Cine No Pretensions


O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS

 

 

 

Aproveitando o embalo da indicação deste filme pra ser o representante brasileiro na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar, resolvi assisti-lo nesse final de semana, coisa que já deveria ter feito há muito tempo. Previamente posso dizer que, dentre as opções que tínhamos, foi uma boa escolha por ser um filme com um certo perfil de Oscar (protagonista é uma criança, envolve ditadura militar, envolve judeus), mas acho pouco provável que ele tenha forças suficiente pra ser o vencedor (porém sobra esperanças pra ficar na torcida). Mas isso é assunto pra escrever só mais adiante, quando tivermos próximo do Oscar.

 

Na trama deste filme, que se passa em 1970 (período da Ditadura Militar, e época de Copa do Mundo), Mauro, um menino de 12 anos, é deixado em frente ao apartamento de seu avô, enquanto seus pais “saem de férias” (fogem da perseguição da Ditadura). O problema é que o avô do menino falece no mesmo dia, e ele acaba ficando sob os cuidados de um senhor judeu, vizinho do seu avô.

 

Sob o ponto de vista do aspecto histórico, o filme ganha preciosos pontos. O roteiro consegue amarrar bem as pontas e dá uma exata idéia de quando as coisas acontecem ao usar a Copa do Mundo de 1970 como referência histórica. E visualmente, o filme exala a atmosfera daquela época através das mobílias, roupas e carros, fazendo-nos sentir todo aquele clima anos 70.

 

Agora o que mais me agradou foi a acertada escolha em não fazer desse filme um dramalhão, como vários filmes brasileiros às vezes fazem, optando pelo estilo novelão de ser. Digo isso porque com essa história, seria facilmente possível fazer um filme pra se chorar, recheado de exageros dramáticos. “O ano em que meus pais saíram de férias” cria uma atmosfera diferente, bem mais concisa, bem mais preciosa, e que chega a comover.   

 

A película ainda tem muitas cenas boas envolvendo a Copa do Mundo, representando bem a vibração do país em época de Copa (algo que geralmente consegue distrair nossas mentes dos mais diversos problemas). Uma das cenas mais bacanas é no primeiro jogo da seleção, quando o Brasil vai enfrentar a Tchecoslováquia. As reações dos brasileiros torcendo são muito bem reproduzidas, e as do personagem de Caio Blat são disparadamente as mais divertidas.

 

“O ano em que meus pais saíram de férias” é um filme comovente, sensível, bem cuidado, com uma ótima direção e com uma trilha sonora muito boa. Parabéns para Cao Hamburguer, diretor e co-roteirista do filme. Parabéns para o cinema nacional, que cada vez mais, qualitativa e quantitativamente, produz belos filmes.

 

 

Nota: 8,0

Escrito por Bruno às 21h19
[ ] [ envie esta mensagem ]


O HOSPEDEIRO

 

 

 

É muito bom constatar que o cinema oriental vem fazendo ótimos filmes. “O Hospedeiro” é mais um dessa bela safra. Com um roteiro extremamente versátil e inteligente, e uma direção muito eficiente, este filme consegue trazer em seu bojo tensão, ação, humor, e várias críticas sociais, tudo numa excelente sintonia.

 

Interessante é que o filme consegue se desenvolver muito bem, tendo tudo na medida certa. Começa introduzindo a causa originária do monstro (que foi um pouco aloprado demais, afinal jogar mais de cem frascos de um líquido tóxico por causa de uma poeirinha?) e depois nos apresenta uma família absolutamente ímpar. A partir desse início, o monstro surge tacando o terror em plena luz do dia, a céu aberto, fazendo várias vítimas, e no final acaba levando uma criança daquela família para um esgoto, a fim de tê-la posteriormente como refeição.

 

Em meio ao desenvolvimento da trama, várias críticas sociais vão aparecendo, desde as mais sutis às mais notórias. Falta de emprego, manipulação de informações, corrupção, intervencionismo, militarismo, guerra biológica, tudo está muito corretamente colocado no filme. E o mais bacana é que em meio a tudo isso, temos muita ação e uma comédia meio non sense, a qual me parece bem adequada, posto que um filme assim talvez não funcionasse tão bem se fosse “sério demais”.

 

Eu não conheço nenhum trabalho dos atores deste filme, mas me agradou a atuação da maioria, principalmente da menininha. Os efeitos especiais também são ótimos, sobretudo se compararmos com alguns filmes de orçamento muito maior, que não conseguem resultados tão satisfatórios quanto o obtido aqui. Tudo isso graças a um trabalho perfeito na direção, na edição, na composição sonora do filme, e, claro, na equipe técnica dos efeitos especiais.

 

O grande forte de “O Hospedeiro” é que ele é um filme de monstro, com todos os elementos que um filme assim deve ter, e ao mesmo tempo é extremamente politizado. Por isso, ele é garantia de diversão certa e, ao mesmo tempo, por ser um filme com forte teor crítico, também é garantia de reflexão. Algo imperdível.

 

 

Nota: 8,0

Escrito por Bruno às 11h54
[ ] [ envie esta mensagem ]


A HORA DO RUSH 3

 

 

 

Aparentemente “A hora do Rush 3” está sendo considerado como uma das piores continuações do ano. Algumas considerações prévias são interessantes de se expor. Jackie Chan já não é mais o mesmo, tanto fisicamente falando, como em capacidade de cativar e atrair público. A série tinha um foco, e o mudou, apelando escancaradamente para a comédia, o que de certo deve frustrar muitos fãs da franquia.

 

Eu diria que o maior problema do filme é que o roteiro aparenta ter sido feito tão somente visando situações engraçadas (envolvendo o Chris Tucker, em sua esmagadora maioria), sem se importar com a qualidade da trama. Imagino até o roteirista visualizando cenas engraçadas em sua cabeça (como as do taxista, como a da freira tradutora, como a do grandão espancando a dupla do filme), e passando a escrever uma estória onde pudessem se encaixar essas cenas. Assim, justamente por isso, nenhum aspecto do roteiro é desenvolvido apropriadamente.

 

São inúmeros problemas neste filme. Os diálogos são fracos. O relacionamento de Lee (Jackie Chan) com Carter (Chris Tucker), tão bem explorado nos outros dois filmes, agora simplesmente não cativa e não empolga tanto. O dinamismo no filme, algo tão presente também nos dois anteriores, agora é quase inexistente. As cenas de luta, que empolgavam e divertiam tanto nos filmes anteriores, agora são fraquinhas e sem graça. A trama do filme é fraquíssima e sem propósito, e aquele negócio do irmão de criação do Lee simplesmente não rolou. Por último, infelizmente Jackie Chan já não é mais o mesmo. Com 53 anos nas costas, ele já não consegue explorar todo o seu potencial nas cenas de ação. Para compensar este fato o filme deveria explorar, então, mais o carisma do ator, o que seria uma via compensatória interessante, mas o que se pode perceber é um Jackie Chan mais discreto e menos carismático que o de costume. Triste constatar que ele, por conta da idade acredito, já não é mais o mesmo.

 

Agora aqui já falarei de algo pessoal. O que pude constatar nos cinemas é que muita gente chorou de rir com o Chris Tucker, e outros simplesmente fecharam a cara para a atuação do referido ator. Eu me enquadro no primeiro grupo. Devo assumir que fiquei um pouco desconfiado no começo do filme, pois já havia quase seis anos que Tucker não atuava em um filme, e vê-lo, em sua primeira aparição na película, mais gordinho e exagerando ao tentar ser engraçado (na cena tosca dele como um dançante policial de trânsito) me deixou com um pé atrás. Mas só foi uma má impressão. Após esse início, ele fica hilário em quase todas as cenas. A cada aparição sua, com aquela voz estridente, ele rouba a cena, conseguindo boas risadas de quem assiste, o que, de uma certa forma, acaba compensando, e até minimizando os defeitos do filme (ou pelo menos nos fazendo esquecer deles). São inúmeras as cenas protagonizadas por ele que arrancam gargalhadas, e não mencioná-las-ei aqui pra não estragar a possível diversão de quem ainda não assistiu o filme. Só acho importante deixar claro uma coisa: Chris Tucker está exagerado no filme, o que fez eu achá-lo ainda mais hilário, mas que, justamente por isso, na via oposta, também fez muita gente desgostar de sua atuação.

 

Enfim, “A Hora do Rush 3” é uma continuação fraca, que baixou muito o alto nível dos filmes anteriores. Por isso, acredito que este foi o derradeiro da franquia. Um filme que, cinematograficamente falando, não tem quase nenhum mérito, mas que arranca boas gargalhadas (ao menos de mim arrancou), o que até compensa seus vários defeitos. Eu o recomendo pra quem gosta do modo de atuar do Chris Tucker, porém o recomendo apenas como mera diversão despretensiosa, nada que justifique o orçamento milionário do filme.

 

 

Nota: 5,0

Escrito por Bruno às 18h36
[ ] [ envie esta mensagem ]


ESTRADA MALDITA

 

 

 

Mais um filme lançado diretamente em dvd aqui no Brasil. Pra ser sincero, creio que os cinemas não perderam muita coisa. Apesar de George Clooney e Seteven Soderbergh serem os produtores executivos, o filme não tem muita relevância e certamente não será nenhuma experiência inesquecível pra quem assisti-lo.

 

Resumindo bastante sua estória, o filme é sobre dois universitários que, a priori, não se conhecem, mas resolvem viajar juntos, para passarem o Natal com suas respectivas famílias, dividindo todos os gastos “fifty-fifty”. Então, pra variar, resolvem pegar um atalho no caminho e acabam chegando em um lugar estranho e fatos mais estranhos ainda começam a acontecer.

 

Na verdade o filme é até interessante, mas definitivamente também é esquecível. O maior problema dele é que muitas pontas ficam soltas, além de ter algumas cenas sem muito propósito. Ainda: temos alguns clichês evidentes, que são mal explorados, e o que parece ser o objetivo do filme, qual seja assustar, é alcançado em uma ou duas cenas. Mas ainda assim eu insisto, até que o filme é interessante. Eu diria que um pouco antes de sua metade, o filme assume algumas características dos típicos episódios da antiga série “Além da imaginação” e permanece nesse clima por uns 40 minutos. Em determinado momento, se forem ignorados alguns defeitos do filme, você fica realmente interessado, querendo saber como será o desfecho, mas, já adianto, a curiosidade acaba sendo correspondida com um final fraco.

 

Ainda é interessante mencionar que o casalsinho do filme tem belas atuações. Emily Blunt (que me lembra alguma atriz brasileira, mas até agora não consegui precisar quem), interpreta uma jovem meio impaciente, meio revoltada, meio esperta, meio bom-coração (algo nunca visto antes). Ela está bem, mostra competência e aparenta ter um excelente futuro em Hollywood. Igualmente Ashton Holmes aparece bem em seu papel, merecendo devido destaque. A química que rolou entre eles com certeza é um dos pontos fortes do filme.

 

“Estrada Maldita” é um filme de suspense, que dá poucos sustos, não assusta muito, e gera somente alguma tensão. Ainda assim, algo nele o faz ser interessante durante certo tempo. Sinceramente, não achei o filme de todo ruim não, até serve como um razoável passatempo, mas que só deve ser conferido se realmente não tiver nada melhor pra se ver.

 

Nota: 5,5


Escrito por Bruno às 23h45
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico:

01/10/2009 a 31/10/2009
01/09/2009 a 30/09/2009
01/08/2009 a 31/08/2009
01/07/2009 a 31/07/2009
01/06/2009 a 30/06/2009
01/05/2009 a 31/05/2009
01/04/2009 a 30/04/2009
01/03/2009 a 31/03/2009
01/02/2009 a 28/02/2009
01/01/2009 a 31/01/2009
01/12/2008 a 31/12/2008
01/11/2008 a 30/11/2008
01/10/2008 a 31/10/2008
01/09/2008 a 30/09/2008
01/08/2008 a 31/08/2008
01/07/2008 a 31/07/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006


Filmes Assistidos:

  • Minhas Estimativas

    Perfil:

  • Nome: Bruno
  • Idade: 25 anos
  • Cinéfilo nas horas vagas

    Recomendo:

     Alta Fidelidade
     Baú de Filmes
     Blog Cinefilia
     Cine Carranca
     Cine Resenhas
     Cinéfila por Natureza
     Crônicas Cinéfilas
     Dementia 13
     Diário de um Cinéfilo
     Filmes do Chico
     Nit Zombies
     Sombras Elétricas
     Tudo é Crítica
     Última Sessão