Cine No Pretensions


JESUS CAMP

 

 

 

O mês de fevereiro, bem como o de janeiro, foi bastante proveitoso pra mim. Pude assistir um bom número de filmes (e a grande maioria bons), sendo vários deles indicados a alguma categoria do Oscar. Como nunca dá pra escrever sobre todos os filmes que vejo, quem estiver curioso pode conferir minhas estimativas dos filmes que assisti, clicando em Minhas Estimativas. Tem alguns filmes que talvez eu comente mais pra frente. Sobre Jesus Camp, indicado à categoria de melhor documentário no Oscar, posso afirmar que foi uma agradável e assustadora surpresa.

 

O documentário é sobre um acampamento evangélico, que acontece todo verão na Dakota do Norte, chamado “kids on fire”, o qual é comandado pela pastora Becky Fischer. No filme, temos conhecimento de como aquelas crianças são doutrinadas religiosamente e politicamente, num ambiente de imenso fanatismo cristão.

 

Como falei, assistir esse filme foi uma agradável, mas principalmente, assustadora surpresa. Assustadora porque vemos crianças sofrendo uma verdadeira lavagem cerebral e, indefesas, passam a agir como cordeirinhos adestrados. Para se ter uma idéia, crianças de seis a onze anos de idade, ouvem que a ciência é uma mentira, que o aquecimento global é um mito da ciência, que é muito mais fácil acreditar e aceitar o criacionismo, que a teoria da evolução está errada, pois não descendemos dos macacos (“não acredito que eu vim de um ser viscoso”, diz um pastor). O triste é que tudo isso é ensinado principalmente pelos próprios pais, os quais estimulam os filhos até a ignorarem seus professores, se estes criticarem o criacionismo. E o pior de tudo, uma criança, a qual não tem um correto discernimento das coisas, é capaz de absorver e inclusive reproduzir qualquer idéia que lhe for passada, principalmente se passada pelos pais ou pelos pastores (devido ao peso de sua influência nessas comunidades). Muito assustador e impactante. Assistir uma criança chegando para um desconhecido e falando “eu senti que Jesus me disse que eu tinha que falar com você sobre a existência Dele” ou “eu senti Jesus me guiando, como se Ele tivesse tocando o meu braço, quando eu escrevi o meu discurso”, me gelou a espinha.

 

E o pior, eles têm uma influência e um impacto na política dos EUA ainda mais assustadores. Em um estado democrático (e os EUA se considera exemplo de democracia), é vital a separação de estado e igreja, ou seja, um estado laico. Agora, a influência que a religião tem sobre a política deles é totalmente percebível. A religião cristã tem um posicionamento determinado para vários temas políticos (que também são temas cristãos), e em todo debate destes temas, os republicanos estão de acordo com os ideais cristãos (pelo menos os desse grupo evangélico, mostrado no documentário). E, hoje, os republicanos são maioria nos EUA. Hoje, eles têm um presidente que fala abertamente sobre suas crenças, e as usa inclusive em vários dos seus discursos, principalmente nos que envolvem a guerra do Iraque. Aliás, sobre o presidente Bush, vemos no filme uma cena em que o pessoal do acampamento leva uma imagem em tamanho natural do Bush, e as crianças são estimuladas a tocar na imagem, a rezar por ele (inclusive numa “língua que o homem não entende”) e a venerá-lo. Esse é o tipo de lavagem que as crianças sofrem no acampamento.

 

Um momento de comédia, mas que é um tanto quanto pitoresco, é quando as crianças são induzidas a não ler nenhum livro nem ver nenhum filme sobre o Harry Potter, afinal, ele é um bruxo, e bruxos são discípulos do demônio. Dá pra acreditar nisso?

 

A pastora Becky, organizadora do acampamento, chama essas crianças de “soldados do exército de Deus”. Acho que foi uma definição praticamente perfeita. Soldado, a grosso modo falando, simplesmente cumpre ordens, não as questiona, não faz um exercício crítico sobre o que lhe está sendo dito, e se isso é correto. Simplesmente faz. E essas crianças infelizmente serão isso mesmo, estando fadadas a reproduzir de maneira fundamentalista, e até deturpada, a palavra do Senhor.

 

 

Nota: 9,0


Escrito por Bruno às 23h35
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OSCAR 2007

 

                 

                           

 

O tão aguardado Oscar divulga os vencedores amanhã, então nada melhor do que compartilhar meus palpites, falar pelo menos um pouquinho dos principais filmes, e apontar os favoritos e os meus preferidos, os quais nem sempre coincidem com os que acho favoritos.

 

Sobre os cinco que concorrem na categoria de melhor filme, temos Cartas de Iwo Jima, Os Infiltrados, Pequena Miss Sunshine, Babel e A Rainha. Cartas de Iwo Jima é um excelente filme de Clint Eastwood, que fez simultaneamente “A Conquista da Honra”, o qual também é bom. Porém, mesmo Clint tendo feito dois filmes sobre o mesmo tema, mostrando o lado de cada um na guerra, e mesmo Clint gozando de grande prestígio na Academia, acredito que Cartas de Iwo Jima não tem tanta força assim para vencer, primeiro porque o buzz em cima dele não está tão grande, segundo porque o filme não é nenhuma obra prima (pois obras primas sobre guerras são sempre favoritos). Os Infiltrados é a mais boa forma de Scorsese traduzida numa película. O filme é espetacular, o roteiro também é ótimo, e as atuações são excelentes. O grande problema é que o filme é de Scorsese (há sempre aquela impressão de que a Academia implica com seus filmes), e não é um filme de drama (gênero preferido da Academia), e ainda o buzz em cima dele não está mais tão grande. Pequena Miss Sunshine é o filme indie que vem comendo pelas beradas, e pode acabar sendo a grande surpresa da noite. Um grande elenco (inclusive ganhou o prêmio de melhor elenco, pelo Sindicato dos Atores, o que fortalece mais ainda o filme), com grandes interpretações, e uma história simples, mas muito agradável. Babel, apesar de muita gente estar achando que é vitória certa, acredito que é um dos que menos tem chances, mas claro isso é minha opinião, e como não vivo de opinar, é bem possível que eu esteja errado. Mas não acredito em sua vitória, primeiro porque o buzz em cima dele vem caindo muito, segundo porque, apesar dele ter ganhado a categoria de melhor filme no Globo de Ouro, ele foi esnobado em todas as demais, terceiro porque o filme se assemelha um pouco com “Crash”, e acredito que a Academia não repetirá a polêmica do ano passado, e quarto porque o filme realmente não é tão bom assim. Apesar de poder ser considerado um filme poderoso, ele não me parece ter cativado a maioria (inclusive eu). A Rainha é um bom filme, que mostra os bastidores da morte da Princesa Diana, e que tem uma interpretação magistral de Helen Mirren. Porém, o filme é seco, frio, com uma pitadinha de humor, mas que não passa de um bom filme, e que não emociona (talvez intencionalmente). Como não teve muito buzz, e nem é tão grandioso como outros concorrentes, acredito que só vencerá se a Academia quiser atacar de clássica, e se quiser fazer uma surpresa mesmo.

 

Bom, previsões, palpites e preferências: em um ano muito concorrido (todos os concorrentes a melhor filme, teoricamente, têm boas chances), acredito que Os Infiltrados será o vencedor na principal categoria (melhor filme). Acredito que o único que possa desbancá-lo é Pequena Miss Sunshine, mas ainda assim acredito na vitória do filme de Scorsese (e estarei torcendo por ele, por ser meu preferido mesmo). Na categoria de diretor, acredito que Martin Scorsese finalmente ganhe a tão merecida estatueta. Não vejo adversários para ele, talvez no máximo o Eastwood poderia surpreender, mas realmente acho isso extremamente improvável. Estarei na torcida pelo Scorsese. Na categoria de melhor ator, não vejo ninguém tirando o caneco de Forrest Whitaker. Antes de ver o excelente O Último Rei da Escócia, eu estava torcendo pro Di Caprio, por ele ter tido duas excelentes interpretações no mesmo ano. Mas depois de ver Whitaker encarnando o ditador Amin com perfeição, fica impossível não achar merecida a sua premiação. Na categoria de melhor atriz, Helen Mirren é a aposta mais certa, e simplesmente acho impossível qualquer surpresa aqui. Em ator coadjuvante e em atriz coadjuvante, pelo buzz todo que já foi feito, mais por todos os prêmios que já levaram, acredito que os vencedores serão respectivamente Eddie Murphy e Jennifer Hudson, por Dreamgilrs. Eu confesso que adoraria ver Mark Wahlberg ganhando na categoria de ator coadjuvante, mas não acredito que isso aconteça. Na categoria de roteiro original, eu assumo que estou divido entre Pequena Miss Sunshine e Babel, acho que está meio parelha, e ainda tem A Rainha como possível vencedor, então está muito disputada, mas já que tenho que arriscar, talvez aposto em Pequena Miss Sunshine. Em roteiro adaptado, acredito que dê Os Infiltrados, não vendo outro filme que possa ganhar dele. Por fim, aposto minhas fichas no bacana Carros, na categoria de melhor filme de animação, aposto no ótimo Uma Verdade Inconveniente na categoria de melhor documentário (mas, pra mim, o melhor documentário é o Jesus Camp, porém não imagino o filme de Al Gore perdendo), e aposto no fantástico O Labirinto do Fauno, na categoria de melhor filme estrangeiro. Taí, meus palpites ficam somente nessas categorias. Acho que deu pra perceber que eu acredito que Os Infiltrados será o grande vencedor do ano, e estarei na torcida pra que isso aconteça. Tomara que o grande Scorsese não seja esnobado mais uma vez.


Escrito por Bruno às 18h49
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BABEL

 

 

 

Os últimos dias vêm sendo muito agitados. O Oscar acontece no domingo, dia 25, e, por isso, estou assistindo o maior número possível de filmes indicados, o que resulta em menos tempo pra eu escrever aqui (mas isso é temporário, domingo acaba). Babel, indicado nas categorias de melhor diretor, melhor atriz coadjuvante, melhor roteiro original, melhor trilha sonora, melhor edição e, por fim, melhor filme, foi um dos que assisti nos últimos dias.

 

A estória do filme é a de um “acidente” provocado por um tiro disparado por uma criança, que acerta uma americana, em solo marroquino. Esse acontecimento acaba gerando conseqüências no próprio Marrocos, no México e no Japão.

 

Começo dizendo que fiquei decepcionado com o filme. Primeiro porque, mesmo o filme tendo sido criticado negativamente por muita gente, ele foi indicado a várias categorias do Oscar, e, não esqueçamos, venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme, e no final das contas não correspondeu às minhas expectativas. Segundo porque seu diretor é Alejandro Gonzáles Iñarritu, o qual dirigiu “Amores Brutos” e “21 Gramas”, dois filmes que eu gostei bastante, e aqui ele deixa a desejar. Terceiro porque fiquei com a impressão de que o filme poderia explorar melhor o talento de alguns atores, que aparecem discretamente, como Gael García Bernal e Brad Pitt (menos que o outro).

 

Outro aspecto negativo do filme é o fato de que vemos tragédias atrás de tragédias (quase todas causadas pela falta de comunicação), sem sermos cativados pelo filme. Tragédia por tragédia, eu descarto. Um filme pode ser baseado inteiramente em tragédias, que não haverá problema nenhum. Mas é importante estarmos “conectados” ao filme, a sua trama. Por exemplo, se sou cativado em um filme trágico, eu sofro com sua tragédia, eu sofro com o sofrimento dos personagens, eu sinto algo. Em Babel, eu simplesmente estive indiferente (repito: no sentido de que não fui suficientemente cativado) a todas as tragédias.

 

Outro ponto importante a se mencionar é a semelhança de Babel com outros filmes. Teve muita gente dizendo “se você gostou de Crash, vai amar Babel”, “se você odiou Crash, também odiará Babel”. Isso pode ter acontecido com alguns, mas não é necessariamente uma regra. Exemplos? Eu gostei de Crash (mas não a ponto de achar sua vitória no Oscar merecida) e achei Babel apenas mediano, ou seja, não amei. Minha namorada detestou Crash, e também achou Babel apenas mediano, ou seja, não detestou. Agora, é verdade que há algumas semelhanças mesmo com o filme mencionado, mas semelhanças com o que há de ruim em Crash. Em Crash, há uma ligação entre vários acontecimentos, entre a história de vários personagens. Só que há tempo suficiente para se identificar com eles. Você vê, por exemplo, um policial sendo estúpido no trabalho, mas vemos o que se passa em sua casa, sentimos o que se passa com ele, e depois vemos uma espécie de “redenção” do personagem. Já em Babel, há apenas a conexão de histórias, mas que não são suficientemente bem trabalhadas e exploradas para nos importarmos adequadamente com elas. Inevitavelmente, muita gente que assistir ao filme em comento, ficará apenas indiferente.

 

Enfim, Babel é somente um filme regular. Temos uma boa direção, porém que só consegue arrancar atuações competentes, mas não grandiosas, temos uma boa trilha sonora e um roteiro razoável. Não chega a ser nenhuma bomba, nem tão pouco uma obra prima. Eu recomendo que todos assistam, para poderem tirar suas próprias conclusões. Alguns vão detestar, outros vão amar, mas acredito que a maioria o classificará apenas como um filme mediano mesmo.

 

 

Nota: 6,0


Escrito por Bruno às 14h16
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APOCALYPTO

 

 

 

Mel Gibson é um cineasta diferente, que apresenta um forte traço autoral em seus filmes. Sua adoração por cenas violentas, como as amputações e mortes em “Coração Valente”, e os castigos corporais (recheados de sadismo) em “A Paixão de Cristo”, seu gosto por piadinhas bem humoradas onde um personagem sacaneia o outro, como em Coração Valente (personagem de Mel Gibson sacaneando o amigo de infância), e sua coragem em fazer um filme falado em uma língua morta, como em “A Paixão de Cristo”, estão todos presentes em Apocalypto.

 

A história do filme é, principalmente, focada no personagem Jaguar Paw, que é capturado junto com sua tribo para ser sacrificado, numa oferenda aos deuses do império maia. Mas o rapaz tenta lutar de alguma maneira para se salvar e ir de encontro a sua família.

 

Logo no começo, vemos alguns membros da tribo caçando uma anta. Esta cena é divertida, e bem escolhida pra iniciar o filme, mas logo quando o animal é morto já se percebe o culto de Gibson pela violência impactante. A partir daí, enquanto assistimos os costumes daquele povo, o filme explora um pouquinho o humor, com cenas divertidas sobre um integrante da tribo que não consegue ter filhos, e todo esse começo agrada bastante. A partir do momento que a tribo é invadida, o filme vai pro lado do drama e da ação. O grande problema de toda a trama, é que apesar de interessante, eu não me senti preso a ela em nenhum momento. Acho que este é um filme pouco cativante, mais preocupado com o espetáculo da violência, com o impacto que vamos sentir, com a beleza da reprodução do império maia (e de suas bizarrices), do que com desenvolver bem sua trama.

 

Apesar de o filme ser grande, e de ser pouco cativante, por incrível que pareça não é cansativo. As atuações, a despeito do elenco ser desconhecido, também são muito boas. A maquiagem do filme e a fotografia estão impecáveis. A composição sonora também é muito boa, com os efeitos sonoros e as músicas impondo um bom clima nas cenas. Mas só pra ficar registrado, o filme também tem umas mentiras, uns furos, que subestimam nossa inteligência. Algumas situações absurdamente inverossímeis acontecem, mas como são quase na reta final, prefiro não comentá-las.

 

Acho que no final das contas vale a pena conferir este filme. Em meio a uma história simples, temos boas cenas, um retrato interessante (mas também um pouco pitoresco) da civilização maia, e uma beleza extraordinária, graças ao trabalho técnico da produção. Mas fica registrada a minha ressalva de que o filme não me cativou, a ponto de eu sair de lá pensando “é, legal... e só”.

 

 

Nota: 7,0


Escrito por Bruno às 23h44
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PEQUENA MISS SUNSHINE

 

 

 

Não é à toa que eu fiz um trocadilho no meu perfil, quando escrevi “cinéfilo nas horas vagas”. É claro que um cinéfilo (termo rejeitado por alguns, que negam o “rótulo”) é simplesmente um cinéfilo (o tempo inteiro). Mas coloco o “nas horas vagas”, porque normalmente tempo é uma coisa rara pra mim, devido à faculdade e aos estudos para concursos (a pressão é grande). Então muitas vezes perco filmes que estavam no cinema (como em 2006 que perdi As Torres Gêmeas, O Grande Truque, O Labirinto do Fauno, Pequena Miss Sunshine, dentre outros), e acabo tendo que esperar que eles cheguem nas locadoras em dvd. Mas, felizmente, também temos os “cinemas alternativos”, que costumam passar filmes que não estão mais nos grandes circuitos. Aqui em Salvador, temos o “Circuito Sala de Arte”, e no cinema do Pelourinho estava passando Pequena Miss Sunshine, e ontem eu pude conferi-lo. Que bom que ainda temos cinemas alternativos.

 

Mas sim, Pequena Miss Sunshine nos traz a história de uma família peculiar. Peculiar porque o pai é o inventor de um método de auto-ajuda que faz de quem o segue um vencedor, o filho mais velho fez voto de silêncio e não fala há nove meses, o avô foi expulso de uma casa de repouso por usar heroína, e o cunhado é um ex-professor suicida. As únicas que parecem normais (mas nem tanto) são a mãe, a qual aparenta ser o ponto de equilíbrio da família, e a filha, que pretende participar e vencer o concurso de beleza e talento “Little Miss Sunshine”. É um filme já bastante premiado e que concorre ao Oscar de melhor filme, melhor roteiro original, melhor atriz coadjuvante e melhor ator coadjuvante.

 

O começo do filme já é excelente. Vamos sendo apresentados a cada membro da família, sob uma agradável música de fundo, que dá um ótimo clima ao início. Depois temos o desenvolvimento da história, com a família decidindo ir toda junta, numa velha kombi amarela, levar a filha rumo ao concurso Miss Sunshine, havendo a ocorrência de alguns momentos divertidíssimos e de algumas tragédias também. Depois temos o final, que obviamente não pretendo comentar, mas só adianto que não me agradou como o resto do filme. Aliás, digo assim, eu daria nota dez pro começo do filme, nota nove pro desenvolvimento e nota cinco pro desfecho. Porém, este parece ser um daqueles filmes que depois que assistimos novamente, passamos a gostar ainda mais, e talvez eu consiga ignorar o desfecho no futuro.

 

Resumidamente temos uma história simples, mas que é muito bem desenvolvida. O roteiro de Michael Arndt funciona muito bem e a direção de Jonathan Dayton e Valerie Faris é impecável. Sobre o elenco, temos ótimas interpretações de todos, sendo até difícil mencionar um destaque. A atriz Abigail Breslin realmente está ótima no papel da meninha Olive, e Alan Arkin também está excelente no papel do avô, assim como Greg Kinnear no papel do pai obcecado por ser vencedor. Também temos Steve Carrel com um personagem mais dramático, mostrando bastante talento e versatilidade no papel do melancólico e suicida Frank. Ainda temos Paul Dano (ator que eu nunca tinha observado com atenção), que está fantástico fazendo o papel do garoto que fez voto de silêncio, e Toni Collete, no papel mais equilibrado de Sheryl. Acho que realmente foi merecido o prêmio de melhor elenco dado para este filme, pelo Sindicato dos Atores.

 

Enfim, como já disse, é um filme com uma história simples, mas que é muito bem trabalhada e desenvolvida. Ainda temos um belo elenco, com grandes interpretações. Só lamento o final do filme, que força a barra um pouquinho com um clichê fraquinho, mas que não é suficiente para apagar o brilho do filme como um todo. Pequena Miss Sunshine é acima de tudo uma prova de que um filme simples pode ser melhor que muitas superproduções, as quais muitas vezes priorizam a forma, o espetáculo, e esquecem do conteúdo.

 

 

Nota: 8,0


Escrito por Bruno às 17h13
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MEU ENCONTRO COM DREW BARRYMORE

 

 

 

Brian Herzlinger é apaixonado por Drew Barrymore desde os 10 anos de idade. Agora adulto, Brian resolve fazer um documentário, no qual ele tem 30 dias para marcar um encontro com sua amada, e com um humilde orçamento de US$1.100, que ele ganhou em um programa de televisão. Assim que ele desenvolve o documentário, o qual inclusive foi premiado em alguns festivais nos Estados Unidos. Mas isso implica que o filme é bom? Depende do gosto do freguês.

 

Eu detestei esse filme. Acho que foi um dos piores documentários que já assisti em toda a minha vida. Vamos por parte. Brian é irritante e muito sem graça. Ele até tenta ser engraçado (forçosamente e artificialmente), mas não consegue. Em uma cena que ele está cantando enquanto dirige, dá vontade de desligar a televisão. E ele ainda tem uma mania irritante de ficar mostrando pra todo mundo o quanto ele é peludo (será mesmo que ele achou que seria engraçado mostrar isso no filme?). Creio também que eles não conseguiram filmar tempo suficiente de coisas interessantes, então colocaram umas encheções de lingüiça para tentar fazer o filme virar um longa. Um exemplo são as descartáveis cenas em que Brian está fazendo exercícios físicos (sem nenhuma dedicação, aliás de modo até avacalhado) com uma personal trainer. Há ainda uma chata obsessão pelos seis graus de separação (no começo é até interessante, mas depois de tanto uso fica sem graça).

 

Um dos poucos méritos do filme, antes de Brian encontrar-se com Drew, é a presença de personalidades como John August, roteirista de “As Panteras”, que se revela muito simpático, Eric Roberts, irmão de Julia Roberts, que se mostra disposto a ajudar Brian a conseguir se encontrar com Drew, e Corey Feldman, famoso principalmente pelo filme “Os Gonnies”. Na conversa que ele tem com Brian, Feldman se mostra menos receptivo com o Brian, possivelmente porque o último, antes de iniciar a conversa, faz uma imitação fraca e sem graça da cena em que o personagem de Feldman explica porque ele tá pegando as moedas na fonte dos pedidos. Mas enfim, nessa conversa o “gonnie” conta sobre o seu namoro com Drew, aos 12 anos de idade, história essa que Brian nem sabia.

 

É óbvio que ele consegue um encontro com Drew, tendo em vista o título do filme. Por isso, não acredito estar revelando nada de mais ao falar sobre o encontro final do documentário. O que tem de melhor no filme é quando Drew Barrymore aparece para um “almoço” com seu fã. Mesmo o cara sendo irritante e cheio de tiques (na tentativa de ser engraçado), o encontro é ótimo e divertido, graças à personalidade de Drew, que é bastante divertida e engraçada. Porém o agradável encontro é curto. O filme demora uma hora e vinte minutos para chegar ao encontro, e este dura aproximadamente oito minutos. Os créditos finais do filme também são bem legais, mostrando inclusive um pouquinho mais do encontro deles.

 

Enfim, fico com a impressão de que o filme poderia ter rendido um bom documentário de curta metragem, com aproximadamente uns vinte minutos. Da maneira como foi feito, o filme se arrasta e quanto mais o tempo passa, mais a antipatia aumenta. Pelo menos tem um desfecho agradável. Algo como um copo com água no meio do deserto, após uma caminhada de uma hora e vinte com a garganta seca embaixo de um sol escaldante.

 

 

Nota: 3,0


Escrito por Bruno às 22h37
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DÉJÀ VU

 

 

 

Após os fracos “Chamas da vingança” e “Domino - A caçadora de recompensas”, Tony Scott (amado por alguns, odiado por muitos) retorna se redimindo. Não que “Déjà vu” seja uma obra espetacular, mas é muito melhor que os citados anteriormente. Repetindo sua parceria com Denzel Washington, Scott nos traz um filme policial, com uma boa dose de ficção científica.

 

Fazendo uma sinopse resumida, no intuito de não entregar nada da trama pra não estragar nenhum surpresa, Denzel Washington é um agente chamado Doug Carlin que é chamado para investigar uma explosão que causa um enorme número de mortos, e acaba descobrindo o corpo de uma mulher que aparenta ter sido morta duas horas antes da explosão. Após conhecer uns cientistas do FBI, que possuem uma máquina que permite ver tudo o que aconteceu há quatro dias atrás, Carlin se aprofunda cada vez mais no caso.

 

A trama do filme é bastante intrigante e, mesmo com alguns furos, é suficiente para entreter. Aliás, andei lendo muita crítica em cima desse filme, por conta de alguns furos e etc. Eu mesmo saí do cinema pensando “como é que tal negócio foi possível”. Mas acontece que os furos são pequenos, outros só são mal explicados, mas nada relacionado diretamente ao conteúdo da trama. Não concordo com o alarde todo feito em cima disso.

 

O filme também conta com um elenco bastante interessante. Denzel Washington está ótimo (já aviso que sou fã dele, mesmo ele fazendo de vez em quando uns filmes canastrões como “chamas da vingança” e ”por um triz”) como personagem principal, dando segurança e credibilidade ao desenvolvimento do filme. Ele ainda tem um elenco de apoio bastante interessante. Apesar de estarem um pouco comedidos, Val Kilmer, Jim Caviezel, Adam Goldberg e Paula Patton contracenam satisfatoriamente com Denzel Washington.

 

É engraçado quanta gente odeia o Tony Scott. Só pelo fato de ser um filme dele, muitos já vão com um pé atrás, e procuram mil defeitos pra depois poder descer a lenha no referido cineasta. Eu particularmente não tenho nada contra ele. Inclusive gosto muito de “Top Gun”, “Maré Vermelha” e “Inimigo do Estado”. Concordo que os últimos filmes dele, citados no primeiro parágrafo, foram fracos, pois priorizaram a forma, a estética, e deixaram de lado o conteúdo (principalmente “Domino”, que é um fiasco). Mas isso não faz de Tony Scott um mau cineasta. Aliás, acho que ele sabe fazer ótimos filmes comerciais, tendo em vista que ele consegue como poucos dosar bem a empolgação das cenas de ação com o desenvolvimento da trama. Que o diga “Inimigo do Estado”.

 

É importante evitar falar da trama do filme em comento, para não estragar a surpresa de ninguém. Mas muita gente que prestou bastante atenção no trailer deste filme consegue deduzir várias coisas. E muita gente que leu algumas inadequadas sinopses e resenhas por aí, já vai sabendo muita informação que não devia (sem o elemento surpresa, o filme perde um pouco a graça). Por ter sido agradavelmente surpreendido por este filme, recomendo a todos. Déjà Vu cumpre bem o seu papel como filme de ação e merece ser assistido sem preconceitos.

 

 

Nota: 7,0


Escrito por Bruno às 02h36
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