Cine No Pretensions


ESPELHOS DO MEDO

 

 

 

Bom, na verdade este texto foi escrito há dois dias atrás, mas deixei para publicá-lo somente hoje, dia 31 de outubro, dia do Helloween, afinal filmes de terror têm tudo a ver com esta data, não é mesmo? Triste é escrever sobre um filme que deixa a desejar.

 

"Espelhos do Medo", refilmagem do longa coreano "Geoul Sokeuro" (em inglês Into The Mirror, sem tradução para o Brasil), é a volta de Alexandre Aja nos cinemas. Penso que quem havia feito há pouco tempo "Alta Tensão" e "Viagem Maldita", duas obras geniais, não devia aceitar fazer um remake assim, pouco interessante. O que mais marca o longa é sua irregularidade, devido à grande alternância de altos e baixos. A primeira cena é brilhante, tensa e empolgante. Se o filme seguisse a qualidade do prólogo, este texto só seria de elogios. Mas não é o que ocorre.

 

Após este acertado início, a trama passa a se desenvolver em torno de Ben Carson (Kiefer Sutherland), um ex-detetive que passa a trabalhar como vigia em um prédio incendiado há algum tempo, porém com seus espelhos intactos. Suas primeiras cenas no local também são interessantes, aliás a maioria das cenas em que Sutherland está sozinho na loja são boas. A aposta de Aja na credibilidade do referido ator dá certo. Todavia, nas cenas em que contracena com sua família, uma tentativa furada em explorar um possível drama familiar, é um fracasso, grande parte devido ao péssimo trabalho da atriz Paula Patton, que vive sua esposa. Alguns diálogos entre eles são constrangedores.

 

A incursão no terror psicológico também é boa, mesmo eliminando a possibilidade de vermos um pouco das situações de violência e gore que Aja sabe tão bem explorar. O que incomoda, e incomoda muito, é o desenvolvimento da trama. Não há uma progressão satisfatória envolvendo o personagem de Sutherland, no que tange ao modo como ele fica neurótico com a situação que vive, passando a investigar o sobrenatural que lhe rodeia. Pior ainda é a mudança de atitude de sua esposa, que passa do agnosticismo à crença ferrenha em questão de uma cena relâmpago. As explicações também surgem de modo pouco convincente e empolgante, e quando o filme já está próximo do clímax, quase ninguém se sente cativado. A atmosfera de terror criada pelo filme é adequada, mas as explicações e soluções para tudo o que acontece deixam a desejar. Por fim, temos ainda um inexplicável subaproveitamento da atriz Amy Smart, que faz um papél descartável, com uma única cena de destaque (a da banheira... não, não é o que você está pensando).

 

O que salva "Espelhos do Medo" é o talento de Aja na direção, conseguindo "tirar leite de pedra" de um roteiro ruim (adaptado também por ele, conjuntamente com Grégory Levasseur). Trata-se de um filme irregular, com um prólogo espetacular, um desenvolvimento fraco da trama, um desfecho insatisfatório, mas que fornece em seu literal último minuto uma cena (a última mesmo) empolgante, nada de extramemente original, porém muito bem sacado. Não sei se dá pra dizer que vale a pena uma conferida, o longa não chega a ser descartável, mas também não acrescenta nada ao gênero, tampouco na carreira de Alexandre Aja, cineasta que começa a se caracterizar por gostar de fazer remakes. Seu próximo será uma versão 3D de "Piranha", clássico filme B de Joe Dante. Que ele se saia melhor na próxima vez!

 

 

Nota: 5,0


Escrito por Bruno às 18h20
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UM BEIJO ROUBADO

 

 

 

Em sua estréia em Hollywood, o diretor Wong Kar-Wai, famoso por filmes como "Amor à flor da pele", traz aos espectadores uma delicada história de drama e romance.

 

Agrada a acertada escolha do cineasta em dividir o filme em três partes, tendo todas o mesmo plano de fundo. A primeira "parte" do filme é o início da relação de Elizabeth, muito bem interpretada pela cantora e agora atriz Norah Jones, com Jeremy, vivido por Jude Law, igualmente bem em seu papel. Os dois iniciam uma relação de troca de confidências logo no início, e a relação de ambos passa a ser o motor do filme. A segunda parte, decorrente de uma suposta decisão de Elizabeth em "pegar o caminho mais longo" para superar o momento conturbado que vivia, traz a tocante história do personagem de David Strathairn, estupendo em cena, e da escelente Rachel Weisz. A terceira parte envolve a personagem de Natalie Portman, uma autêntica "gambler", que aparenta ter um relacionamento complicado com seu pai. Todas essas "partes" da história decorrem da primeira, e é em torno dela que o filme termina.

 

Mas ao contrário do que possa parecer, o longa não trata da jornada da personagem de Elizabeth, ainda que sua presença em todas as sub-histórias possa induzir a essa conclusão. O que Wong Kar-Wai faz é apresentar o encontro promissor de dois personagens, Elizabeth e Jeremy, recém saídos de decepções amorosas, e separá-los por um longo período, justamente para que antes possam resolver questões importantes em suas vidas. O que se inicia com um beijo roubado, na verdade precisa de um tempo para que haja uma maturação dos dois personagens (não é só Elizabeth que tem questões mal resolvidas), para que eles possam estar preparados para uma possível relação.

 

A estética é outro acerto, a aparência urbana agradou e as paisagens, como na parte das estradas, também. A trilha sonora é de bom gosto e ajuda. O lado negativo do filme é que apesar de ser bem desenvolvido, com um início, meio e fim corretamente trabalhados, fica a sensação de que faltou cativar mais o espectador. Talvez seja devido à ausência de um personagem principal mais trabalhado, afinal, a personagem de Norah Jones dá bastante espaço para os demais personagens se desenvolverem, o que acaba lhe conferindo menos profundidade.

 

Apesar de ficarmos com um sorriso gostoso no rosto ao término do longa, após uma certa reflexão fica aquela sensação de que o filme poderia ter sido ainda melhor. "Um beijo roubado" é bom, mas talvez se cativasse mais, ou se tivesse sido aprofundado mais a questão emocional, o que Kar-Wai faz muito bem, o resultado fosse uma pequena obra prima. Fica pra próxima.

 

 

Nota: 7,0


Escrito por Bruno às 00h20
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FELIZ ANIVERSÁRIO

 

 

"Já não tenho a mesma idade, envelheço na cidade". E mais um ano se passa. Muitas coisas rolaram em um só ano. Várias boas, outras nem tanto. Infelizmente foram vários contratempos que me fizeram dedicar menos tempo ao blog. Não porque passei a dar menos valor ou qualquer coisa relacionada, mas sim porque meu horário vago diminuiu radicalmente. Não somente me faltou tempo para escrever, mas também me faltou tempo para poder assistir filmes (sem eles, ficam inviáveis os textos).

 

É engraçado, estive refletindo nos últimos tempos sobre este blog. Inicialmente, quando o criei, queria apenas um espaço para expor minhas idéias, sempre da forma mais espontânea e despretensiosa possível. Queria simplesmente compartilhar meus pensamentos e opiniões. Hoje, contudo, além de continuar com esse pensamento, também sinto uma necessidade de agradar, de alguma forma, os visitantes e leitores deste blog. Talvez seja meu subconsciente querendo compensar a falta de atualizações que outrora eram constantes por aqui. O fato é que me agrada saber que tem gente que aprecia este humilde espaço, e isso me motiva mais ainda a tentar sempre melhorar em algum aspecto. Outro ponto legal foi que nesse meio tempo estabeleci algumas "amizades virtuais" com alguns cinéfilos, através de visitas recíprocas nos blogs, troca de emails, dentre outras formas. Quem sabe um dia não tenhamos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente e trocarmos umas idéias sobre filmes e outras coisas mais?!

 

Aproveito este post comemorativo para deixar meus agradecimentos a todos que visitam este blog, tanto àqueles que visitam e participam ativamente com comentários e opiniões quanto àqueles que passam por aqui apenas para ler os textos. Obrigado a todos!

 

Bom, é isso, já são dois anos de existência deste blog e espero que venham muitos e muitos outros anos de textos por aqui. Não importa a fase que eu estiver vivendo, seja ela conturbada e atarefada, seja ela mais tranquila e livre, estarei sempre aqui externando minhas idéias. Vida longa ao Cine No Pretensions!


Escrito por Bruno às 21h26
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