Cine No Pretensions


[--] Melhores e Piores de 2007 [--]

 

Mais um ano que se passa, então mais uma lista de Melhores e Piores do ano. Enquanto muitos consideraram que 2007 foi repleto de bons filmes, eu acho que a fartura não foi tão boa assim. É claro que tivemos belíssimos filmes, porém não tanto quanto em outros anos. Dos filmes que estrearam neste ano, eu diria que deixei de conferir uns dois ou três que realmente queria ter visto, mas não pude (talvez se tivesse visto, estivessem aqui). Só para ficar claro, somente estiveram aptos a entrar nas listas de melhores e piores os filmes que entraram em circuito no Brasil em 2007, independentemente do ano em que foram produzidos ou que estrearam lá fora.

 

Para todos aqueles que acompanham o Cine No Pretensions, quero desejar um feliz e próspero ano novo, repleto de alegrias, realizações, e, claro, de ótimos filmes!!!

 

Top 10 - Melhores do ano

 

1 - O Ultimato Bourne

2 - Tropa de Elite

3 - 300

4 - Sunshine - Alerta Solar

5 - Cartas de Iwo Jima

6 - Rocky Balboa

7 - Extermínio 2

8 - Mais estranho que a ficção

9 - Um beijo a mais

10 - O Sobrevivente

 

Top 10 - Piores do ano

 

1 - Turistas

2 - O Segredo

3 - Primitivo

4 - O ex-namorado da minha mulher

5 - Licença para casar

6 - Pacto Quebrado

7 - Escola de idiotas

8 - Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado

9 - O Vidente

10 - Resident Evil 3: A Extinção

 

Obs: Todos os filmes que entraram em circuito brasileiro no ano de 2007, que eu assisti, estão aqui (em ordem alfabética).


Escrito por Bruno às 19h32
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CONDUTA DE RISCO

 

 

 

Confesso que tenho uma tendência a ser mais benevolente com filmes que de alguma maneira envolvem carreiras jurídicas, tribunais, processos, ou até mesmo inquéritos policiais. Talvez seja também por isso que tenha achado “Conduta de risco” um ótimo filme, mas certamente o filme tem grandes méritos para serem enaltecidos também, sobretudo seu excelente roteiro.

 

Algo que me despertou curiosidade é que o roteirista e diretor deste filme, Tony Gilroy, também foi o roteirista de “Advogado do Diabo”. Não sei se ele já foi envolvido com o mundo jurídico, ou se somente tem afinidade ou algum tipo de fixação, mas fato é que ele aparenta bom domínio desse universo. O roteiro é muito bem escrito e acabado, principalmente em ralação ao tema, mostrando com competência um ângulo dos bastidores da vida de um advogado mais atuante na “faxina” dos problemas da firma em que trabalha.

 

George Clooney, no papel do advogado Michael Clayton, o limpador de problemas da firma, tem um excelente personagem em mãos. No decorrer da película, descobrimos os problemas familiares em que ele está envolvido, o caminho que sua carreira tomou (apesar de ser reconhecido como “o melhor no que faz”, Clayton não parece muito feliz com seu trabalho), os problemas pessoais (como um possível vício em jogos), tudo isso em meio à trama que vai se desenvolvendo, e quanto mais próxima chega do fim, mais se acentua o clima de suspense, o que acaba nos prendendo mais ainda ao filme.

 

Não tanto quanto Clooney, Tom Wilkinson também tem um bom personagem, que, por ser meio esquizofrênico, lhe permite até alguns maneirismos para dar o ar de loucura a seu personagem. Enquanto Clooney é extremamente eficiente pela sutileza com que consegue aparentar certa dualidade em umas cenas, e uma carga emocional triste e perturbada em outras, Wilkinson chega a exagerar com os excessos de seu personagem. Ainda temos uma Tilda Swinton fria até demais em seu papel, mas ao menos compensa com uma bela atuação na cena final.

 

Tony Gilroy parece ter começado bem como diretor. O ponto forte do filme claramente é seu roteiro, e nisto Gilroy é excepcional, mas sua direção também é boa e segura. Com uma trama bem trabalhada, talvez um pouco densa para uns, “Conduta de Risco” pode até deixar algumas pessoas com pensamentos no ar, mas certamente é um filme que vale a pena ser visto, por ser bem conduzido, ter um clima gradativo de suspense na trama (que lhe caiu muito bem), e ainda gerar alguma reflexão sobre moral e ética na profissão.

 

 

Nota: 7,5

Escrito por Bruno às 22h16
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HITMAN - ASSASSINO 47

 

 

 

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas por andar um pouco ausente no blog. Recentemente fiz uma viagem para Belo Horizonte e fiquei praticamente sem tempo pro blog. Voltei para Salvador agora, mas estou em processo de mudança (continuarei morando em Salvador, mas estou indo para uma nova casa). Então mesmo estando de férias estou com pouco tempo, porém acredito que no máximo em 10 dias tudo já esteja normalizado. Antes de falar do filme, também gostaria de compartilhar como cada dia que passa a minha impaciência com o público que vai ao cinema aumenta. Cada vez me sinto mais intolerante com conversas paralelas em tom alto, piadinhas descabidas, risadas forçadas, comentários desprazíveis, e palmas no final do filme. Isso realmente vem me incomodando, talvez seja algum indício de que estou ficando ranzinza, ou talvez seja o público mesmo que vem gradativamente perdendo a civilidade e o respeito nos cinemas. Mas tudo bem, passado o desabafo, vamos ao filme.

 

Inicialmente é importante eu dizer que nunca joguei nem vi ninguém jogando o jogo que deu origem a esse filme, logo não posso fazer nenhum comentário sobre a fidelidade do filme em relação ao game. Vendo-o apenas como um filme, posso dizer que vale bastante a pena, sobretudo para os fãs do gênero ação. O filme diverte e empolga, e é isso que se espera de filmes de ação.

 

Por vezes “Hitman - Assassino 47” aparenta sofrer forte influência da idéia geral da franquia Bourne, principalmente do primeiro, “Identidade Bourne”. A diferença é que a trama não é tão bem arquitetada (o personagem principal não tem que descobrir seu paradeiro, e a “conspiração” dos vilões não é tão interessante), e os atores principais não são do mesmo nível. Assim como em “Identidade Bourne”, aqui o personagem principal acaba se encontrando com uma moça, passando a protegê-la, e a se envolver com ela de uma certa forma. A relação entre eles até gera alguns momentos engraçados e eles aparentam boa química, mas esfria um pouco o clima de ação do filme quando o foco fica voltado para a relação deles.

 

Entrando no mérito das atuações, gostei do ator Timothy Olyphant na pele do assassino 47. Ele conferiu um tom humano para seu personagem, um assassino frio e eficiente, que realmente veio a calhar. A atriz que faz par com ele, Olga Kurylenko, também está bem, tendo boa química quando está ao lado de Olyphant. Também temos Dougray Scott como um detetive meio canastrão, com um baita sotaque europeu, que também está bem na película. Por fim, vale mencionar os personagens de Robert Knepper (o mão de postiço da série Prison Break) e de Henry Ian Cusick (que vive talvez meu personagem preferido da série Lost, o escocês que sempre fala “brotha”). O primeiro está um pouco “vilão demais” no filme, mas é interessante vê-lo interpretando um papel diferente. Já Ian Cusick é tão bom interpretando o traficante russo irmão do presidente, como costuma ser quando encarna o Desmond de Lost. Sua aparição é ótima, seu sotaque (completamente diferente do de Desmond) é bom, e a cena em que ele aparece é uma das melhores (se não a melhor) do filme.

 

Por fim, vejo méritos na opção do diretor Xavier Gans em fazer um filme mais voltado para a ação mesmo, com várias mortes impressionantes. Acho que o filme ficou bom sendo menos profundo, se preocupando mais em empolgar. Afinal, foi espetacular assistir cenas como a que ocorre em um trem, com o assassino 47 e mais outros três assassinos. No começo da cena, só no começo, lembra “Exilados”, com quatro assassinos apontando armas um para o outro. Depois vira uma coisa meio “Kill Bill”, e a pancadaria rola solta. Uma cena realmente boa. Só pra constar, a trilha sonora também é outro mérito do filme, se encaixando bem à película e impondo um tom empolgante na maioria das cenas.

 

Como é de se imaginar, “Hitman - Assassino 47” é um típico filme hollywoodiano de ação. E é um bom filme. Para os fãs do gênero, muito provavelmente fará sucesso. Para os fãs do jogo, eu realmente não sei dizer se o filme é fiel, mas como produto cinematográfico posso garantir que é bom. Em época de férias, nada melhor que ver uma boa diversão, relaxar a mente e ver o tempo passar rapidinho.

 

 

Nota: 7,0

Escrito por Bruno às 14h36
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30 DIAS DE NOITE

 

 

 

“30 Dias de Noite” é um filme que exemplifica muito bem o problema que a maior parte dos filmes de terror ultimamente vêm sofrendo: não sabem como terminar o filme. Começo assim indo direto ao ponto, porque este filme durante um certo tempo em seu desenvolvimento aparentava ser um filme destacado no gênero terror de vampiros, mas como já disse o final acaba enfraquecendo o que se assistia até então.

 

Uma sinopse ultra resumida do filme seria esta: uma cidade do Alaska tem uma época do ano que fica 30 dias sem a luz do sol, e da última vez que isso ocorre, esta cidade acaba sendo invadida por um grupo de vampiros cruéis e sedentos por muito sangue.

 

Logo no começo, o filme deixa claro como é o ambiente em que tudo vai acontecer, como cada personagem relevante é, enfim, introduz satisfatoriamente o filme para a chegada do ambiente apocalíptico seguinte. Interessante é que quando os vampiros começam a atacar a cidade, o filme consegue manter um clima de tensão enorme, de aflição pura, chegando a gerar um certo mal estar em quem assiste. Realmente eu não conseguia ver esperanças pra nenhuma pessoa que estivesse naquela cidade, caso os vampiros os encontrasse. Em alguns momentos do filme, eu tinha a mesma sensação de quando assisti “Madrugada dos Mortos”, algo como “nossa, ninguém tem a menor chance de sair vivo daqui”.

Agora, no final do filme buscaram a pior maneira de terminá-lo. Sei que não é fácil terminar um filme, mas a escolha feita aqui me parece claramente uma das piores possíveis. Enquanto o filme assume ares de obra prima tensa e cruel no seu desenvolvimento, com personagens que pouco provavelmente sobreviverão (a gente torce pra eles sobreviverem, mas sabendo que suas probabilidades de escapar são bem pequenas), o final termina por ser algo fantasticamente besta.

 

Conversando com meu amigo Pedro, é que vim saber que o diretor deste filme é o mesmo de “Menima Má.Com”. Tudo bem, o roteiro não é dele, mas que ele tem uma tendência a fazer filmes com um final fraquinho, isso ele tem! Enfim, recomendo “30 dias de noite” como um bom filme de terror de vampiros, que por vezes aparenta ser genial, mas que possui um final bem decepcionante. Chega a aparentar ser um dos melhores terrores do ano, porém termina sendo apenas uma boa diversão.

 

 

Nota: 7,0

Escrito por Bruno às 00h45
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LEÕES E CORDEIROS

 

 

 

“Leões e cordeiros” é um filme que merece devida atenção. Primeiro, porque não é todos os dias que vemos um filme que mais de oitenta por cento dele se passa em duas conversas (ou dois debates, como queiram). Segundo, porque é um filme bastante reflexivo sobre temas políticos, e filmes assim costumam se posicionar escancaradamente (no mínimo costumam ser bastante sugestivos), mas aqui não há posicionamento definitivo quanto ao que é mais certo, ao que é correto (ainda que no final das contas o filme tome uma leve tendência para um lado).

 

Então, pra fazer um filme em que a grande maioria do tempo é ora uma única conversa entre um senador americano e uma jornalista, ora entre um professor de ciências políticas e um estudante com futuro brilhante, obrigatoriamente se tem que ter como ingrediente principal: um bom roteiro (se a maioria do filme é conversa, falas ruins seria uma catástrofe), uma boa direção (para dar o tom correto à película, e para extrair boas atuações dos atores), e atores carismáticos (boas interpretações são essenciais num filme quase todo falado). E “Leões e Cordeiros“ tem todos esses ingredientes.

 

Tom Cruise, no papel do senador, está muito bem, e tem boa química com Meryl Streep, no papel da jornalista, que também está muito bem, apesar de longe do seu auge. Robert Redford, além de assumir uma direção segura, fazendo o básico bem feito, também está ótimo em cena como o professor, conferindo a seu personagem sensações de esperança, desilusão, surpresa, e outras em meio a tantos diálogos. Andrew Garfield, o jovem aluno talentoso, também agrada, e fica bem à vontade contracenando com Redford. Por fim, ainda merecem destaque Michael Pena e Derek Luke, que não aparecem tanto no filme, mas têm atuações simpáticas quando surgem em cena.

 

As atuações são importantes, a direção também, mas o roteiro, aqui, é o prato principal. Boas falas, boas conversas, ótimos argumentos, pouco uso de clichês, e muita reflexão, fazem o filme alcançar um alto nível. Acho que o mais bacana é que no final das contas não tem um correto, não tem “ah, esse venceu a discussão, ele está certo”. As idéias e os argumentos são muito bem postos, e se fizermos uma reflexão, podemos perceber que a verdade e a razão estão de ambos os lados, assim como os erros. No embate senador versus repórter, o filme mostra que ambos têm pontos interessantes e ambos têm culpa (como representantes de classe/profissão) frente ao cenário que os Estados Unidos passa, porém, no finzinho, fica aquela leve tendência a se posicionar favoravelmente a personagem de Meryl Streep (o que pode parecer politicamente correto, tendo em vista a ideologia que ela aparenta querer assumir no final). Todavia, o filme deixa no ar qual o posicionamento que se deve ter em relação ao que se passa hoje, o que se deve fazer, como se deve prosseguir com relação à “guerra contra o terror”. Aliás, fica no ar qual a decisão final da repórter vivida por Meryl Streep (o final é sugestivo, abre leque pra pensar de formas diferentes) e do personagem do jovem ator Andrew Garfield (novamente o filme até sugere e chega a indicar qual pode ser a escolha do rapaz, porém isso também fica sem definição concreta).

 

Os outros vinte por cento restantes do filme focam uma dupla de jovens, ex-alunos do professor vivido por Redford, que se alistaram voluntariamente no exército, por conta dos valores que defendem, e acabam fazendo parte de um grupo de soldados que foram designados para começar a realizar concretamente a nova estratégia contra o terror (e contra a derrota que os EUA vêm sofrendo no Iraque e no Afeganistão). É a única parte de ação do filme, mas que não destoa dele, chegando até a gerar um pouco de equilíbrio com a emoção que sentimos em meio a todas aquelas reflexões.

 

Por fim, até o título me agradou, pois mesmo ele serve para causar reflexão. No filme explica de onde surgiu essa idéia. Fico me perguntando mesmo se não somos uma nação (não é só nos EUA que é assim) comandada por cordeiros. De que adianta termos valentes leões num país, se as ordens e decisões emanam de cordeirinhos sem visão (são poucas as exceções)? Quando os leões tomarão a frente do país? Qual o papel, nesse contexto, que atualmente desempenho e qual papel desempenharei? Serei eu um cordeiro ou um leão? Essas são algumas reflexões que o filme consegue nos causar, mesmo que já as tenhamos tido antes. Por tudo isso, “Leões e Cordeiros” certamente vale a pena ser assistido com a devida atenção.

 

 

Nota: 8,0

Escrito por Bruno às 00h27
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