Cine No Pretensions


O ORFANATO

 

 

 

Não é a toa que no meu perfil (ao lado) coloquei “cinéfilo nas horas vagas”. Na verdade é a segunda vez que começo um texto com essa frase. Ocorre que, como todos podem ver, ando sumido tanto aqui quanto nos blogs dos amigos cinéfilos. É que têm épocas da vida que fico sem tempo, não me sobram as “horas vagas”, aí, infelizmente, não consigo exercer a minha paixão pelo cinema, muito menos escrever sobre os filmes. Estou, por uma série de circunstâncias, talvez na fase mais atarefada da minha vida, e a previsão é de que isso só vai acabar no final de junho, por isso peço a paciência e compreensão de todos. Mas vamos ao filme, prometo não mais aborrecê-los com esse assunto.

 

Confesso que, em face de algumas comparações que havia escutado sobre esta obra, bem como alguns comentários bem positivos, esperava um filme melhor. O que me chamou a atenção, e até impressionou, foi a direção. Juan Antonio Bayona conduz bem toda a película, consegue boas atuações de seu elenco, a edição das cenas e o uso da trilha sonora caem muito bem, mas é no roteiro que o filme não satisfaz. Não que seja ruim, pelo contrário, ele se revela inclusive correto, mas simplesmente não brilha, não encanta como deveria encantar. Pelo menos a impressão é que esse era seu objetivo (vide principalmente o final do filme).

 

Não sei o quanto Gilhermo Del Toro influenciou no filme, mas que dá pra sentir sua mão no decorrer da obra, isso me parece claro. O clima de terror que algumas cenas apresentam são realmente fantásticos, sem utilizar nenhum apelo macabro, nem nenhuma oriental do enorme cabelo preto liso (como os últimos filmes do gênero insistem em fazer).

 

Como já falei, o que faz o filme ser bom é a maneira como a história é conduzida e mostrada, e não a história em si. O que Bayona faz é criar um clima de tensão nas cenas, com uso variado da câmera (ora câmera movimentada, tremida e corrida, ora câmera bem cadenciada) casando muito bem as filmagens com a trilha sonora. Até a cena inicial (“um, dois, três... bate na parede”), tem um charme especial. Uma das cenas finais, que nos remete a essa cena inicial, é magnificamente conduzida também.

 

Todavia, não é porque o filme é formidavelmente conduzido que iremos esquecer seu conteúdo. A trama em si é boa, consegue até satisfazer, mas não cativa, não empolga. Inicialmente o filme até começa bem, mas depois começa a ficar morno (sobretudo do meio até o final), e tem um desfecho aquém da sua qualidade. As cenas finais possuem uma beleza sombria impressionante, mas a beleza não garante a qualidade do conteúdo.

 

Sobre as atuações, quero destacar três: Belén Rueda (Laura, a mãe) tem uma interpretação muito bela, precisa, na medida certa, sendo a melhor do filme e a que mais se destaca; Roger Príncep (Simon, o filho) que é um encanto quando aparece; e, por fim, a participação saudosa de Edgar Vivar, o conhecido Sr. Barriga de “Chaves”, que vive, aqui, um médium que ajuda Laura em sua situação. Apesar de vê-lo bem mais gordo que antes, foi realmente muito bom assisti-lo em um filme de qualidade. Tomara que surjam mais oportunidades pra ele.

 

Bom, é isso. “O Orfanato” é um filme dirigido com maestria, encanta pela forma como ele é conduzido e por como consegue aterrorizar, quase um “terror à moda antiga”. Porém possui uma trama apenas mediana, o que, sem dúvidas, enfraquece o conjunto da obra. Mas é sempre bom ver filmes de terror sem os típicos apelos que estamos vendo atualmente. Filme de terror, com elegância, é coisa rara nos dias de hoje.

 

 

Nota: 7,0

Escrito por Bruno às 13h17
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MEDO DA VERDADE

 

 

 

Primeiramente quero pedir desculpas por ficar mais de um mês sem escrever por aqui. Muitos foram os fatores, e nem vou me estender explicando, mas posso garantir que fiquei absolutamente sem tempo. Não me lembro qual foi a última vez que tinha visto tão poucos filmes num único mês (somente assisti quatro). Mas enfim, mesmo ainda sem tempo, resolvi me virar pra escrever por aqui, e espero voltar a fazê-lo regularmente.

 

Inédito nos cinemas, sendo lançado diretamente em dvd, “Medo da Verdade” é um excelente filme sobre a investigação do desaparecimento de uma garotinha. O que mais me impressiona é saber que Ben Afffleck é quem assina a direção, e o faz com soberba competência. Affleck também é co-responsável por um roteiro instigante, que meche com questões éticas difíceis, além de se desenvolver muito bem como um filme policial de ação e suspense.

 

Sem sombra de dúvidas, os atores também dão enorme qualidade à película, pois vermos Ed Harris, Morgan Freeman, Casey Affleck, Amy Ryan e Michelle Monaghan em ação é realmente bom. Aliás, os personagens destes atores são praticamente todos excelentes, pois nenhum é exatamente aquilo que aparenta no início, e quanto mais o filme se aprofunda, mais os personagens se revelam diferentemente do que aparentavam no início. Sobre as atuações, acho que merece destaque à parte Casey Affleck, cada vez melhor em cena, e Amy Ryan, que dá um verdadeiro show ao compor uma prostituta, que chega a ensejar raiva no espectador em determinados momentos.

 

Apesar de montar bem a trama, equilibrando bem ação com revelações, investigações e descobertas, é na questão ética que o filme mais se fortalece (como na execução de um psicopata, ou na decisão final do filme). Com efeito, no final da obra eu mesmo fiquei me perguntando: qual seria o mais correto? O que eu faria? Ainda que possa parecer absurdo fazer tais perguntas, se refletirmos bem sobre a situação, veremos que a questão é bem mais complexa do que aparenta. Eu, sinceramente, até agora não sei qual seria a melhor decisão. O que é correto, por lei, eu sei. Mas o que era mais correto pro caso concreto, confesso que até agora estou refletindo.

 

Enfim, fiquei agradavelmente surpreso com a direção de Ben Affleck, que nos presenteou com um filme mais profundo do que esperava. Além de ter belas atuações, boa ação, revelações e descobertas interessantes, o filme ainda nos estimula bastante a refletir. O final deste filme mexeu e está mexendo comigo até agora. Algo que poucos filmes conseguem.

 

 

Nota: 8,0

Escrito por Bruno às 16h20
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