Cine No Pretensions


[--] Melhores e Piores de 2006 [--]

 

Fim do ano chegando, então nada melhor que uma lista de filmes do ano. Eu particularmente adoro fazer listas, porém, ironicamente, não gosto muito de compartilhá-las. Mas enfim, sinta-se a vontade para criticar, dar opinião ou sugestões. Porém lembre-se, a lista é pessoal e reflete tão somente o meu gosto, portanto ela não foi feita pra agradar ninguém. De qualquer forma, espero não causar muita polêmica.

 

Quero desejar a todos que acompanham este humilde e despretensioso blog, um magnífico ano novo. Desejo a todos vocês muito sucesso no trabalho, nos relacionamentos, enfim, na vida. E que o ano de 2007 seja repleto de grandes filmes!!!

 

Top 10 - Melhores do ano

 

1 - Os Infiltrados

2 - Vôo United 93

3 - A Dama na Água

4 - O Plano Perfeito

5 - Boa Noite e Boa Sorte

6 - Viagem Maldita

7 - O Segredo de Brokeback Mountain

8 - No Rastro da Bala

9 - Filhos da Esperança

10 - Terror em Silent Hill

 

Top 10 - Piores do ano

 

1 - Ultravioleta

2 - O Som do Trovão

3 - Efeito Borboleta 2

4 - Edison Poder e Corrupção

5 - Eu Sempre Vou Saber o que Vocês Fizeram no Verão Passado

6 - O Assassinato de Richard Nixon

7 - Escuridão

8 - Dizem por aí

9 - O Zodíaco

10 - Jogos Mortais 3

 

Observação:

 

·         Alguns filmes foram produzidos em 2005, mas como só foram lançados em circuito no Brasil em 2006, eu os considerei aptos a entrarem na lista.


Escrito por Bruno às 00h18
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SORTE NO AMOR

 

 

Sabe aquelas comédias românticas bem levezinhas, bobinhas, mas que conseguem divertir? É o caso deste filme. É um daqueles que não acrescenta nada ao mercado de comédia romântica, não inova em nada, mas consegue divertir o suficiente. Nós damos algumas risadas, o tempo passa rapidinho, e quando percebemos o filme acaba. Ah, claro, com um final feliz.

 

O filme conta a história de Ashley (Lindsay Lohan) e Jake (Chris Pine), os quais possuem uma vida completamente diferente da do outro. Enquanto Ashley é a pessoa mais sortuda do mundo, Jake é o cara mais azarado que existe. Enquanto tudo dá certo pra Ashley, tudo dá errado para Jake. Até que um dia o destino dos dois se cruza, e a sorte de ambos é trocada.

 

Então, é um filme daqueles já meio batidinhos, que a gente sabe desde o começo como vai terminar. Mas é um filme que cumpre o seu papel direitinho. Não se trata de uma comédia romântica que espera arrecadar muito, nem ser inovadora ou diferente, nem nada. É um filme que tem um amontoado de clichês do gênero, mas que são usados de forma eficiente. Sua proposta, acredito, é tão somente divertir, de modo bobinho mesmo. E ele consegue fazer isso, mesmo com um roteiro fraquinho.

 

O filme explora mais a comédia que o romance, acertando nesse sentido. Gostei principalmente do começo do filme, antes do destino do casal se cruzar, o paradoxo entre a vida dos dois é engraçado. Enquanto absolutamente tudo dá certo para Ashley, tudo que pode dar errado para Jake, dá.

 

Sobre as atuações, Lindsay Lohan até que atua direitinho aqui. A atriz consegue dar o tom certo a sua personagem, mas isso não chega a ser louvável, pois sua personagem não exige muito. De qualquer forma, seria interessante ver a atriz em um papel mais maduro, em algum drama, por exemplo. Talvez ela possa se sair bem nesse gênero. O ator que faz o par de Lindsay Lohan, Chis Pine, também tem uma atuação boa. Logo no começo do filme, quando ele surge e todo tipo de desastre acontece com ele, já sentimos uma simpatia por seu personagem. Sobre os demais atores do elenco, ninguém compromete.

 

Enfim, é apenas mais um daqueles filmes que se você estiver de férias e não tiver muita coisa pra fazer, vale a pena assistir. O tempo passa rápido, você dá algumas risadinhas e depois a vida continua. Um filme divertido, engraçado, com um romance bobinho, que serve como um bom passatempo. Aproveito o post, para desejar a todos um feliz natal!

 

 

Nota: 6,0


Escrito por Bruno às 22h40
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MENINA MÁ.COM

 

 

Duas pessoas que conversam pela internet decidem se encontrar pessoalmente em um café. Mas não se trata de um encontro comum: Harley (Ellen Page) é uma garota precoce de 14 anos e Jeff (Patrick Wilson) é um fotógrafo com mais de 30. Quando Jeff convence Harley a ir até seu apartamento para ouvir música, as coisas dão uma guinada inesperada. A suposta caça vira o caçador.

 

Não sei se foi a expectativa que criei em cima deste filme, mas acho que ele poderia ter sido melhor. Assim, pedofilia é sempre um tema que pode ser bem explorado nos cinemas, mas o roteirista deste filme preferiu dar outro enfoque à película. O principal do filme é a vingança e a tensão que se quer causar no espectador. Claro que a discussão sobre pedofilia é apresentada no filme, e serve para refletirmos bastante. Mas o principal, aqui, é a vingança e a tensão.

 

De uma certa maneira a idéia do filme preocupa, pois cada vez mais percebemos como o espetáculo da tortura causa êxtase no público. Os filmes que possuem como elemento principal a tortura, vêm se multiplicando cada vez mais. Eu mesmo sou culpado, pois gosto do gênero (com algumas ressalvas) e até estou baixando um filme na internet, que não encontro em locadora nenhuma, chamado “Ichi, the killer”, do diretor Takashi Miike, que, dizem, é a versão extrema deste tipo de espetáculo. “Menina má.com”, ainda que não mostre uma tortura mais explícita como tantos outros, também utiliza este efeito apelativo.

 

Mas o filme levanta uma questão interessante: a de fazer justiça com as próprias mãos. A idéia vendida pelo filme é parecida com a lei do talião, onde tudo é olho por olho e dente por dente. É comum ouvir de muita gente que “se o cara fosse um estuprador, eu amarrava ele e fazia ele passar por tudo aquilo que ele fez as vítimas dele passar”. Sei que muita gente pensa assim. Mas essa não é a minha idéia de justiça. Essa não é a idéia correta de justiça. Não vivemos num mundo anárquico. Agente pode ter vontade de fazer isso, ter vontade de torturar um assassino inescrupuloso ou um estuprador pedófilo, isso tudo bem. Agora, praticar essa vontade que se tem é errado. Ferir a justiça em sua essência, através da tortura por exemplo, é mandar às favas a lei. Justiça é igualdade de tratamento jurídico, e é também a proporcionalidade da pena ao delito. Proporcionalidade esta entendida pela sociedade, e não por uma só pessoa. Daí que se há de execrar a vingança. Só estou levantando este assunto, porque me parece que é essa a idéia de justiça que o filme tenta vender, a de “olho por olho”.

 

No mais, acho que o diretor deste filme merece aplausos. Com um roteiro não tão bom em mãos, ele conseguiu o que queria: criar uma relação de tensão e apreensão sufocantes. E isso se dá do início ao fim. Eu diria que depois dos 20 minutos iniciais do filme, até um pouco antes dos minutos finais, o filme é realmente tenso. A ponto de, mesmo o espectador estando cansado, após acompanhar tanto terror psicológico, ainda fica preso ao filme, na expectativa do que vem pela frente. Sobre as atuações, todas me agradaram. A atriz que faz a menina, Ellen Page, está muito bem no filme. Ela aparenta ter um futuro promissor. E Patrick Wilson, que faz o pedófilo, também está bem, caracterizando bem as nuances psicológicas pelas quais seu personagem passa durante a película.

 

Trata-se de um filme bom, mas que fica aquela sensação de “eu queria algo mais”. Apesar de toda tensão que nos é causada, também há um certo desconforto que nos é passado. Talvez porque o filme seja angustiante. E talvez por isso, ele tenha agradado muitos. Mas eu não gostei muito do final, e acho que com essa criativa história, o filme poderia ter rendido mais do que rendeu. Mas enfim, não deixa de ser um filme bastante interessante, que eu recomendo pra quem ainda não assistiu.

 

 

Nota: 6,5


Escrito por Bruno às 01h03
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O ZODÍACO

 

 

O Zodíaco é um filme baseado em fatos reais, que retrata um serial killer americano que saiu tacando o terror em meados da década de 60. Em geral, filmes que tentam retratar um serial killer que realmente existiu, costumam ter dificuldades. Em particular, sobre “o zodíaco”, que até agora ninguém conseguiu fazer um bom filme.

 

Na década de 60, um assassino que se autodenominou “o zodíaco”, começou a matar casais e depois passou a ligar pra polícia, logo após os assassinatos, dando provas de que ele era o assassino. O filme retrata exatamente este começo da série de assassinatos que o zodíaco cometeu. Se não me engano, o assassino chegou a fazer 37 vítimas fatais, mas somente cinco foram confirmadas pela polícia. E o filme se limita a mostrar somente essas cinco primeiras mortes, o que deixa o filme com um tom de superficial e incompleto, pois quando entramos no espírito do assassino, quando começamos a "compreender" o personagem, o filme acaba.

 

O pior de tudo é que dava pra explorar essa história verídica bem mais. O diretor demorou para dar uma boa dinâmica à película. A meia hora inicial do filme passa arrastando. Demora muito pro filme emplacar. Aí quando emplaca, temos uns 15 minutos de filme satisfatório, que depois acaba meio que do nada. O filme causa pouco suspense e nenhuma tensão. 

 

O personagem principal, um detetive chamado Matt Parish, é interpretado por Justin Chambers (o doutor Alex Karev, de “Grey´s Anatomy”), que ainda precisa melhorar muito pra ser o ator principal de um filme. A atriz que interpreta a esposa do detetive, é a atriz Robin Tunney (a advogada Verônica Donovan, de “Prison Break”), que tem uma das poucas interpretações agradáveis. Ainda temos o ator Rory Culkin (que fez o garotinho asmático de “Sinais”), interpretando o filho do casal. Seu personagem dá a impressão de que terá um papel importante no filme, pois fica sempre um clima meio tenso e sombrio ao seu redor, mas no final ele é praticamente um garoto estranho, que não é compreendido por ninguém. Em alguns momentos achei até que ele fosse um altista. Ainda temos algumas aparições coadjuvantes curiosas. Interpretando um repórter sensacionalista e um tanto quanto afeminado, temos o ator William Mapother (o bizarro Ethan Rom de “Lost”). Definitivamente este ator combina mais com personagens estranhos, do tipo psicótico ou misterioso. Ele ficou muito tosco nesse papel de repórter. Outro que tem um papel bem coadjuvante, é o ator Philip Baker Hall, que mesmo aparecendo pouco, tem uma presença forte e eficiente.

 

Como eu havia dito, o final do filme é fraco. Sei que é difícil fazer um bom desfecho em filmes assim, mas o diretor não parece ter se esforçado muito. No final, ele se limitou a explicar tudo o que acontece depois dos cinco assassinatos mostrados, com um preguiçoso texto. Nele, o diretor revela que em 1978, o zodíaco escreveu uma carta dizendo que ele estava esperando que fizessem um bom filme sobre ele, e ainda perguntava sobre quem iria fazer o seu papel. Creio que ainda não conseguiram satisfazer seu desejo.

 

Parece que está vindo um novo filme sobre o zodíaco, com Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Chloë Sevigny, Anthony Edwards, Robert Downey Jr., Brian Cox e dirigido pelo excelente diretor David Fincher. Com um grande diretor e um elenco desses, o filme que se chamará “Chronicles”, tem tudo pra ser o melhor filme sobre o zodíaco. Quem sabe o assassino, que está solto até hoje, não tenha o seu desejo realizado.

 

 

Nota: 4,0


Escrito por Bruno às 01h36
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FILHOS DA ESPERANÇA

 

 

Filhos da esperança é um daqueles filmes que é difícil de comentar, porque só posso comentar sobre sua estória de forma geral. Tem algumas partes do filme, alguns acontecimentos específicos, que eu gostaria de comentá-los, mas estragaria o filme de quem ainda não assistiu, por isso, em ralação à trama principal, não farei comentários.

 

O filme se passa no futuro, precisamente em 2027. O planeta está passando por uma enorme crise, pois as mulheres não mais engravidam. O ser humano mais jovem que existe tem 18 anos e poucos meses e todos as pessoas o chamam de “bebê”. Ao que tudo indica, a humanidade está indo rumo a sua extinção. Uma jovem aparece grávida e passa a ser protegida por Theodore Faron (Clive Owen), um ex-ativista, e sua ex-exposa, Julian (Julianne Moore).

 

Acho que não preciso mencionar que o filme apresenta todo um clima apocalíptico. Então, para o bom aproveito do filme, é necessário que se aceite a proposta do filme: a humanidade está infértil. Passado este estágio, o filme se transforma num dos mais intrigantes do ano. Imaginar um futuro tão próximo, no qual as pessoas acreditam que o fim dos tempos está chegando, pode ser assustador. Afinal, como você viveria se acreditasse que a humanidade está a caminho da sua extinção?

 

A sociedade apresentada no filme, que vive em total desespero, é um tanto quanto assustadora. Nela, a Inglaterra é um dos pouquíssimos países que não foram devastados. Em razão disso, gente de todos os povos tentam imigrar para o País. E parece que na mesma proporção que surgem imigrantes, o Estado britânico recruta policiais para tentar manter a ordem. Vemos árabes chorando pela morte de seus filhos, árabes lutando enfurecidos, imigrantes do leste europeu mendigando por comida, casas escondidas da população, pessoas que se afeiçoam mais a animais de estimação do que ao ser humano. E o pior, muito disso já vemos nos dias atuais, o que torna o filme mais assustador. O futuro é próximo.

 

Grande parte do mérito deste filme deve ser creditada ao diretor Afonso Cuarón. Ele conseguiu fazer um filme enxuto, direto, mas que nos apresenta todas as informações necessárias. Através de detalhes visuais, e não falas, ele revela informações que não são essenciais para o desenrolar da trama, mas que são importantes para o entendimento do futuro. O espectador que estiver atento aos recortes de jornais, às fotografias, às propagandas em outdoor eletrônico, absorve melhor ainda o conteúdo do filme. Referido diretor também explora com maestria a tristeza e o desespero do mundo. Mérito maior ainda, foi o seu arrojo ao filmar cenas dificílimas em planos seqüência (sem cortes). Seu objetivo era dar mais realismo às cenas, para que o espectador se sentisse ali, sentisse que aquilo pudesse ser real. Na parte final do filme, esse recurso permite uma das cenas mais devastadoras, belas e intensas que já vi.

 

A beleza do cinema está aí. O trágico e o triste, embelezam e chocam. Drama, suspense e ação na sua melhor combinação. Algumas cenas por si só já valem o ingresso, e com louvor. Baseada no romance de P. D. James, a visão do futuro apresentada por Cuarón é nefasta e assustadora, por ser inspirada no presente, e mostrada de forma extrema num futuro tão próximo. O mundo sem a alegria de uma criança é mesmo um lugar aterrorizante. 

 

 

Nota: 8,5


Escrito por Bruno às 11h26
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TRÊS ENTERROS

 

 

Escrito por Guillermo Arriaga (de “Amores Brutos”, “21 Gramas” e “Babel”, este último com estréia prevista para 19 de janeiro do ano que vem, no Brasil), e dirigido por Tommy Lee Jones (estreante como diretor nos cinemas), o filme conta a história de um homem chamado Melquiades Estrada, que é morto e rapidamente enterrado no deserto. O corpo é encontrado e enterrado novamente no cemitério da cidade de Van Horn, oeste do Texas. Nisso, Peter Perkins (Tommy Lee Jones), capataz do rancho local, e amigo do morto, seqüestra um policial da fronteira e o força a desenterrar o corpo, a fim de levar o corpo e enterra-lo na cidade em que Melquiades nasceu.

 

O começo do filme é daqueles em que a ordem cronológica das cenas que nos são apresentadas, não é a ordem cronológica do acontecimento dos fatos. E isso é feito com eficiência, pois acaba dando uma dinâmica melhor para a história. Mesmo assim, vale ressalvar que o filme é um pouco lento, demorando para engrenar. No meio do filme em diante, quando Peter faz Mike Norton de refém, passamos a ter a mesma ordem cronológica entre as cenas apresentadas e o acontecimento dos fatos. Nesta segunda parte, é quando o filme é mais simples e direto. Foi a parte que mais me agradou, devido principalmente à relação que se dá entre Peter e Norton.

 

O que mais me agradou foi o fato de que os personagens são bastante humanos, com defeitos e virtudes. Tommy Lee Jones, o protagonista, interpreta uma espécie de boiadeiro capataz, um homem que, ao mesmo tempo que é um cara honrado e leal, é um tanto quanto maluco. Barry Pepper, que faz o vilão, tem em suas mãos um dos vilões mais humanos que já vi num filme. Sua alternância de emoções (de frio, violento e arrogante, para amedrontado, chorão e arrependido), no transcorrer da película, impressiona, graças à excelente performance do ator. Desde o início dá pra perceber que seu personagem é meio problemático, meio sem noção, mas humano. É fácil encontrar pessoas como ele no nosso dia a dia. Aqui, o vilão não é aquela pessoa sádica, que gosta de fazer o mal, mas tão somente um ser humano, que comete erros, tanto em seu relacionamento, como no trabalho. Claro que seu erro principal foi grave, e é por isso que ele é o vilão da história.  

 

Os personagens coadjuvantes também são bem desenvolvidos. A garçonete do filme, interpretada por Melissa Leo, é bem desenvolvida. A esposa de Mike Norton, também. O boiadeiro que é morto, Melquiades Estrada, interpretado por Julio Cedillo, também é bem explorado, desenvolvendo quase uma relação de pai e filho com o personagem de Tommy Lee Jones. Até o policial da cidade tem uma boa quota parte no filme.

 

Acho, porém, que esse não é um filme para qualquer público. Muitos ao assisti-lo podem achar o filme demasiadamente lento. Me preocupa quando a crítica faz muito “oba oba” em cima de um filme, pois acaba atraindo a atenção de todos, e este não é o tipo de filme indicado para um público mais pipoca. E até pra quem tem o gosto mais receptivo, o filme não é esse espetáculo todo que andaram dizendo. Eu gostei do filme, mas, pra mim, está longe de ser uma obra prima. De qualquer forma, é um filme que indico. Vale a pena dar uma conferida.

 

 

Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 17h35
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ADRENALINA

 

 

Quando Chev Chelios (Jason Statham), um matador profissional, acorda meio zonzo, descobre que foi envenenado, e que tem que manter seus níveis de adrenalina os mais altos possíveis, para retardar sua morte. Então ele decide ir atrás de quem lhe envenenou, a fim de se vingar.

 

Estamos falando de um filme de pura ação. Escrito e dirigido pelos novatos Mark Neveldine e Brian Taylor, é um filme de ação, que tenta ser de uma certa maneira estiloso. Não sei se os referidos novatos quiseram estrear impressionando, mas percebe-se claramente uma tentativa de fazer um filme estiloso. E eu diria que foi até uma tentativa bem sucedida, apesar do excesso. Como é um filme de ação, eles bolaram uma idéia, criaram muita ação dentro dessa idéia, mas deixaram espaço para apresentar um humor corrosivo, e acrescentar ao filme uma excelente e variada trilha sonora, misturando músicas de rock bem pesado e outras mais pops (“lets get it on”, dentre outras).

 

Fato é que o filme não apresenta muito conteúdo, pelo contrário. Ele se propõe a tão somente ser um filme de ação, com muita correria, porrada, perseguição, tiros e adrenalina. Ele cumpre muito bem o que propõe. Mas assim como essa é a sua virtude, também é o seu defeito. O filme dita um ritmo bastante acelerado, o que é bom dentro do seu gênero, porém, se o espectador não foi ao cinema sabendo que é um filme de ação sem conteúdo, e não aceitar o que o filme propõe, pode acabar não gostando.

 

Um probleminha que senti no filme, foi que durante este, há uma quebra do ritmo proposto, que de uma certa forma atrapalha o andar do filme. Os primeiros quarenta minutos são os melhores do filme. É muita ação, aliada a uma boa dose de informação (unicamente o necessário), fazendo o nosso tempo passar agradavelmente rápido. Porém, quando no trajeto rumo a sua vingança, Chev Chelios faz um desvio para buscar sua namorada Eve (Amy Smart), boa parte do ritmo alucinante se perde. Aliás, a partir daí, percebemos mais nitidamente como os diretores tentaram fazer um filme de ação “alá” estiloso.

 

Sobre as interpretações, tenho três observações: Jason Statham (de Carga Explosiva) está bem no papel de Chev Chelios, interpretando um puta troglodita assassino, friamente como um deve ser, e agressivamente e, até, carismaticamente, como deve ser um protagonista de filme de ação. Seu personagem nos causa a simpatia suficiente para querermos saber qual será o seu desfecho, mas não tenta cativar ninguém, acertadamente. Já a atriz Amy Smart (mesma atriz de Efeito Borboleta), interpreta uma namorada meio bobinha de Chev Chelios, chamada Eve. Achei a personagem dela muito fraquinha, não por culpa da atriz, mas por culpa da personagem mesmo. Ela foi reduzida à condição de objeto sexual, e, por conta disso, participa das cenas mais engraçadas, mas um tanto quanto surreais. Aliás, ela participa da cena mais sem noção do filme, quando ela faz sexo com Chelios em plena rua pública, lotada de pessoas. A única coisa que vale nessa cena é a reação da “platéia” que assiste a esse show íntimo. Por fim, só queria mencionar que o papel de Jose Pablo Cantillo, interpretando Verona, é um papel fácil. De cada três falas que seu personagem tem, uma é “You´re dead, mother fucker! You´re dead!”.

 

Enfim, trata-se de um bom filme de ação, com um ritmo super alucinante, mas que peca pela falta de conteúdo. Também peca pelo excesso de estilo que os diretores tentaram dar à película. Dentro do possível, sua história revela-se bem sacada, e sem ser politicamente correta, agradando nesse sentido. Se você se deixar envolver pela proposta do filme, acredito que sairá satisfeito do cinema. Pros adoradores de filmes de ação, eu recomendo. Para os que cultuam filmes estilosos, também. Já pra quem procura algo mais profundo, melhor conferir “Adrenalina” quando este chegar nas locadoras.

 

 

Nota: 7,0


Escrito por Bruno às 01h23
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PIRATAS DO CARIBE - O BAÚ DA MORTE

 

 

Somente hoje fui assistir Piratas do Caribe - O baú da morte . Demorei tanto, acredito, por conta do destino. Quando este filme estava no cinema, eu cheguei a ir lá duas vezes para assisti-lo e, em ambas, acabei chegando atrasado, tendo assistido outro filme na primeira e voltado pra casa na segunda. Então um amigo meu baixou o filme no computador, gravou num cd e trouxe aqui pra casa para assistirmos em divx mesmo, mas, quando colocamos para assistir, o vídeo tinha um codec que meu computador não reconheceu e, por isso, só dava para ver o filme sem som, não servindo pra nada. Só agora que o filme chegou em dvd nas locadoras, é que consegui assisti-lo. Mas deixemos isso de lado.

 

Primeiro tivemos o filme “Piratas do Caribe - A maldição do Pérola Negra ”, que fez um grande sucesso. Aproveitando isso, os roteiristas do primeiro tiveram a idéia de fazer uma trilogia com essa história. Aliás, ultimamente, mais do nunca, trilogia no cinema virou moda. Citando algumas, tivemos Senhor dos Anéis, Matrix, Piratas do Caribe, e, recentemente, vi o trailer do filme Eragon, que tinha a chamada “o primeiro de uma trilogia”. Agora, eu vejo duas formações para uma trilogia. Uma é quando um roteirista tem uma história grande e boa, e decide dividi-la em três partes, fazendo um filme, desde o princípio, com a idéia da trilogia. A outra é quando o roteirista faz um filme muito bom, e vê a oportunidade de dar uma continuação à história apresentada, através de duas outras continuações, formando a trilogia. Essa segunda opção apresenta alguns riscos.

 

Neste segundo filme da trilogia, podemos perceber a existência de um roteiro criado por conta do sucesso do primeiro da série. Talvez por não ter sido concebido na idéia inicial de Piratas do Caribe, a história dessa continuação se revela no filme, em alguns momentos, um pouco “sem sal”. Não estou dizendo que achei a história dele ruim, mas sim que em alguns momentos a trama da aventura fica um pouco sem graça, no sentido de sentirmos que falta algo (o filme não é sem graça, mas sua trama, em determinados momentos, se revela assim). Temos vários detalhezinhos apresentados no filme, que juntos, não produzem muito efeito no espectador. Assim, se um filme apresenta uma história com detalhes ineficazes, estes passam a ser dispensáveis, pois o espectador acaba esquecendo deles. Poderiam ter sido descartados na edição final do filme.

 

Agora, é claro que o filme também tem grandes virtudes. A história de Piratas do Caribe - O baú da morte não se limitou a ser mais do mesmo, como simplesmente copiar a fórmula de sucesso do primeiro. Pelo contrário, o filme, acredito por conta do papel de Johnny Deep como Jack Sparrow ter feito enorme sucesso no primeiro, deixa menor o foco no casal e amplia o foco no pirata Jack Sparrow. Também temos grandes efeitos especiais, que deixam o filme visualmente muito agradável. Os capangas do Capitão Davy Jones, que formam uma espécie de tropa de monstros-frutos-do-mar (caranguejo, siri, lula, com biótipo humano), tiveram seu design muito bem feito. O vilão Davy Jones, é o que aparenta ser mais assustador, fruto dos excelentes efeitos especiais e da interpretação de Bill Nighy, bastante convincente como vilão.

 

O filme também acerta na combinação entre ação e comédia. Aliás, mesmo tendo eu gostado bastante dos 10 minutos finais, o melhor do filme é o seu começo (quando Jack Sparrow está em terra firme, numa tribo canibal). Temos grandes cenas de ação misturadas com grande humor. Essa fórmula foi acertadamente copiada do primeiro filme. Em especial, gostei bastante da cena em que Jack Sparrow fica amarrado a um bambu e é atacado por frutas atiradas por alguns canibais.

 

Sobre as interpretações, Johnny Deep comanda o filme aqui. De longe, ele é o dono do filme. Sua interpretação no primeiro filme foi muito boa, e, acredito que por isso, deram mais destaque ainda a seu personagem Jack Sparrow, que continua sendo muito bem interpretado aqui. Orlando Bloom continua um ator insosso, transmitindo isso para seus personagens. Ele é o ponto franco das intepretações. Keira Knightley é uma atriz que me agrada, e, com uma personagem com menos destaque, não compromete. Bill Nighy como o vilão Davy Jones também está muito bem, sendo por diversas vezes aterrorizante, como seu personagem deve ser.

 

É um filme que me agradou no geral, mas senti que faltou eu ficar mais preso à trama da história. Em alguns momentos o filme perde o ritmo. Se comparado com o primeiro da trilogia, este segundo se enfraquece. Mas de qualquer forma, compensa pela agradável sintonia das cenas de ação com o humor, principalmente as protagonizadas por Johnny Deep. E ainda temos um final intrigante, que deixa um certo mistério no ar, causando interesse pelo desfecho da trilogia. Agora é esperar pra ver.

 

 

Nota: 7,0


Escrito por Bruno às 00h21
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TOTALMENTE KUBRICK

 

 

Em 1998, durante as filmagens do “De olhos bem abertos”, em Londres, um homem chamado Alan Conway se fez passar pelo lendário diretor Stanley Kubrick, aproveitando a fama de recluso deste, e passou a ter as portas abertas para freqüentar as festas, restaurantes, e nightclubs mais badalados da cidade. Fato ou ficção? Por incrível que pareça, fato. E é essa a história de “Totalmente Kubrick”.

 

Nessa época, Kubrick quase não aparecia na mídia e dava pouquíssimas entrevistas para a imprensa. Foi sabendo disso que, apesar de não ser nada parecido com Kubrick, Conway começou a aplicar os seus golpes, mesmo sabendo muito pouco sobre cinema e sobre os filmes de Kubrick. A película até que explora bem essa história inusitada, talvez por conta de seu roteirista, Anthony Frewin, ter sido assistente pessoal de Kubrick quando este ainda era vivo, e do diretor Brian Cook, ter sido diretor-assistente de Stanley em “O Iluminado” e “De olhos bem fechados”.

 

Só essa idéia (fazer um filme sobre a época dos golpes de Conway) já é merecedora de elogios. Além disso, temos uma trilha que nos remete aos clássicos de Kubrick, como “Laranja Mecânica”, “2001 - uma odisséia no espaço” e “Barry Lyndon”. Mas o filme também tem alguns contras. Em determinados momentos, o filme fica bastante repetitivo e, me arrisco, até banal. E olha que o filme só tem 86 minutos. Dá a impressão de que falta algo mais ao filme, apesar de que mesmo assim, ele consegue nos prender, principalmente por conta de John Malcovich.

 

John Malcovich, aliás, foi acertadamente escalado para fazer o papel de Alan Conway. O que nos evita cansar em alguns momentos do filme, é justamente John Malcovich interpretando de forma engraçada, descarada e irônica, um bizarro Conway, que volta e meia engana todos por uma garrafa de vodca e um maço de cigarros. Fato interessante é que, ultimamente, Malcovich vem se engajando em fazer filmes mais alternativos, pegando quase sempre papéis complicados como este.

 

Mesmo sendo repetido em alguns momentos, e mostrando de forma rápida e superficial os golpes de Conway, é um filme que causa certa curiosidade por sua história inusitada, e que faz algumas referências e brincadeiras com a obra do mestre Kubrick. Enfim, é mais um drama, com toques de humor britânico (ou melhor, acho que seria mais uma comédia, com toques de drama), que vale um pouco a pena dar uma conferida, nem que seja a título de curiosidade.

 

 

Nota: 6,0


Escrito por Bruno às 13h16
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