Cine No Pretensions


HOMEM DE FERRO

 

 

 

É incrível como a escolha correta do protagonista é capaz de fortalecer um filme. Inicialmente, causou estranheza a muitos a escolha de Robert Downey Jr. como o milionário Tony Stark. Não por sua capacidade de atuação, mas sim por parecer que não combinaria com o protagonista de um filme de super-herói. Ledo engano. Robert Downey Jr. é um dos grandes triunfos dessa bela adaptação da Marvel para os cinemas.

 

Tudo bem, falar bem de Downey Jr. nesse filme é chover no molhado, afinal é unânime em todos os lugares a excelente escolha pelo referido ator. Todavia, qualquer texto sobre “Homem de Ferro” tem o dever de enaltecer sua atuação.

 

Abrindo um pequeno parênteses: Robert Downey Jr. vinha há um tempo sendo esnobado por Hollywood. Após “Chaplin”, o ator entrou numa acentuada descendente, pegando papéis cada vez menos relevantes, talvez por conta de seu recorrente problema com drogas (o que possivelmente afetava seu prestígio profissional). De 2005 pra cá, no entanto, sua carreira voltou a ascender. Primeiro com um papel correto em “Boa Noite e Boa Sorte”, depois por estar excelente em “O Homem Duplo”, e, posteriormente, melhor ainda em “Zodíaco”. Coroando a sua grande fase, Downey Jr. ganhou o papel de Tony Stark, fazendo de seu personagem um dos protagonistas mais interessantes em filmes de super-heróis.

 

Curioso é que, procurando pela carreira do referido ator, vi que ele interpreta o papel do mesmo Tony Stark no novo filme do “The Incredible Hulk”! O que, no mínimo, me deixou curioso. Mas não percamos o foco e voltemos ao filme.

 

Além da acertada escolha do personagem principal, um dos grandes méritos de “Homem de Ferro” é a grande capacidade do roteiro de desenvolver bem sua trama, nos contando o surgimento do Homem de Ferro, e, ao mesmo tempo, administrando muito bem as pitadas de humor, ação, drama, romance e críticas sociais. O resultado é uma história divertida, empolgante e cativante. Tudo o que o espectador desejava.

 

No quesito efeitos especiais, a Marvel Studios mostra que veio pra ficar. Logo no seu filme de estréia, faz um filme de dar inveja a muitos outros que se gabam por seus efeitos. As armaduras utilizadas por Stark, tanto a primeira feita de modo mais cru no Afeganistão, que consegue ser bacana mesmo sendo rústica e desprovida dos equipamentos de última geração, como a segunda toda prateada, impecável, e a terceira, a armadura dourada com vermelho, seu visual final, são visualmente fabulosas. Ainda: temos os modernos mísseis arrasadores vendidos por Stark ao exército americano no começo do filme, que assustam pelo seu poder de devastação; cenas impecáveis com caças; computadores de alta tecnologia; e, por fim, as cenas de vôo do Homem de Ferro.

 

O elenco do filme é outro mérito inegável. Robert Downey Jr., como já falei anteriormente, está impecável, tornando seu herói absolutamente crível. Desde a cena inicial, quando ele ainda faz o tipo playboy sarcastimante divertido, passando por seus momentos de prisioneiro, até quando ele passa a se tornar o super herói, seu personagem brilha. O ator conseguiu a medida certa para Tony Stark. Jeff Bridges também está bem, fazendo um vilão inicialmente ambíguo e até certo ponto misterioso, mas que no final fica um pouco canastrão, sem, contudo, ser caricato, o que já é bom. Gwyneth Paltrow faz da secretária de Stark uma personagem adorável, atraindo inclusive mais destaque para sua personagem do que o previsto. Ela e Downey Jr. possuem boa química em cena, e certamente o relacionamento de seus personagens será mais explorado nos próximos filmes.

 

Por fim, vale mencionar a qualidade enorme da trilha sonora do filme. Com vários riffs de rock no decorrer da película, impondo ritmo e empolgação às cenas, ainda temos músicas clássicas de bandas como AC/DC e Black Sabath. Aliás, quando começaram os créditos finais e entrou o clássico riff de “Iron Man”, quase todo o cinema estava empolgado na minha sessão. Ah, e por falar em créditos finais, recomendo a todos que ainda não assistiram, que fiquem até o final dos créditos, porque há uma cena que nos deixa com água na boca em relação à próxima continuação. Ao menos eu fiquei.

 

Então, “Homem de Ferro” é um filme que veio pra ficar. Excelente adaptação dos quadrinhos para o cinema, certamente haverá uma continuação, e a possível interação entre personagens da Marvel promete. Aliás, a julgar por este filme, primeiro da Marvel Studios como produtora, podemos esperar grandes adaptações da mesma para a sétima arte. Desejemos em coro: vida longa à Marvel Studios!

 

 

Nota: 8,0

Escrito por Bruno às 14h39
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A VIDA POR UM FIO

 

 

 

Surpresas e reviravoltas, coisas que há muito tempo atrás poderiam ser geniais, agora representam o banal, o recorrente e as vezes até o imbecil. Aliás, o uso excessivo de reviravoltas pelo cinema atual chega a embrulhar o estômago se imaginado em sua larga escala. “A vida por um fio” é um filme que se vale tão somente de reviravoltas, e absolutamente só isso. Não há uma qualidade que possa ser apontada além de você ser surpreendido com alguma reviravolta.

 

O filme parte de uma premissa nada razoável, até começar as primeiras reviravoltas, que vão sendo sucedidas por outras reviravoltas, aí é aplicada uma dose de ação para elevar os ânimos e a tensão (se você estiver se importando com o filme), depois alguns personagens vão assumindo formas estereotipadas, depois temos novas reviravoltas, e por fim temos um final que agrada o espectador (o que estava gostando de toda essa porcaria, claro).

 

Só para citar alguns fatos incômodos do filme, atenção SPOILER (se você não viu o filme e pretende vê-lo, não leia este parágrafo): quem é que escolhe um médico, o qual é apenas bom, para fazer seu transplante de coração, só porque é seu amigo, sendo que você tem a sua disposição o melhor cardiologista do país, que é inclusive o médico de vários presidentes? E, tá bom, a trama surpreende mesmo. Mas a troco de quê? No decorrer descobrimos que toda a equipe médica que fará o transplante, na verdade está planejando matar o rapaz, para dar um golpe financeiro. Calma aí, um médico decidir matar um paciente para se enriquecer (contrariando a moral e toda ética que qualquer profissional pode ter), eu até aceito que possa existir. Tem muito louco por aí, inclusive médico. Agora me dizer que um grupo inteiro de médicos decidiu isso? Tudo bem que pode ter um ou outro imbecil que planeje um golpe desses, mas uma equipe de cinco médicos?

 

O que me revolta é que a idéia inicial me agradou bastante. Se o filme investisse no tema da consciência anestésica do rapaz que está sendo operado, poderia até render bons frutos. Mas o que vemos são um monte de reviravoltas na trama, que surpreendem mesmo, mas que parecem apenas querer apresentar situações inesperadas, sem, contudo, resolvê-las.

 

Sobre as atuações, Hayden Christensen não convence muito como personagem principal, mas pelo menos não chega a comprometer. Jessica Alba começa bem, sua personagem lhe dá margem para atuar bem, mas à medida que ela (a personagem) vai ficando caricata, fica difícil exigir boa atuação da atriz. Terrence Howard faz mais o básico aqui, e quando é exigido para transmitir alguma emoção, infelizmente não convence. Eu gosto deste ator, mas dessa vez ele não agradou.

 

Enfim, “A vida por um fio” é o típico filme recomendado para quem quer ver uma trama cheia de reviravoltas, e não quer se importar com o conteúdo do filme. Se você não quiser pensar muito, for bastante curioso, um pouco ingênuo, indiferente em relação a estereótipos e clichês, talvez o filme lhe agrade. Veja bem, não quero ser desrespeitoso com ninguém, aceito opiniões diferentes e sei que gosto varia de cada um. Mas que esse filme é de uma penúria lamentável, isso não tem como eu não comentar.

 

 

Nota: 3,0


Escrito por Bruno às 18h05
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