 anos, acaba descobrindo segredos sinistros sobre aquela cidade.

 

O filme é um suspense interessante. Só possui 92 minutos, e se você é fã de suspense, muito provavelmente irá ficar agradado com a película. A narrativa do filme é boa e, desde o começo, percebemos que há algo de errado, ou melhor, de oculto naquela cidade. Com efeito, ficamos curiosos e entramos na atmosfera que rege aquela cidade. O mistério que o filme apresenta, lembra um daqueles episódios da série “Além da Imaginação”. Aliás, tanto a história do filme como os personagens, são típicos da referida série. É como se pudéssemos ver um bom episódio de 1 hora e meia da série. Não quero falar muito da história, porque possivelmente estragaria a surpresa de quem ainda não viu.

 

No elenco, temos alguns atores desconhecidos. Dou destaque para apenas dois. Jeremy Sisto, que faz o ator principal, está pouquíssimo carismático, o que prejudica um pouco o filme, pois, devido à história do filme, seria importante criarmos uma empatia por seu personagem, e isso acaba não acontecendo na devida proporção. O outro é Fred Durst (vocalista da banda Limp Bizkit), que pra minha grande surpresa, está muito bem no filme. Surpreendendo todas as previsões, ele interpreta muito bem seu personagem, um policial “carente”, sendo, me arrisco a dizer, uma das melhores interpretações do filme.

 

Por fim, no dvd ainda temos a opção de ver um final alternativo do filme. Como praticamente todos os filmes que fazem isso, População 436 apresenta um final alternativo tosco. Sinceramente, recomendo a todos que não percam tempo assistindo a esse final. Além de ser mal elaborado, foi muito mal editado.

 

Então fica a dica, se você gosta de filmes de suspense, ou se você era um fã da série “Além da Imaginação”, provavelmente irá gostar desse filme. Já pra quem não é muito fã desse tipo de filme, ainda assim recomendo, mas como um mero passatempo.

 

 

Nota: 6,5


Escrito por Bruno às 00h42
[ ] [ envie esta mensagem ]


OS INFILTRADOS

 

 

A maioria dos grandes diretores costumam fazer, pelo menos um filme sobre gângster ao longo de suas carreiras. Mas um deles é soberano no assunto, consagrado por seus filmes sobre o tema. Trata-se de Martin Scorsese.

 

Muito resumidamente, a história do filme é de que a polícia infiltra Billy Costigan (Leonardo DiCaprio), um de seus homens, no crime organizado de Boston, controlado pelo chefão Frank Costello (Jack Nicholson), e este também consegue infiltrar um de seus homens, Colin Sullivan (Matt Damon) na polícia. É uma adaptação do filme chinês “Conflitos internos”, não sendo, portanto, um remake.

 

Neste filme a direção de Scorsese é soberana. Aqui, o diretor volta à formula que tanto lhe popularizou. Scorsese fez um filme para seus fãs, não se importando (descontando a hipérbole) com o que a Academia do Oscar gostaria que ele fizesse. Este não é um filme que o diretor fez visando provar algo pra academia ou qualquer coisa do tipo. Aqui, Scorsese é o bom e velho Scorsese, o que é mais que suficiente pra agradar, inclusive ao pessoal da Academia.

 

O filme tem inúmeras qualidades. O diretor consegue criar no espectador um clima de grande expectativa sobre o que vai acontecer com os principais personagens, de uma maneira que nem se percebe que o tempo do filme está passando (150 minutos chegam a parecer menos que 2 horas). Ele consegue, no transcorrer da história, deixar cada vez mais tensa a guerra entre a polícia e a máfia. Todas as cenas de ação e violência possuem a mão de Scorsese, deixando-as maravilhosas.

 

O aclamado diretor ainda consegue tirar ótimas atuações de seus atores. Jack Nicholson, após um bom tempo sem fazer um vilão, está maravilhoso em todas as cenas, nos relembrando porque ele é “o” Jack Nicholson. Leonardo DiCaprio vem crescendo impressionantemente a cada filme. Em sua parceria com Scorsese isso se torna evidente. Em Gangues de Nova York, sua atuação se mostrou sólida, apesar de enfraquecida se comparada com a atuação de Daniel Day-Lewis. Já em O Aviador, DiCaprio mostra uma evolução tremenda, interpretando com maestria o milionário maníaco obsessivo Howard Hughes. Agora, em seu personagem de Os infiltrados, DiCaprio capricha na atuação, demonstrando uma dosagem certa nas emoções de seu personagem, tanto nas cenas onde seu personagem demonstra medo, como nas cenas em que ele se mostra corajoso, como também nas cenas em que ele se mostra desesperado. Matt Damon também está muito bem no filme, nos causando os sentimentos que seu personagem deve nos causar mesmo. Enfim, Scorsese consegue tirar ótimas atuações de todo o elenco, incluindo Mark Wahlberg (uma de suas melhores atuações, acho que o personagem foi perfeito pra ele), Martin Sheen, Alec Baldwin e Anthony Anderson.

 

O diretor ainda dá um presente para seus fãs, ao nos “homenagear” com uma cena em que Jack Nicholson vai a um encontro num cinema de filmes pornográficos, lembrando-nos o personagem de Robert De Niro no filme Taxidriver.

 

Na corrida pelo Oscar, já tenho um filme pra torcer. Sei que vai ser difícil, mas espero que ele leve os prêmios de melhor filme e de melhor diretor. Com um ótimo roteiro em mãos, Martin Scorsese conseguiu dar seu toque de gênio à película. Aliás, ninguém faz tão bem um filme violento sobre gângsteres como ele faz. Acho que posso resumir assim: Scorsese + filme de gângster = Obra prima.

 

 

Nota: 10,0


Escrito por Bruno às 01h48
[ ] [ envie esta mensagem ]


CACHÉ

Este filme do cineasta austríaco Michael Haneke (o mesmo de “a professora de piano”) foi um dos filmes mais premiados pela crítica. No festival de Cannes por exemplo, seu sucesso foi monstruoso. Agora, isso é sinônimo de qualidade? Depende do ponto de vista.

 

Primeiro quero contar a sinopse do filme: Daniel Auteuil (de “O closet”) e Juliette Binoche (de “Chocolate”) interpretam respectivamente Georges e Anne, um casal que começa a receber fitas com imagens de sua casa, filmadas secretamente. Depois começam a receber desenhos estranhos, cujos significados são obscuros. Gradualmente as filmagens de vídeo que recebem se mostram mais pessoais. Assustado, o casal tenta descobrir o autor daquelas misteriosas “ameaças”.

 

Tenho lido várias críticas, resenhas e comentários sobre o filme. O que percebo é que incontestavelmente, todos elogiam a qualidade técnica e o arrojo de Haneke. Eu li que o diretor austríaco filmou em câmera digital de alta definição, dando preferência a planos estáticos, de meia distância. Descobri que utilizando essa tecnologia digital excelente, o filme foi filmado todo em HD, pois assim a textura das fitas e do filme em si se mesclam, indistinguíveis até uma intervenção dos personagens. Uma amostra do seu grande arrojo também é percebido na película, por Haneke quase que sumariamente ignorar o princípio da transparência cinematográfica. Tudo bem, isto é genial. Mostra que ele tem grande domínio dos códigos cinematográficos do cinema. Mas pra quem não é especialista no assunto, pra quem não tem tantos conhecimentos técnicos, isso não impressiona praticamente nada.

 

É inegável que o filme tem outros méritos também: o permanente sentimento de desconforto psicológico que o filme nos causa, as interpretações, que são ótimas, colaborando com o sentimento de apreensão e medo, a crítica sobre os conflitos étnicos atuais vividos na Europa, em particular na França (entre a maioria “natural” do país e a minoria étnica vinda de países colonizados).

 

Por ser um filme diferente sobre terror psicológico, o filme exige um rigoroso compromisso psicológico do espectador. Porém, o filme deixa mais perguntas do que respostas, frustrando a ansiedade que temos ao longo da película. O final do filme é incerto, e eu não vou aceitar o argumento de que o filme é inconclusivo por natureza. Pode até ser que o filme seja “um ensaio social em forma de cinema de gênero”, e isso, por si só, já agrade muitos. Mas fato é que o espectador é deixado na mão pelo diretor, na espera de um desfecho que nunca acontece.

 

Você sairá do filme apenas com uma certeza: Haneke é o autor das fitas. E é ele o autor do final do filme também. Talvez isso lhe deixe zangado com ele. Talvez maravilhado. Enfim, é um filme para se conferir, mas sem se deixar levar pela onda de elogios feita pela crítica, em torno deste.

 

 

Nota: 6,0


Escrito por Bruno às 19h34
[ ] [ envie esta mensagem ]


O PEQUENINO

 

Os irmãos Wayans (os mesmo de todo mundo em pânico e as branquelas), estão de volta neste filme. Seguindo a mesma linha de “As branquelas”, aqui não se tenta convencer ninguém de que a idéia do filme possa ser real. Porém, no filme anterior, essa forçada de barra era suprimida pelas boas piadas, e pelos bons momentos de comédia, enquanto no último, o humor está menos eficaz.

 

A história do filme é inusitada. Um anão que acaba de sair da cadeia tenta roubar um diamante com seu parceiro. O assalto dá errado, a polícia é chamada e eles tentam escapar, e, desesperados, colocam o diamante na bolsa de uma mulher, que estava com seu namorado. Para resumir, tentando recuperar o diamante, o anão se “disfarça” de bebê abandonado e o casal decide cuidar dele.

 

É um filme de humor escrachado. Muito escrachado. Por isso, não entrarei na questão “como é que ninguém iria reparar num anão se disfarçando de bebê”. É óbvio que ninguém confundiria um anão com um bebê, ainda mais depois de ver o anão pelado. Mas isso faz parte da idéia do filme. Se alguém foi assisti-lo pensando que haveria lógica nesse sentido, cometeu um grande equívoco.

 

Eu confesso que me agrada muito o gênero comédia besteirol (tudo bem, já sei que a elite intelectual cinéfila vai me execrar por eu ter dito isso). Mas eu acho que mesmo um filme besteirol tem que ter uma história, algo concreto em que o telespectador possa se prender, e em meio a essa história é que se deve dar oportunidades para o humor aparecer. É o caso por exemplo de American Pie, que em meio às histórias propostas (relacionamentos, virgindade, mudanças, etc.) há grande espaço para aparecer o humor besteirol. Em “As branquelas” a história já não é tão bem proposta, mas ainda assim consegue prender o telespectador e as inúmeras cenas de comédia acabam compensando as outras pequenas falhas. Agora em “o pequenino”, a história do filme é menos que um mero plano de fundo para piadas. É praticamente inexistente. Só há piadas e cenas engraçadas, mas como se estivessem soltas, jogadas no filme de qualquer jeito.

 

Quando o anão é confundido com um bebê e “adotado” pelo casal principal do filme, as cenas seguintes (o casal trocando a fralda do anão, o banho de banheira, o termômetro pra tirar a temperatura do neném) são hilárias. Acho que durante uns 20 a 25 minutos eu não consegui parar de rir. Mas minhas risadas ficaram somente aí. Antes do anão ser adotado pelo casal, dei uma ou outra risada, e depois do anão já ter sido adotado, quando já estava efetivamente planejando executar sua fuga, saindo com o diamante, as risadas me faltaram também. E  olha que as risadas são a única coisa favorável no filme. 

 

Dessa vez, acho que os irmãos Wayans erraram na dose. Enquanto “As branquelas” acabou se transformando num filme cool, o resultado final de “O pequenino” é um mero escracho, sem muita criatividade. Este filme pode até conseguir causar boas risadas, mas como produto cinematográfico é bastante fraco.

 

 

Nota: 4,5


Escrito por Bruno às 12h12
[ ] [ envie esta mensagem ]


O CORTE

 

 

Dirigido e escrito por Costa-Gravas (diretor de “Desaparecido” e “Amém”), “O Corte” apresenta uma história peculiar: Bruno Davert (José Garcia) é um executivo da indústria de papéis, que fica desempregado por dois anos após perder o seu emprego devido a uma reestruturação na empresa em que trabalhava. Para conseguir seu emprego de volta, ele decide assassinar tanto o homem que ficou com sua vaga como todos os principais concorrentes a ela.

 

É uma comédia de humor negra, que explora bastante as mazelas do capitalismo. O filme retrata um homem que fica desempregado em função de uma reestruturação na empresa em que trabalhava. Reestruturação essa feita exclusivamente sob o ponto de vista da máxima capitalista: reduzir os gastos e maximizar os lucros, o que muitas vezes implica redução de pessoal.

 

Mas o principal no filme está na exploração do humor negro aliado a essa forte crítica social. É muito bem explorada a idéia de um homem, desesperado pela falta de dinheiro, que não vê mais os candidatos a uma possível vaga como concorrentes, mas sim como alvos a serem eliminados. As situações provindas dos planos de Davert são muito engraçadas. Afinal, como não rir do assassino, quando esse usa uma pistola nazista da época da segunda guerra mundial para matar os seus alvos e acaba machucando o ombro a cada disparo que dá.

 

Dentre as atuações, certamente que merece destaque a de José Garcia, que interpreta o assassino Bruno Davert. Sem qualquer dificuldade, ele alterna expressões de angústia, indecisão, raiva, felicidade e frieza maravilhosamente bem, e o seu timing é fantástico. É de fazer rir, cenas em que ele mata uma vítima e segundos depois aparece com um sorriso engraçado estampado na cara.

 

Acho que esse é um filme que todos deveriam assistir. Além de ser muito engraçado, traz em seu bojo uma forte crítica social contextualizada. Afinal, não precisamos nos esforçarmos muito para lembrar que aqui no Brasil houve um caso recente em que uma mulher de Cubatão, na baixada santista, mandou matar duas concorrentes à mesma vaga que ela. Realidade e ficção muitas vezes se misturam.

 

 

Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 15h19
[ ] [ envie esta mensagem ]


EU SEMPRE VOU SABER O QUE VOCES FIZERAM NO VERAO PASSADO

 

 

Fui à locadora para ver o que tinha de lançamento e encontrei “eu sempre vou saber o que vocês fizeram no verão passado”. Tinha acabado de ser cadastrado na locadora. Pensei: nossa, esse filme deve ser bizarro, mas vou ter que alugar pra conferir. Portanto, eu aluguei já esperando por um filme ruim. Pensei, pela sinopse que li, que este é mais um daqueles filmes que só estava usando o nome de uma franquia que deu certo (como fizeram no filme efeito borboleta 2), para tentar ter algum retorno financeiro.

 

A sinopse: “quando uma brincadeira resulta na morte acidental de um amigo, alguns adolescentes fazem o juramento de não contar a ninguém sobre o envolvimento deles. Algum tempo depois, eles começam a receber mensagens sugerindo que mais alguém sabe o que aconteceu naquela noite... agora o assassino do gancho virá atrás de cada um deles”.

 

É mais um daqueles filmes de suspense voltados pra adolescente, como o primeiro “eu sei o que vocês fizeram no verão passado” e “pânico”. E eu não tenho nada contra esse tipo de filme, aliás gosto muito do gênero. Bom, não costumo revelar absolutamente nada sobre os filmes que escrevo aqui, mas infelizmente, pra fazer meu comentário, dessa vez serei obrigado a revelar algumas coisas do filme. Portanto, se você ainda não assistiu, pare de ler aqui, e alugue caso tenha ficado interessado ou curioso, ok?

 

O filme, para minha surpresa, começou razoavelmente bem. Depois foi se desenvolvendo melhor ainda, me deixando curioso em relação à trama, gerando uma certa expectativa e até parecia que seria uma história independente das outras, sem conexão com a história dos dois filmes anteriores (“eu sei...” e “eu ainda sei...”). O que seria correto, de acordo com a proposta que o roteiro estava apresentando. Mas apenas parecia que não era relacionado aos anteriores. Na verdade, fizeram do assassino presente nos dois primeiros filmes, uma lenda mística. O assassino deste terceiro lamentável filme é o mesmo do dos outros dois. Ele virou algo como um Jason, ou o assassino de olhos famintos. É até difícil comentar algo, pois a indignação que o filme causa no fim, ao revelar quem é o assassino, é enorme. Parecia que o filme seria bonzinho, mas o final prejudicou não só este filme, como chega a fazer você reavaliar os outros dois.

 

Então espero que essa porcaria acabe por aqui. Seria horrível saber que haverá mais uma continuação. Algo como “eu ainda sempre vou saber o que vocês fizeram no verão passado”. E um seguinte “eu ainda continuarei sempre sabendo o que vocês fizeram no verão passado”. A única certeza é que se houver continuações, estas serão grotescas, de mau gosto, terão nomes cada vez maiores, e não farão jus ao primeiro, que foi o único que conseguiu ser bom.

 

 

Nota: 3,0


Escrito por Bruno às 14h37
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico:

01/10/2009 a 31/10/2009
01/09/2009 a 30/09/2009
01/08/2009 a 31/08/2009
01/07/2009 a 31/07/2009
01/06/2009 a 30/06/2009
01/05/2009 a 31/05/2009
01/04/2009 a 30/04/2009
01/03/2009 a 31/03/2009
01/02/2009 a 28/02/2009
01/01/2009 a 31/01/2009
01/12/2008 a 31/12/2008
01/11/2008 a 30/11/2008
01/10/2008 a 31/10/2008
01/09/2008 a 30/09/2008
01/08/2008 a 31/08/2008
01/07/2008 a 31/07/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006


Filmes Assistidos:

  • Minhas Estimativas

    Perfil:

  • Nome: Bruno
  • Idade: 25 anos
  • Cinéfilo nas horas vagas

    Recomendo:

     Alta Fidelidade
     Baú de Filmes
     Blog Cinefilia
     Cine Carranca
     Cine Resenhas
     Cinéfila por Natureza
     Crônicas Cinéfilas
     Dementia 13
     Diário de um Cinéfilo
     Filmes do Chico
     Nit Zombies
     Sombras Elétricas
     Tudo é Crítica
     Última Sessão