Cine No Pretensions


QUASE VIRGEM

 

 

 

Existem filmes que são tão ruins, mas tão ruins, que é preciso que alguém que assistiu alerte toda a comunidade da bomba em questão. Em um momento de pura infelicidade, aluguei “Quase Virgem”, e me arrependi profundamente. Por isso, tecerei breves comentários para que ninguém (ou pelo menos nenhum leitor deste blog) cometa a mesma burrada que cometi.

 

Ed Waxman (Brendan Fehr) é um publicitário que passou a vida inteira registrando tudo que acontece ao seu redor com uma câmera, tendo uma coleção enorme de filmes caseiros feitos por ele mesmo. Após ser traído por sua namorada, ele fica abalado e decide nunca mais filmar nada. Depois de um ano sem sexo para Waxman, e ainda deprimido por conta da traição, seu irmão Cooper (Cris Klein) entra em cena e decide levá-lo para um final de semana com muitas festas e mulheres.

 

Os melhores momentos do filme são no começo (primeiros cinco minutos), quando são mostrados vários vídeos caseiros que Waxman registrou ao longo da vida (vídeos parecidos com os do “videocassetadas”), no finalzinho, quando são mostrados outros dois minutos de videocassetadas, e, por fim, os erros de gravação. Isso é tudo o que salva no filme. O resto é absolutamente descartável.

 

O roteiro é confuso, mal estruturado e sem graça, e a direção é até esforçada, mas de mau gosto (temos alguns trocadilhos visuais feitos entre as situações vividas pelos personagens e os vídeos caseiros que são até engraçadinhos, mas a grande maioria é simplesmente nojenta). As atuações são fracas, uma vez que Brendan Fehr não convence ao tentar parecer depressivo, e Cris Klein (de American Pie) está mais sem graça do que nunca (salvo numa cena que se passa na Igreja, que dá até pra rir um pouquinho).

 

Um filme chulo, nojento, sem graça, mal filmado, que não devia ser assistido por ninguém. Não queria nem ter comentado sobre este filme, mas sinto que é meu dever alertar quem ainda não assistiu. Para os que já assistiram, desejo meus mais sinceros pêsames.

 

 

Nota: 1,0


Escrito por Bruno às 23h10
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MIAMI VICE

 

 

 

Michael Mann, diretor e roteirista deste filme, é um daqueles diretores que possuem uma filmografia bastante sólida. Quase todos os seus filmes me agradam. O último dos moicanos, Fogo contra fogo, O informante, Ali, Colateral e agora Miami Vice são todos filmes consistentes. Claro que uns são melhores que os outros, mas todos são grandes filmes.

 

Baseado na série Miami Vice (série esta que nunca assisti, por isso não tenho base para nenhuma comparação), que era produzida também por Michael Mann, o filme em comento é denso e realista. Apresenta toda uma atmosfera sombria, com uma certa aparência de filme noir, e tem um realismo impressionante nas cenas de ação. Contudo, o fato do filme ser desnecessariamente longo incomoda um pouco.

 

O começo do filme já é intrigante. Começa sem créditos, mostrando de cara uma boate ao som de “Numb/Encore” (falarei da trilha sonora mais adiante), onde se encontram os detetives James “Sonny” Crockett (Colin Farrel) e Ricardo Tubbs (Jamie Foxx), que estão trabalhando em uma investigação. O início é assim mesmo, não há uma introdução aos personagens, não há uma chamada para o título, nada. Os créditos do filme só são mostrados no final. Resumindo um pouco a história do filme, os detetives mencionados se infiltram no mundo do tráfico de drogas, tentando desmascarar um cartel de narcotráfico comandado pelo chefão Jesús Montoya (Luis Tosar).

 

O filme também é dono de uma fotografia exuberante, que é de encher os olhos. Mérito também para as filmagens feitas por câmeras digitais, as quais deram um realismo enorme ao filme. Em um tiroteio que tem no filme, a impressão é de estar assistindo uma guerra ao vivo. Outro ponto positivo do filme é a sua trilha sonora, que com várias músicas excelentes, dá força e um certo equilíbrio à película.

 

Porém o filme também tem pontos negativos. Sua trama é rasa, e o maior aprofundamento que se tem na história toda é na relação entre Sonny (Colin Farrel) e Isabella (Gong Li), que ainda assim não é tão bem explorada. Outro problema é o excesso de tempo do filme. O fato do filme ser grande não costuma me incomodar, desde que o tempo seja bem preenchido. Agora aqui algumas cenas, por serem demasiadamente longas, claramente poderiam ter sido cortadas, ou pelo menos editadas, o que não prejudicaria nem o andamento da trama nem a beleza do filme.

 

Sobre as atuações, na dupla principal Colin Farrel é o que mais se destaca, por ter mais espaço no roteiro, mas ainda não é suficiente para dizer que ele tem uma atuação marcante no filme. Já Jamie Foxx, com espaço menor, mesmo sendo um ator talentoso, aqui só faz cara de mau e de durão em quase todo o tempo. Gong Li tem a melhor personagem do roteiro, e tem uma atuação convincente, mas ainda assim colhe o resultado da falta de profundidade de todo o filme.

 

Enfim, apesar de longo e com um roteiro não tão bom, mas com uma direção impecável, Michael Mann nos traz um filme mais sombrio e realista. Seu grande problema é a superficialidade da trama. Dos últimos seis filmes de Michael Mann, talvez este seja o que menos me agradou, o que não chega a ser nenhum problema, visto que gosto muito de sua filmografia. De qualquer forma, caso alguém tenha perdido o filme nos cinemas como eu perdi, recomendo que corra logo à locadora mais próxima.

 

 

Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 01h27
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OBRIGADO POR FUMAR

 

 

 

Obrigado por fumar é um filme inteligente e divertido. Com algumas críticas ácidas e um humor eficiente, que apresenta pitadas de humor negro, ele consegue agradar a quase todo tipo de público. Trata-se de um filme muito bem escrito, muito bem dirigido e muito bem interpretado.

 

O filme acompanha a história de Nick Naylor, porta-voz de uma grande companhia de cigarros, que tem como função sempre promover o fumo e o consumo de cigarros, além de se fazer presente em debates a fim de defender os interesses tabagistas. Naylor também procura um tempo para passar com seu filho e tenta até servir de modelo para ele.

 

Sátiras e alfinetadas à cultura global do consumismo não faltam aqui. Fazendo uso da manipulação de informações, é possível passar qualquer mensagem, aparentando estar sempre correto. O filme deixa isso bem claro. Por exemplo, o personagem principal, Nick Naylor, interpretado por Aaron Eckhart, tem uma filosofia interessante quando o assunto é debate. Em uma discussão ou debate, não interessa o conteúdo do que você está dizendo, se você o disser da maneira correta, então você sempre estará correto, sempre irá parecer correto. Em uma conversa com seu filho, ele diz “that´s the beauty of argument, if you argue correctly, you´re never wrong”. Pensando e agindo assim, ele consegue vencer todos os debates que participa. Muitos advogados gostariam de ter esse talento nato.

 

O humor negro também se faz presente aqui, principalmente nas reuniões do grupo intitulado “Mercadores da Morte”. Este grupo é composto por Nick Naylor, porta-voz da indústria do tabaco, Polly Bailey, porta-voz da indústria de bebidas alcoólicas, e Bobby Jay, porta-voz da indústria das armas de fogo. Moralismo invertido e non sense não é o que falta nas conversas deles. Pra se ter uma idéia, em uma discussão eles comparam e se vangloriam de qual indústria mata mais pessoas por ano.

 

O roteiro do filme, assinado por Jason Reitman, é muito bem bolado e estruturado, e a direção, também de Reitman, é impecável. Ele soube dosar bem a comédia com as situações que envolvem um pouco mais de drama, mas sempre dando mais ênfase ao humor. Mérito também para o elenco do filme, que contribui muito para a sua qualidade. Aaron Eckhart como personagem principal da trama está excelente. E o elenco de apóio também é da maior qualidade. São vários nomes, como Maria Bello, David Koechner, William H. Macy, Rob Lowe, Adam Brody, Robert Duvall, dentre outros. Destaque para Cameron Bright (que já tem uma bela bagagem cinematográfica, pra um ator mirim), que faz o filho de Naylor, e para Katie Holmes (destaque por ser seu último papel antes de se casar com Tom Cruise, e agora sabe-se lá quando ela atuará de novo), a qual faz o papel de uma jornalista que se envolve com Nick Naylor.

 

Enfim, “Obrigado por Fumar” é um ótimo filme, que satiriza vários temas. Ele não pode ser visto resumidamente como um filme para se discutir a polêmica em torno da indústria do tabaco. E muito menos como um filme que faz apologia aos cigarros. É sim um filme que satiriza a capacidade de manipulação de informações, que é suficiente para defender qualquer coisa, inclusive a apologia ao uso de cigarros. Entendido sobre este ângulo, o filme é realmente excelente.

 

 

Nota: 8,0


Escrito por Bruno às 14h10
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DIAMANTE DE SANGUE

 

 

Diamante de sangue, dirigido por Edward Zwick (diretor de “O último samurai”), é um filme poderoso. Estrelado por Leonardo Di Caprio, que está ótimo, Jennifer Connelly, sempre competente apesar de discreta aqui, e Djimon Houson num papel interessante, o filme é assustador, impactante, tenso e belo, além de ser, até exageradamente, denuncista. Aliás, talvez o excesso de denuncismo e o longo tempo de duração do filme que sejam os responsáveis por este filme não ser espetacular.

 

O filme se passa em Serra Leoa, no final da década de 90. Desde que eclodiu a guerra civil em 1995, o país passa a viver um intenso caos. No meio deste cenário, um homem chamado Solomon Vandy (Djimon Houson) é separado de sua família, e obrigado a trabalhar num campo de mineração de diamantes, onde ele encontra uma pedra muita rara, e a esconde. Danny Archer (Leonardo Di Caprio), um mercenário africano que contrabandeia diamantes, descobre sobre o diamante encontrado por Solomon e oferece ajuda para ele encontrar sua família, em troca de ele ajudar Archer a encontrar o diamante precioso. Ainda no contexto, surge a jornalista Maddy Bowen (Jennifer Connelly) que investiga sobre o comércio ilegal de diamantes.

 

O filme não é precisamente sobre a guerra civil em Serra Leoa, mas sim sobre um homem humilde tentando reencontrar sua família, e um contrabandista mercenário querendo se apossar de um precioso diamante, tudo isso com a guerra civil de fundo. Mas claro que há espaço de sobra para mostrar a guerra civil, que aliás nos é mostrada de forma muito crua e aterrorizante. Vemos pessoas sendo amputadas, crianças sofrendo lavagem cerebral para se tornarem verdadeiros soldados e mortes atrás de mortes. As imagens são fortes. Sobre a trama em si, não vou entrar muito no mérito para não prejudicar quem ainda não assistiu.

 

Apesar de misturar ação e drama, e até um pouquinho de humor, o diretor Edwar Zwick preferiu dar um enfoque maior na ação e na tensão. Talvez seja por isso que o filme não é tão profundo quanto poderia ser. O filme transmite uma mensagem importante, e se posiciona sobre o assunto, qual seja, os diamantes de sangue (diamantes vendidos ilegalmente, que financiam o contrabando de armas na guerra). O próprio título do filme já passa essa idéia. O problema, é que ao longo do filme, essa mensagem nos é transmitida reiteradas vezes, e ainda no final, há uma mensagem desnecessária (acho que todo mundo já tinha entendido o recado), reforçando mais ainda a denúncia, o que acaba cansando um pouco o espectador. O filme ainda tem uma beleza incrível, sobretudo quando chega na reta final, quando a fotografia do filme é de encher os olhos. Realmente me agradou muito.

 

Quanto aos personagens e às atuações, começo falando de Leonardo Di Caprio. Interpretando um personagem que é quase um anti-herói (seus idéias não são nobres), Di Caprio está magnífico. Ele consegue dar a intensidade exata ao seu personagem, e ainda está com um sotaque impecável no filme. Aliás, realmente estou abismado com Di Caprio. Só este ano, foram duas interpretações dignas de um Oscar. Não sei se ele vai ganhar, mas caso ganhe não será nenhuma surpresa. Djimon Houson tem um papel interessante em mãos. Ele é um pai de família honesto, que só quer estar com sua família reunida, e fará de tudo para conseguir seu objetivo. Houson está muito bem no filme, porém em algumas cenas que envolvem um drama maior, ele exagera. Ao contrário de sua atuação em “Terra de Sonhos”, que é recheada de sutileza, em “Diamante de Sangue” há algumas cenas que ele podia ter sido mais sutil. Tem algumas cenas que seu personagem, enfurecido, se expressa gritando, o que cai muito bem. Mas algumas outras cenas, onde seu personagem poderia ser mais sutil, ele acaba exagerando em meio a gritos também. Já Jennifer Connelly tem um papel mais coadjuvante e discreto. Não sei de quem foi a opção, mas fato é que sua personagem poderia ser mais trabalhada. De qualquer forma, apesar de discreta, ela é competente em seu papel.

 

Mesmo sendo longo, e exageradamente denuncista, o filme é forte e impactante. Sei que muita gente não gosta do Edwar Zwick, mas eu particularmente não tenho nada contra ele. Aliás, os filmes dele que envolvem de alguma forma guerra, como “Tempo de Glória” e “O Último Samurai” me agradam bastante. Diamante de Sangue é mais um deles, ainda que não esteja no nível dos filmes citados anteriormente.

 

 

Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 20h03
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O SILÊNCIO DE MELINDA

 

 

É o primeiro dia de aula de Melinda Sordino no primeiro ano do colegial e praticamente ninguém quer conversar com ela. Ela está isolada por todos os seus amigos, por ter ligado para a polícia durante uma festa que acabou devido a essa ligação. A jovem não consegue falar pra ninguém o motivo dela ter ligado para a polícia. Ela passa grande parte do ano todo em silêncio, mas aos poucos passa a procurar um meio de se expressar.

 

Infelizmente este é um mais um daqueles filmes que eu tenho que falar de uma maneira bem generalizada, a fim de evitar spoilers. Enfim, é um filme que trabalha em cima do trauma que uma garota sofreu durante uma festa, e como ela lida com este enorme trauma. Melinda, interpretada por Kristen Stewart, passa a ser excluída por todas as suas antigas amigas, e passa a ser alvo de piadas e palhaçadas. Ele está sempre com uma fisionomia triste e meio depressiva. Mas ao longo do filme, ela começa a se soltar através de desenhos, de algumas poucas conversas e conselhos, e após muita reflexão.

 

O filme fica todo nas costas da personagem principal, Melinda, que é muito bem interpretada por Kristen Stewart (uma belíssima promessa). Esta atriz faz o filme funcionar. Não só sua personagem é a principal, como ela também é a narradora. Assim, o filme todo nos é mostrado sobre o ponto de vista dela. Sua personagem é muito bem trabalhada e desenvolvida no filme. Quanto mais a trama do filme progride, mais sua personagem cresce e fica forte.

 

O filme ainda conta com um elenco coadjuvante bastante interessante e eficiente, o qual consegue criar o espaço necessário para a personagem Melinda brilhar. Destaque para o ator Steve Zahn, que está muito bem no filme como o professor de artes de Melinda. Ele é um dos responsáveis por fazer ela aos poucos reencontrar um meio de se expressar. O filme também possui uma direção precisa e eficiente de Jessica Sharzer, a qual também assina o roteiro, que é excelente e progride muito bem. Ela consegue fazer o espectador ficar ligado no filme inteiro, e cada vez mais entramos no mundo de Melinda. Vale lembrar que este filme é uma adaptação do livro “Speak”, escrito por Laurie Halse Anderson.

 

Apesar de ser um filme curto, ainda há espaço para retratar a juventude americana. Na escola de Melinda, os adolescentes, com algumas poucas exceções, são fúteis, rasos e entre eles existem várias “tribos”, que são mostradas até de uma forma caricata. Sei que não podemos generalizar, mas que essa realidade mostrada no filme reflete boa parte da juventude americana reflete. Ainda bem que somos brasileiros.

 

Enfim, dentro da sua proposta este filme é excelente. Apesar de ter uma temática adolescente, o principal do filme é a superação de um trauma que uma adolescente viveu. Um filme que chega a nos chocar, mas ao mesmo tempo nos comove e ganha a nossa reflexão. Recomendadíssimo.

 

 

Nota: 8,0


Escrito por Bruno às 01h39
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007 - CASSINO ROYALE

 

 

 

Começo falando que nunca fui nenhum fã da franquia James Bond. Acho que foi por isso que demorei tanto para ir ao cinema conferi-lo. Também não tenho muito gabarito para poder falar dessa franquia, porque este é apenas o quarto filme sobre o 007 que eu assisti (existem uns vinte filmes baseados no agente britânico). Acho que o que mais me incomodava eram os exageros absurdos, o excesso de parafernálias de tecnologia avançadíssima e as características do James Bond (ser todo galã, certinho, especialista em tudo, enfim, mocinho demais). Por isso, nunca procurei assistir os demais filmes dessa franquia. Acho que no final das contas, eu ficava satisfeito somente com a fala “Bond. James Bond”. Mas esse não é o caso do filme em comento.

 

O que mais me agrada nesse filme, é a forma como o James Bond é. Um cara que escorrega, toma tombo, erra, é frio quando deve ser, mas humano em outras situações mais emotivas, e no que diz respeito ao seu trabalho, é um cara mau e eficaz. Eu gosto muito mais do herói açougueiro do que do herói mocinho. E o novo James Bond se enquadra na primeira categoria. Interpretado por Daniel Craig, o novo Bond é loiro, arrogante, forte e brutal. Uma reformulação completa.

 

O filme mostra o agente no começo de carreira, quando ele acaba de ser promovido a 00. O agente britânico se envolve numa investigação, e acaba tendo que ficar de olho em Lê Chiffre, um vilão que chora lágrimas de sangue e está envolvido com organizações terroristas de vários países e que pretende conseguir dinheiro em um jogo de pôquer milionário em Montenegro, no Cassino Royale. Bond é enviado para esse jogo para ganhar de Lê Chiffre, e desmontar suas organizações criminosas.

 

O começo do filme já é recheado de muita ação. Logo no início, o agente acaba perseguindo um sujeito que se movimenta com a mesma habilidade do homem-aranha. Nessa hora, o desajeitado e sem talento é James Bond, enquanto o rapaz que está fugindo dele faz tudo certo. O realismo em torno de Bond é notório em toda a película. Suas corridas o cansam, suas brigas são realistas, ele se machuca mesmo e, mesmo a gente sabendo que ele vai se dar bem, temos a sensação de que ele pode se dar mal.

 

Como boa parte do filme se passa no cassino, poderia ser que o filme perdesse bastante o ritmo que o gênero de ação propõe, durante o jogo de pôquer. Apenas poderia. Aqui é o momento de se tirar o chapéu para o diretor deste filme, Martin Campbell. Ele consegue manter uma certa tensão durante todo o jogo de pôquer, e durante os intervalos das partidas, impõe um ritmo de ação alucinante. Mais um mérito para o filme.

 

As atuações, todas me agradaram. Daniel Craig como o novo Bond está ótimo. Em todas as cenas ele dá o tom certo para o personagem (desde quando ele é frio e durão, até quando ele abre o coração). Eva Green (que começa a construir uma carreira belíssima) interpretando a personagem Vésper Lynd também me agradou. Mads Mikkelsen, que faz o vilão Lê Chifrre também encarna seu papel muito bem. Aliás, seus olhares durante o filme impõem respeito. O restante do elenco como um todo também me agradou.

 

Não quero comentar ainda mais sobre a trama do filme, para não estragar a diversão de quem ainda não assistiu, mas posso afirmar que o mais fraco do filme é justamente a trama, que deixa a desejar. Não que ela seja ruim, mas é que ela se revela um pouco confusa, e apenas não está no nível de qualidade do filme como um todo. O roteiro do filme poderia ser um pouco mais enxuto, acho que teve algumas cenas desnecessárias.

 

O filme ainda tem uma trilha sonora bacana, com a música tema cantada por Chris Cornell, agradando bastante. O novo James Bond está ótimo. Talvez não agrade seus fãs mais fiéis, mas para aqueles que gostam de um bom filme, e não possuem nenhum fanatismo “bondiano”, é mais do que recomendado. Seu sucesso nas bilheterias confirma tudo isso. O filme já arrecadou mais de US$ 300 milhões. Tudo bem que nem sempre grande bilheteria combina com qualidade cinematográfica. Mas nesse caso combina.

 

 

Nota: 7,5


Escrito por Bruno às 00h54
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NACHO LIBRE

 

Dirigido por Jared Hess (mesmo diretor de Napoleão Dinamyte), o filme conta a história de um frade chamado Nacho (interpretado por Jack Black, engraçado como sempre), que foi criado num monastério mexicano em Oaxaca, e sempre nutriu um amor pela luta-livre estilo telecatch. Quando a irmã Encarnación chega no monastério, Nacho vê uma boa oportunidade para impressioná-la e ao mesmo tempo arrecadar um dinheirinho pro monastério, colocando sua máscara para lutar num torneio.

 

Pelo fato desse filme ser dirigido por Jared Hess, minhas expectativas eram grande, pois este diretor fez o filme “Napoleão Dinamyte” com míseros US$400 mil e conseguiu um resultado fantástico. Napoleão Dinamyte é sem noção, engraçado e ao mesmo tempo melancólico. E essa mistura deu muito certo. Agora em “Nacho Libre”, o diretor não consegue repetir a dose. Com um orçamento de US$ 32 milhões, talvez o diretor tenha se desguiado um pouco, e perdido o rumo do filme anterior, por tentar ser mais grandioso. Em “Nacho Libre”, temos algumas piadas e cenas engraçadas, mas o humor é menos presente, os personagens são mais estranhos e a trama principal é menos verossímil que em “Napoleão Dinamyte”.

 

Ainda assim, o filme é bom. O personagem de Jack Black é divertido, atrapalhado, ingênuo, de bom coração e com boas intenções. Seu amigo de lutas, o “esqueleto” também tem lá seus momentos. Aliás, o melhor desse personagem é que quase toda vez ele está comendo um milho no espeto, com catchup e maionese. Apesar de isso ser sutil, e até besta, toda cena que ele aparece com esse espetinho de milho, com catchup e maionese me fez rir bastante. Agora, acho que o diretor tentou implantar em seu personagem a mesma melancolia que o personagem Pedro de “Napoleão Dinamyte” tinha, mas nesse aspecto não deu muito certo.

 

Sei que estou soando chato, fazendo tantas comparações deste filme com Napoleão Dinamyte, mas me parece que o diretor tentou repetir aqui a mesma fórmula, porém errou em algum ponto. O filme não é ruim. Pelo contrário, me agradou, mas dessa vez o resultado não foi tão cool. De qualquer forma vale a pena dar uma conferida. Tem um humor sem noção, meio excêntrico e até besta, mas que consegue divertir no final das contas.

 

 

Nota: 6,5


Escrito por Bruno às 02h01
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