Cine No Pretensions


TREZE HOMENS E UM NOVO SEGREDO

 

 

 

Fim de ano aí, e já estou em época de prova e entrega de trabalhos, então o tempo livre esteve e ainda está realmente curto (aliás eu diria ínfimo!). Por isso, nos últimos dias não fui ao cinema e quase não assisti filmes. O que salvou esses últimos dias foi “De Repente é Amor” (filme que me agradou bastante) e “Treze Homens e Um Novo Segredo”, o qual ganhará breves comentários agora.

 

Algo interessante pra se reparar é que é difícil um filme leve e descontraído ser tão agradável e cool  quanto “Treze homens e um novo segredo” consegue ser. Aliás, a franquia toda seguiu esse padrão de ser um filme mais leve (ainda que o segundo não tenha conseguido ser dos mais agradáveis), mas este aqui é o que mais me parece ter sido feito voltado para a comédia.

 

O filme parte de uma premissa interessante: um dono de um hotel passa a perna em um dos camaradas do Ocean, o que é suficiente para ele reunir seu pessoal para dar um golpe no dono, em busca de vingança.

 

Acho que a idéia mais acertada aqui (ao menos foi a que mais me agradou) foi a de dividir os ambientes do filme. Ora temos cenas no cassino, ora temos cenas subterrâneas, ora temos cenas no México. Aliás, as cenas do México são disparadamente as melhores. Casey Affleck está perfeito nessas cenas.

 

Além da trama bem arquitetada, ainda é possível apontar como mérito o elenco, que permanece afiado (aliás, qual foi a última franquia que reuniu tantos nomes famosos com um clima agradável, sem gerar nenhuma confusão?), e a trilha sonora, que está excelente, dando todo um charme especial à película. Sobre as atuações, nenhuma é espetacularmente memorável, no entanto todas são na medida. Matt Damon está um pouco contido, mas ainda assim agrada, Brad Pitt e George Clooney mostram que são caras extremamente legais, Al Pacino é sempre Al Pacino, e Casey Affleck é o melhor deles, quando seu personagem está no México. Pra não ficar citando um por um (porque são muitos atores), posso resumir que todos os demais também estão bem em cena.

 

Como um todo, tudo bem que o filme assume uma condição de filme comercial que só quer divertir e entreter. Mas isso era justamente o que eu queria quando aluguei “Treze homens e um novo segredo”. Corrigindo a besteira que foi o “doze homens...”, o filme veio pra fechar bem a franquia. Mas se Soderbergh, Clooney, Pitt e companhia quiserem fazer um quarto com esse tipo de piadas inteligentes e com uma diversão tão contínua, eu juro que não reclamaria.

 

 

Nota: 7,5

Escrito por Bruno às 22h25
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PLANETA TERROR

 

 

 

Bom, caso alguém esteja lendo este texto para saber se vale a pena assistir a este filme, já quero deixar bem claro que para gostar dele ou você é um fã de filmes trashs, ou você é um fã de filmes estilosos, ou você é fã daqueles filmes exploitations que usam muitas cenas apelativas de violência e sexo, ou você é um fã incondicionado do Robert Rodriguez. Acho difícil alguém que não se enquadre neste perfil realmente apreciar “Planeta Terror”.

 

O começo deste filme é muito bem trabalhado, a progressão dele é boa, as “brincadeiras” na direção do filme agradam (como closes, etc.), tudo caminha bem. Do meio pro final é que o filme se perde um pouco, fica mais estiloso, menos empolgante e, aparentemente de propósito, pior escrito (intencionalmente não há o cuidado que se deveria ter aqui).

 

Por vezes “Planeta Terror” parece uma diversão feita por um adolescente muito talentoso. E assim sendo, em alguns momentos o filme até irrita, porém noutros ele é absolutamente genial. Aí fica difícil se zangar com o Rodriguez. Mas fica visível que se ele quisesse fazer um filme melhor, ele poderia ter feito, no entanto é evidente que a escolha do cineasta foi outra.

 

As atuações são bem apropriadas para o estilo do filme. O destaque vai para Rose McGowan, que atua bem, e é mais bem “explorada” ainda pelas câmeras do Rodriguez. Outra que agrada é Marley Shelton, uma das melhores na película, interpretando a médica Dakota Block. Ainda temos um ótimo Freddy Rodriguez, um Bruce Willis com rápida, porém competente, aparição, um Naveen Andrews (o Sayid de “Lost”) até interessante, um Jeff Fahey na pele de um churrasqueiro texano muito divertido, uma participação especial da Fergie, e, por fim, uma atuação pífia do Quentin Tarantino. Aliás, sobre este último uma coisa fica bem clara: Tarantino como ator é um fanfarrão. Mas como diretor eu pago o maior pau.

 

No final das contas o filme acaba sendo escatologicamente divertido. Rodriguez foi realmente fiel à sua proposta, o que serviu pra comprovar todo o seu talento. Só fica a ressalva de que poderia ter sido feito um filme melhor, ainda que seu objetivo fosse homenagear os divertidos filmes ruins de baixo orçamento. Afinal, em “Kill Bill”, verdadeira obra prima, Tarantino fez homenagens a outros gêneros, mas se esforçou e muito para que o produto final ficasse excelente. Sei que a comparação é descabida, mas serve pra mostrar que é possível conciliar homenagem e eficiência. Mas tudo bem, como já disse, no final das contas "Planeta Terror" vale o ingresso se você for o público alvo.

 

 

Nota: 7,0

Escrito por Bruno às 01h39
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RESIDENT EVIL 3: A EXTINÇÃO

 

 

 

Eu diria que o grande mal da franquia Resident Evil é que ela não definiu um rumo certo. O primeiro foi, à sua maneira, um filme tenso, que causava aflição, mas foi um filme que apenas utilizou a idéia dos zumbis do jogo Resident Evil, mas não quis seguir os passos do jogo, não se importou em ser fiel a ele. Já no segundo, o filme quis ser, à sua maneira, uma homenagem ao jogo, tentou ser fiel ao mesmo (tanto que algumas cenas são exatamente iguais às do jogo Resident Evil 3), largando um pouco a proposta inicial do primeiro filme, e seguindo mais a idéia original do jogo. Agora em “Resident Evil 3: a extinção”, o próprio filme não sabe mais qual a linha a se seguir. O resultado é um filme perdido.

 

Logo no início, o filme dá uma exata noção do que estou falando. Temos uma cena inicial em que Alice (a personagem principal), após ir atrás de um pedido de socorro, é atacada por um grupo meio psicopata, que a aprisiona numa espécie de porão e solta uns cachorros zumbis que moravam naquele porão contra ela. A cena, por si só é motivo de inúmeras críticas. Como os psicopatas cultivavam tantos cachorros zumbis no porão? Como eles conseguiram aprisioná-los lá embaixo? Nada é explicado. Apenas existe um bando sádico, que aplica um trote nas pessoas para tentar saqueá-las e abusá-las, e esse bando toma um enorme sarrafo da Alice. Só isso. A cena existe só pra vermos um pouco de ação.

 

Temos também um probleminha que muitos filmes desse gênero apresentam. Já falei sobre isso antes, quando escrevi sobre “Abismo do medo”. Me incomoda quando os monstros, os seres que atacam, os vilões enfim, aplicam ataques convenientes ao filme. Exemplifico: no “Resident Evil 3” tem uma cena que aparecem uns corvos-zumbis-assassinos atacando o pessoal, aí quando uma loirinha que não é importante na história se solta do grupo, ela é fulminantemente atacada por um grupo de corvos. Aí quando os personagens mais importantes estão lá, em pleno ar livre, desprotegidos, nenhum corvo maldito os ataca. Por quê??? Ou o que dizer da eficiência dos zumbis? Para detonar um carro, quebrar vidros, arrancar grades protetoras, puxar a perna de quem está debaixo de um veículo, isso eles conseguem. Mas derrubar uma gradezinha com um aramezinho vagabundo que protege um local importante da Umbrella, isso eles não conseguem?

 

Só pra constar, vale também mencionar o quão mal trabalhado são os personagens principais (alguns até receberam um tratamento legal no resident evil dois, por terem se baseado mais no jogo), como no caso do Carlos. A única que recebe um tratamento legal é a Alice, mas nada pra se enaltecer, afinal o que querem mesmo é explorar as habilidades físicas da Milla Jovovich. O cientista, vilão principal, é muito mal trabalho, um vilão completamente caricato e esquecível.

 

Eu até consegui ver algumas boas intenções no filme. Ora ele, descaradamente, bebe da fonte de “Dia dos Mortos”, ora tenta (tenta!) beber da fonte de “Carrie, a estranha”, ora tenta beber da fonte de “Os pássaros”, ora tenta beber da fonte de “Mad Max”. Mas nada dá muito certo, pois há uma mistura tão grande, que mal dá pra perceber qual a intenção ou qual a proposta do filme. Parece que apenas copiaram algumas idéias dos filmes mencionados e jogaram na história de maneira que fizesse ao menos um pouco de sentido. E ainda nos deram um final meio estilo senhor dos anéis, ou seja, o filme não tem final, simplesmente é interrompido e só saberemos como acaba na próxima continuação. A diferença é que aqui não tem nenhum J.R.R. Tolkien, nem nenhum Peter Jackson.

 

Enfim, no final até que o filme não é de todo ruim. Tem algumas coisas pra se aproveitar, algumas cenas até interessantes, o filme passa rapidinho, mas o problema é que como um todo ele não funciona. Ele não tem um foco, não segue a linha de nenhum dos anteriores, e não cativa o espectador como deveria. Pelo final, certamente haverá uma próxima continuação. E pela maneira como terminou, seria legal se os irmãos Wachowski assumissem pelo menos a produção do filme. Afinal, com eles deu certo vermos em ação vários agentes Smith. Se eles ajudassem por aqui, até que daria pra se criar alguma expectativa em torno do próximo da franquia.

 

 

Nota: 4,5

Escrito por Bruno às 22h49
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JOGOS MORTAIS IV

 

 

 

Vou ser sincero, nunca fui com a cara dessa franquia, mesmo sendo um grande fã de filmes de suspense. O primeiro, tido por uns como genial, eu estava gostando bastante, até chegar o final, o qual agradou milhares de fãs, mas ao mesmo tempo desagradou outro bocado de gente que não gostou daquele final desnecessariamente surpreendente (e falho!), como eu. O segundo é o que mais me agradou da franquia, com algumas cenas tensas, um roteiro esperto e bem bolado, um final surpreendente, mas coerente (não macula o resto do filme, como o primeiro faz), e com alguns defeitos também, todos porém suportáveis. O terceiro, pra mim, é o pior. Com um enredo fraco, nada cativante, praticamente sem emoção, o filme teve que apelar mais ainda pro sadismo (sem efeito algum), mostrou gratuitamente umas cenas gores completamente desnecessárias, e ainda nos deu um final que parecia não dar margem a uma nova continuação. É aí que entra um dos pontos positivos desse quarto filme.

 

Quando fiquei sabendo que haveria um quarto filme, eu tive certeza que isso só seria possível com um “vilão herdeiro”, alguém que seguisse os passos de Jigsaw. Afinal, o cérebro meio avariado, o camarada num estado quase terminal, e ainda por cima aquele enorme corte na garganta não dariam chances de vida para o nosso vilão. E de uma certa maneira eu me equivoquei. Apesar de o filme já iniciar mostrando o Jigsaw morto, ele continua sendo o responsável por todos os jogos sádicos que nos serão mostrados, não através de alguém que resolveu continuar seu “trabalho” por se sentir inspirado, mas sim através de ordens, fitas gravadas anteriormente, fazendo um link até interessante entre os filmes anteriores e o atual. Fiquei realmente surpreso com o filme conseguir manter o ritmo e a idéia dos anteriores, com o Jigsaw como o responsável por tudo, mesmo começando morto, e ainda assim tudo ficar até crível e coerente (menos o final, que falarei mais adiante).

 

Na verdade, o problema maior deste quarto filme eu diria que é querer justificar os atos do Jigsaw. É obvio que o filme não pretende dizer que o que Jigsaw faz é certo, mas tenta fazer com que nos simpatizemos com suas ações. Ao mostrar algumas coisas do passado do vilão, tentaram fazer com que suas ações fossem aceitáveis. Tentaram fazer dele um justiceiro, que tenta fazer pessoas ruins valorizarem a sua vida, como se os meios empregados por ele fossem admissíveis em alguns casos. E ao fazer, nesta continuação, seu jogo sádico com pessoas detestáveis (porque no um eram pessoas até ruins, mas não tínhamos estupradores e afins), Jigsaw acaba cativando mais ainda alguns dos seus fãs, que até acham correto suas ações. Coisas como “é, aquele gordinho mereceu” podiam ser ouvidas logo após o término da sessão no cinema. Ao colocar pessoas assim nos jogos, o filme tenta fazer com que gostemos das mortes não por conta do sadismo que temos por mortes em filmes de terror, mas sim porque aquelas mortes são “merecidas”.

 

Outro problema, também grave, é que o filme insiste em ser mais do mesmo. Como sempre, no final temos uma revelação, que tenta surpreender todo mundo, mas por conta disso deixa várias pontas soltas, algumas coisas incoerentes, outras mal explicadas (mas que certamente serão explicadas no próximo, já que a franquia nunca falha, tudo é precisamente planejado, certo?!). E eu acho que esse foi o final mais aloprado da franquia, por querer surpreender, mas acabar forçando a barra, deixando muitas lacunas a serem preenchidas no futuro.

 

Mas também tenho que mencionar outros pontos positivos. Achei interessante querer mostrar personagens que já haviam aparecido nos outros filmes, porém confesso que nem me lembrava do comandante Rigg nos filmes anteriores (procurando sobre o filme, descobri que ele também fez o 2 e o 3). Mas usar alguns desses personagens foi realmente uma boa idéia, por completar alguns acontecimentos dos outros filmes da franquia. Outro aspecto interessante, que não sei se chega a ser positivo, mas conseguiu me agradar, foi a brincadeira com o jogo de câmeras e edição, que liga uma cena distinta à outra, ficando curiosamente bacana mesmo. E, por fim, vale enaltecer a equipe de maquiagem e de direção de arte, que continua mostrando detalhes que se assemelham muito ao real. A autopsia do Jigsaw é desnecessária, mas sem dúvida muito bem feita.

 

Enfim, a franquia continua mostrando desgaste, mas pelo menos o nível não baixou ainda mais. Na verdade, acho até que melhorou um pouco em relação ao terceiro, o que não é suficiente, haja vista que o terceiro foi uma porcaria. Não vejo muita coisa que possa salvar a franquia, e pelo andar da carruagem, é quase certo que os próximos filmes, se existirem, seguirão a mesma trilha dos demais. Algo não muito animador.

 

 

Nota: 5,0


Escrito por Bruno às 11h47
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