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SENHORES DO CRIME

 

 

 

É interessante como um filme pode parecer simples em seu plano inicial, mas se revelar bastante profundo no seu conteúdo. Em “Senhores do Crime”, David Cronenberg nos mostra os bastidores da máfia russa, onde nem tudo é simples como aparenta no começo.

 

Desde as cenas iniciais, tudo o que nos é mostrado é de vital importância para compreendermos quem são os personagens que formam a história que nos é apresentada. Então o que pode parecer demorado ou desnecessário para trama, na verdade é sério, profundo e importante sim para entendermos quem são aquelas pessoas que ali, por algum motivo, estão. Assim, aos poucos, com a adição de cada informação, os personagens vão sendo revelados e suas complexidades também.

 

A trama é muito bem escrita e revela-se profunda no decorrer da obra, mas é na condução de Cronenberg que o filme se fortalece ainda mais. Primeiro é interessante perceber que é o segundo filme do referido cineasta em que o personagem principal é alguém que quer esconder quem ele realmente é. Aliás, em “Senhores do Crime”, mais de um personagem procura embaçar sua identidade, e Cronenberg sabe conduzir isso com maestria, revelando cada detalhe no momento mais propício. Coincidências não têm aqui, tudo é perspicazmente conexo.

 

Sobre as atuações, se alguém duvidava de Viggo Mortensen como ator, agora não deve mais duvidar. Talvez seja a melhor atuação de sua carreira, e ele está realmente muito inspirado. Sua indicação ao Oscar não foi à toa. Ainda temos Naomi Watts, bem em todas as cenas que protagoniza, Armin Mueller Stahl ótimo como o chefão russo, e Vicent Russel, que consegue esconder seu personagem dos olhos do pai, mas nas cenas em que está com Mortensen é que percebemos sua verdadeira natureza. Por falar nisso, Vicente Russel e Viggo Mortensen mostram uma ótima química, e a cena final entre os dois é esplendidamente bem interpretada.

 

Claro, falta ainda comentar a tão famosa cena na sauna. Para quem ainda não viu o filme, este parágrafo contem spoiler, então não leia. A cena de luta corporal chega a ser antológica pela realidade crua que aparenta. Neste momento, cessam os efeitos, cessam as músicas, e tudo o que vemos é uma luta real, e tudo o que ouvimos são gritos, gemidos e sons de socos e cortes. Dizer que esta cena brutal é genial me parece até pouco, tendo em vista que sua violência estética aliada adequadamente ao realismo do combate são coisas raras, muito raras, de se ver hoje em dia.

 

Então, David Cronenberg acertou a mão de novo, e após “Marcas da Violência”, nos traz um filme com personagens até mais profundos que aquele, conduzindo bem a narrativa do início ao fim, e promovendo novamente cenas violentamente impressionantes. Se o referido cineasta continuar produzindo obras nessa linha, garanto que seu nome entrará no rol dos melhores diretores do cinema mundial. O que, convenhamos, não é pouca coisa.

 

 

Nota: 8,0



Escrito por Bruno às 15h50
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