Cine No Pretensions


UM BEIJO A MAIS

 

 

 

É tão bom assistir um filme que toca a gente. Quando fui assistir “Um beijo a mais”, eu não esperava que seria tão tocado e tão cativado como fui. Esta refilmagem do filme “O último beijo”, nos traz a história de Michael (Zach Braff), o qual namora Jenna (Jacinda Barret) há três anos, e esta está grávida de um filho seu. Tudo parece ir conforme o que ele esperava, e isso talvez seja o motivo dele repensar sua vida como um todo, e refletir sobre tudo que ainda está por vir.

 

Um filme que me cativou e me sensibilizou. Assim que eu resumiria o que senti ao assisti-lo. Acho que dá pra se identificar um pouco com cada personagem que é retratado no filme (não só do casal principal, mas de todos os coadjuvantes também). Digo isso porque os variados dilemas que os personagens do filme vivem, são dilemas que todos nós podemos viver, estamos vivendo ou já vivemos.

 

Talvez um dos motivos que tenham feito o filme “funcionar” tão bem assim comigo, tenha sido pela maneira como o filme se desenvolve. Ao mesmo tempo em que a história era desenvolvida, eu fui me sentindo ligado ao filme, sensibilizado com as inseguranças de uns personagens, com a tristeza e decepção de outros, com a amargura de uns, com a ousadia de outros, e, possivelmente por isso, não fiz julgamento de ninguém, apenas fiquei a espera do que iria acontecer.

 

Outro ponto interessante do filme, e talvez especialmente pessoal, foram as reflexões que tive no transcorrer da película. Penso que algumas vezes devemos mesmo encarar nossos problemas de frente, algumas vezes precisamos ir mais a fundo de uma situação, outras vezes precisamos desistir do que não está dando certo, e algumas vezes precisamos não desistir jamais de algo que nos é tão especial. E uma idéia, a qual é um verdadeiro dilema, principalmente para nós jovens, mas que deveria ser compreendida e elevada à categoria de filosofia de vida para nós, é a de que “a vida, na maior parte do tempo, é muito mais cinza, e se sempre insistirmos em preto e branco, naturalmente ficaremos infelizes”.

 

Pra não deixar batido, também vale a pena mencionar o desenvolvimento dos personagens do filme. Ainda que ele se baseie mais na relação do casal Michael (Zach Braff, que foi perfeito para o papel) e Jenna (Jacinda Barret, ótima em seu papel, principalmente na reta final do filme) e da ameaça ao relacionamento do casal, a jovem Kim (agradável estréia de Rachel Bilson nos cinemas), os outros personagens também são satisfatoriamente desenvolvidos, como os dos amigos de Michael, Chris (Casey Affleck), Izzy (Michael Weston), Kenny (Eric Christian Olsen) e dos pais de Jenna, interpretados competentemente por Blythe Danner e Tom Wilkinson.

 

Parabéns ao diretor Tony Goldwin (conhecido por seu papel de vilão no filme Ghost), por conduzir o filme tão bem e tão corretamente. Parabéns ao roteirista Paul Haggis (cada vez mais em evidencia) por reescrever tão bem este roteiro, que, a despeito de comparações com o roteiro de “O último beijo”, é um roteiro que se desenvolve bem, cativa e comove. O resultado é um filme tocante, sério, adulto e real. Coisa difícil de se ver hoje em dia.

 

 

Nota: 8,0


Escrito por Bruno às 16h24
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SCOOP - O GRANDE FURO

 

 

 

Woody Allen continua mostrando que está em boa forma. Após “Dirigindo no Escuro”, filme criticado por muitos, e do possivelmente pior filme da carreira do referido cineasta, que foi “Igual a tudo na vida”, ele se redimiu fazendo o ótimo “Melinda, Melinda”, o excelente “Match Point” e agora “Scoop”, onde volta a trabalhar com a que parece ser sua nova musa, a adorável Scarlett Johansson.

 

Em “Scoop”, Scarlett Johansson é Sondra Pransky, uma estudante de jornalismo, que está visitando uns amigos em Londres, e durante um show de mágica de um velhinho chamado Sidney Waterman (Woddy Allen), um espírito lhe aparece e lhe revela um grande furo: que o assassino do tarô (que vem aterrorizando a cidade) é o aristocrata Peter Lyman (Hugh Jackman). Então Sondra decide investigar o caso a fundo, com a ajuda do mágico Sidney Waterman.

 

Então, esse filme é uma comédia bem levezinha, bem humorada, despretensiosa, que só poderia ser feita por Woody Allen. Digo isso porque um filme como esse nas mãos de qualquer outra pessoa possivelmente não teria um resultado satisfatório, mas nas mãos de Woody passa a ser inteiramente aceitável.

 

É interessante também observar que este é o segundo filme de Woody que se passa em Londres (NY não é mais a única), e é o segundo em que ele trabalha com Scarlett Johansson. Sua nova musa está muito bem em seu papel, se apresentando, de acordo com sua personagem, sempre simpática, agradável e um tanto quanto ingênua e bobinha. Hugh Jackman também está muito bem e à vontade em seu papel, e Ian McShane na pele do repórter morto está ótimo (suas aparições são realmente engraçadas). Por fim, fiquei muito feliz de ver Woody Allen atuando novamente. Voltando em um papel tipicamente seu, ou seja, um camarada neurótico cheio de tiques (como tantos outros vividos por ele), Woody está simpático e engraçado.

 

Resumindo, “Scoop” é um filme bem light, que só poderia ser do Woody Allen mesmo. Este filme não repete a mesma eficiência e o mesmo sucesso do anterior de Woody (Match Point), mas vale a pena ser visto, especialmente para os fãs do mencionado cineasta. Um filme que não é sério nem profundo, que não pode ser comparado com as grandes obras de Woody Allen, mas que cumpre direitinho o seu papel.

 

 

Nota: 7,0


Escrito por Bruno às 12h24
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LADRÃO DE DIAMANTES

 

 

 

Após conseguir realizar um grande assalto, Max Burdett (Pierce Brosnan) e sua namorada Lola Cirillo (Salma Hayek) decidem se aposentar do mundo do crime e se mudam para uma paradisíaca ilha, a fim de simplesmente curtirem a vida. Quando Stanley P. Lloyd (Woody Harrelson), um agente do FBI que vem perseguindo Max há um longo tempo, aparece na ilha para se assegurar que Max continuará aposentado e que não tentará roubar um diamante raríssimo que se encontra naquela ilha, Max se sente motivado para tentar um último roubo.

 

Filme não tão recente, mas resolvi escrever sobre ele por uma curiosidade: fui assistir pensando que ia ver um filme de um gênero e acabei me deparando com um filme de outro gênero. Pensei que fosse um filme de ação e me deparei com um filme de comédia. Ainda bem. Acho que se o filme fosse simplesmente de um ladrão querendo realizar um grandioso furto com um policial na cola querendo pegá-lo, seria muito clichê e possivelmente sem graça. Não que “Ladrão de Diamantes” não tenha clichês, mas pelo menos ele tem graça. Ao optar por um filme praticamente de comédia, com a ação como mero plano de fundo, o filme funciona melhor.

 

O curioso é ver como que um filme com um roteiro fraco, assinado pelos estreantes Paul Zbyszewski e Craig Rosenberg, e com uma direção apenas mediana, de Brett Ratner, pode resultar num filme bonzinho. Não é um filme inovador, a história é meio manjada, mas o filme parece ter sido feito pra ser um filme tipicamente de “sessão da tarde”. Você assiste o filme, se diverte um pouquinho, depois a vida continua.

 

Como pontos positivos, temos muitas belezas naturais, paisagens praianas, e as belas curvas de Salma Hayek, que são muito bem exploradas no filme. A atuação da referida atriz é que não é das melhores, mas o diretor explora mais a sua beleza do que as suas falas. Pierce Brosnan também está interessante, apesar de um pouco canastrão. Já Woody Harrelson está engraçado, e salva muitas cenas. O lance do bandido e do herói ficarem amigos, se misturarem, e até inverterem papéis, também é bem explorado, e agrada, gerando algumas cenas divertidas.

 

Acho curioso quando eu pego um filme, leio a sinopse e espero uma coisa, mas quando assisto, o resultado é completamente diferente do que eu esperava. “Ladrão de diamantes” não é nenhum filme pra ficar guardado na memória, mas posso dizer que fui inesperadamente surpreendido com um filme que eu não esperava. E o resultado me agradou. Pra quem quiser um passatempo, sem muita expectativa, apenas como mera diversão mesmo, eu recomendo esse filme.

 

 

Nota: 6,0


Escrito por Bruno às 11h18
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300

 

 

 

Acho que o filme que mais criei expectativas para o ano de 2007 foi “300”, possivelmente devido ao trailer, o qual considero o melhor que vi nos últimos anos. Baseada nos quadrinhos de Frank Miller, essa adaptação para o cinema, feita por Zack Snyder (diretor de “Madrugada dos Mortos”), pode ser enquadrada como uma das melhores adaptações de HQs para as telonas já feitas.

 

Em 300, temos a história do rei de Esparta, Leônidas que, ao lado de seus 300 melhores guerreiros, lutam contra a opressão do rei Xerxes e seu massivo exército Persa. Trata-se de uma adaptação extremamente fiel à HQ de Frank Miller. Por isso, é importante que fique claro que o filme não quer apresentar nenhuma visão realista dos eventos históricos. Nas palavras do próprio diretor: “O texto é baseado quase exatamente no gibi e tudo o que fizemos de diferente foi adicionar uma segunda história paralela, com a esposa do Rei Leônidas tentando conseguir suporte de mais tropas para o seu marido”.

 

Visualmente falando, o filme é esplendoroso. Zach Snider não se acanha nem um pouquinho em explorar o visual no filme, utilizando inclusive bastantes cenários virtuais. O resultado é um jogo de cores espetacular, onde os contrastes geram um verdadeiro espetáculo. Mérito também pra trilha sonora do filme, que emplaca soberbamente as cenas de ação. Aliás, também vale ressaltar as cenas de luta onde o diretor aplica um slow motion e logo depois acelera a cena, gerando cenas excitantes que empolgam.

 

Sobre as interpretações, Gerald Butler está imperialmente fabuloso no papel de Leônidas. Suas expressões faciais e o tom de voz em suas falas são precisamente perfeitos para o seu personagem. Suas frases marcantes ainda não saíram da minha cabeça: “this is Spaaarta”, “this is where we fight” e “tonight we dine in hell” ecoam na minha mente. Sobre as demais atuações, todas me agradaram, mas claro que tenho que mencionar Rodrigo Santoro, no papel do rei Xerxes. Ele até que faz umas expressões faciais muito interessantes e adequadas ao filme, mas quando fala, o resultado soa um tanto quanto estranho, não por causa de sua interpretação, a qual me parece adequada, mas por conta dos efeitos “implantados” em seu personagem, que tem uma voz engrossada digitalmente de maneira exagerada.

 

Por fim, abro um pequeno espaço para falar do diretor Zach Snider. Primeiro: ele acertou em cheio na sua “equipe” responsável pelo roteiro. Tanto ele, como seu amigo e colaborador Kurt Johnstad, como Michael Gordon, assinam um roteiro que acerta e muito em mesclar toda a ação da história com o sentimento de honra, força e glória que os espartanos tinham. O filme explora muito bem o espírito deles de nunca recuar, nunca render. Segundo: começo a ficar empolgado com a possibilidade de que esteja surgindo um novo grande cineasta. Logo em sua estréia, ele fez um excepcional trabalho no remake “Madruga dos Mortos”, um dos melhores filmes de terror de 2004. Seu segundo filme já foi este maravilhoso trabalho intitulado “300”. Já estou ansioso por seu próximo trabalho.

 

Só posso recomendar que todos assistam este espetáculo de filme nos cinemas, principalmente para os que gostam de grandiosas cenas épicas de ação. O filme é um espetáculo visual, até um pouco estiloso, e diverte e muito pelas cenas de ação. E ainda tem um sentimento espartano de moral e honra interessantes. A lição de “vale a pena morrer com glória e ficar na história como poucos que lutaram pela liberdade, contra muitos que representavam a tirania” soa adequada e até empolgante. Mas relaxem espartanos, como diria Russel Crowe em o Gladiador: “o que vocês fazem em vida, ecoa na eternidade”. Não esqueceremos de vocês.

 

 

Nota: 8,5


Escrito por Bruno às 12h55
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SERPENTES A BORDO

 

 

 

Sério, sei que isso é errado e tendencioso, mas tem vezes que eu assisto filmes de maneira parcial, ou seja, já vou predisposto a sentir algo pelo filme. Por exemplo, fui assistir Serpentes a bordo com a predisposição de gostar dele, possivelmente devido a todo o lance cult que rolou em torno dele, o que me empolgava cada vez mais pra assistir este filme. Acho que se ele soasse, para mim, razoável como um todo, ou bonzinho em algum aspecto, eu iria tratá-lo como um ótimo filme. Mas infelizmente não foi o caso.

 

O filme não me causou risadas, não me deixou tenso, não me assustou, não me empolgou, enfim, não me divertiu. Que ótimo que existe público para este filme, e sorte de quem conseguiu se divertir com ele, mas sinceramente não consegui me prender a quase nenhum ponto positivo do filme. Eu costumo sempre escrever algum resumo ou mini sinopse dos filmes que comento, mas no caso deste filme basta dizer que temos serpentes em um avião, que saem atacando todo mundo. É isso. Um filme trash, que me lembrou a chatice que foi assistir “Aracnofobia” há uns 10 anos atrás.

 

Os efeitos especiais do filme são toscos (obviamente por conta do baixo orçamento), a direção do filme é fraca e o roteiro é absurdo. Aliás, o roteiro é sem sombra de dúvidas o mais fraco do filme. Ele nem se esforça pra ser cult (porque provavelmente ele nasceu com essa intenção), apenas tem um amontoado de clichês, que juntos, não se justificam. A única coisa cult no filme é a presença de Samuel L. Jackson.

 

Aliás, a presença de Samuel L. Jackson no filme é um dos poucos pontos positivos, mas não é suficiente para salvá-lo, principalmente porque seu personagem é fraquinho e sem graça. O único personagem com quem me simpatizei e até me diverti, no finalzinho do filme, foi o do Kenan Thompson, aquele gordinho que faz Saturday Night Live. Os demais personagens são todos bem fraquinhos mesmo.

 

Enfim, é até injusto dar uma nota para “Serpentes a Bordo”, analisando critérios como direção, roteiro, atuações, efeitos, e tantos outros. O filme foi feito pra ser um divertido filme mal feito. O problema é que a única coisa que o filme poderia me oferecer, eu não tive: diversão. Se alguém ainda não tiver assistido, e quiser matar a curiosidade, então confira este filme, mas eu não o recomendo pra ninguém.

 

 

Nota: 4,0


Escrito por Bruno às 22h58
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