Cine No Pretensions


QUEIME DEPOIS DE LER

 

 

 

Os irmãos Coen vêm cravando o nome deles dentro do rol dos grandes cineastas da atualidade. Depois do excelente “Onde os fracos não têm vez”, agora somos presenteados com a bela obra “Queime depois de ler”, filme de menor importância comparado ao outro, mas que possui virtudes suficientes para tornar a filmografia dos irmãos Coen ainda mais robusta.

 

“Queime depois de ler” é um longa, num plano inicial, despretensioso, mas que sobe bastante de produção com o seu desenvolvimento. Possui uma trama sólida, que amarra bem as pontas, consegue, ainda, abrir espaço para desenvolver o humor, seja em momentos sutis, seja em momentos de escracho, e trabalha de forma inteligente a construção de seus personagens.

 

Na verdade, é em seus personagens que “Queime depois de ler” possui a sua maior virtude. Com um elenco inspirado, os Coen arrancam de John Malkovic, George Clooney, Tilda Swinton, Frances McDormand, Richard Jenkins e Brad Pitt atuações memoráveis. Aliás, Brad Pitt é quem possui a melhor interpretação, fazendo de seu personagem uma verdadeira pérola no filme, merecendo destaque entre as melhores atuações coadjuvantes do ano.

 

Vale ainda destacar a qualidade dos Coen com relação à edição de som e o modo como utilizam sua trilha sonora na criação de emoções em determinadas cenas. Enquanto algumas cenas, como as que se passam na Embaixada da Rússia, possuem um silêncio constrangedoramente propício ao humor (e aqui merece destaque a edição que eliminou até os mínimos ruídos), outras sofrem um plus de emoção, com a inserção de trechos musicais que exploram fortes batidas de bumbo, e garantem progressivamente uma dose de tensão a cenas que, aparentemente, não deveriam ter tensão alguma, mas que no final das contas fazem sentido, quando ligamos os fatos finais.

 

Diante de tais atributos, é possível dizer que “Queime depois de ler” é um longa de qualidade, que só confirma o talento dos irmãos Coen como cineastas. Está longe do nível da obra-prima “Fargo”, e também não alcança a qualidade de outras obras como “Arizona nunca mais” e o recente “Onde os fracos não têm vez”, mas certamente confirma a boa fase dos referidos cineastas, deixando a impressão que filmes como “O grande Lebowski” não representaram nada mais que um pequeno deslize. “Queime depois de ler” não é oito nem oitenta, mas certamente é mais um acerto na carreira vigorosa dos irmãos Coen.

 

 

Nota: 7,5

Escrito por Bruno às 00h40
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007 - QUANTUM OF SOLACE

 

 

 

Neste segundo filme da “era James Bond” com Daniel Craig, temos a confirmação da opção de se iniciar uma nova fase, voltada mais para o realismo da ação, e abandonando um pouco o charme que outrora havia consagrado o personagem.

 

Enquanto em “Cassino Royale” a ação foi muito bem explorada, mas deu-se muito espaço para o desenvolvimento da história, da trama toda de um modo geral, “Quantum of Solace” é uma obra quase toda voltada somente para a adrenalina e a empolgação. O que esta continuação faz, na verdade, é aproveitar do que já foi desenvolvido no longa anterior, e seguir a história de um modo quase que direto. O resultado é um filme mais breve e direto. Contudo, quem não assistiu ao primeiro, corre o risco de ficar “boiando” neste segundo.

 

Interessante é saber que Marc Foster é quem assina a direção de “Quantum os Solace”. O referido diretor vinha mostrando grande versatilidade em seus filmes anteriores, mas nunca tinha feito um longa tão voltado pra ação como este. Bebendo claramente da fonte de filmagem de Paul Greengrass, com câmeras dinâmicas e em alguns momentos até tremidas, Foster faz o que pode com o roteiro simples que lhe foi entregue, acertando em tentar impor um ritmo constante de dinamismo. É bem verdade que disso resultam algumas cenas desnecessariamente rápidas, mas não chega a ser algo muito desagradável ou que diminua significativamente a qualidade da película.

 

Como já havia dito quando escrevi sobre o “Cassino Royale”, me agrada e muito essa nova composição de James Bond. Daniel Craig personifica com perfeição esse jeito frio, seco, brutal e sanguinário do novo Bond. E o melhor de tudo é que ele não é perfeito ou imbatível, pelo contrário. Ele se atrapalha, apanha, se machuca, o que colabora para que tenhamos tensão em suas cenas, mesmo sabendo que ele é o herói. Certamente ele não possui o charme que os outros Bonds possuíam, mas em compensação estamos diante de um herói bem mais crível que os anteriores. Mas, vale comentar, uma coisa não mudou nada: ele continua garanhão quando o assunto é mulher.

 

Contando ainda com um visual impecável e uma bela trilha sonora, “Quantum of Solace” é a continuação, o acompanhamento por assim dizer, do processo de formação do personagem James Bond, iniciado em “Cassino Royale”. Pode até não empolgar os fãs mais tradicionalistas do referido agente, porém deve agradar a grande maioria dos fãs do bom cinema, o que, pra mim, já está de bom tamanho.

 

 

Nota: 7,5

Escrito por Bruno às 14h26
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JOGOS MORTAIS V

 

 

A cada nova obra da franquia Jogos Mortais, conseguem amarrar pontas soltas deixadas nos filmes anteriores, e deixam novas pontas a serem amarradas numa futura continuação. Duro é que se por um lado se consertam, justificam e explicam os acontecimentos do passado, de outro surgem novas contradições.

 

Em "Jogos Mortais IV", muitas questões que estavam abertas foram explicadas, porém deu-se muito pano para ser explorado no seguinte. "Jogos Mortais V" faz a mesma coisa, aliás até demais. Mesmo sendo uma obra de terror, estamos na verdade diante de um filme didático. Há toda uma explicação detalhada do porquê que o "novo" pupilo de Jigsaw passou a seguir seus passos. Da mesma forma, muitas questões ficam abertas, garantindo um provável sexto longa da franquia.

 

O que vem enfraquecendo a cinessérie é a questão da previsibilidade. Já estamos muito familiarizados aos jogos sádicos de Jigsaw. A menor pista já nos é bastante óbvia, ficando fácil prever o desfecho de certos acontecimentos (principalmente neste quinto). Por outro lado, me agrada quando um filme não tenta passar uma rasteira no espectador, com uma grande reviravolta, à custa de deixar alguns pontos incoerentes (como, não me canso de dizer, o primeiro Jogos Mortais fez). Desta vez, não há nenhuma rasteira nesses moldes, claro que há um desfecho onde tudo se encaixa no fim (marca registrada da franquia), mas não chega a ser nenhuma reviravolta, evitando-se as contradições graves observadas nos anteriores, e isso agrada. É bom não se sentir subestimado.

 

As cenas trashs típicas da franquia também estão presentes neste aqui, mas dessa vez em menor intensidade. Estamos mais diante de um filme investigativo e explicativo do que de um filme propriamente de terror, o que talvez não agrade os fãs. Ao invés do terror sádico característico, "Jogos Mortais V" revela-se mais como um suspense policial. 

 

Algo que não agrada é em relação as explicações dadas para justificar as atitudes do Detetive Hoffman, o seguidor dos passos de Jigsaw. Percebe-se que não houve nenhum esforço em convencer. As motivações de Hoffman simplesmente não parecem suficientes para desencadear suas atitudes. Na verdade, parece que são motivações por conveniência, apenas para  justificar que ele fosse a pessoa certa a levar o legado de Jigsaw adiante.

 

Bom, eu diria que o fôlego da franquia diminuiu, pelo menos em materia de conteúdo seu futuro está comprometido. Não pela qualidade deste último filme, que não chega a ser horrível, somente fraco, mas porque a trama da cinessérie em si está desgastada. Todavia, só no fim de semana de sua estréia, "Jogos Mortais V" arrecadou 30 milhões de dólares somente nos Estados Unidos. Ou seja, cada vez estar pior ou cada vez estar melhor parece não fazer diferença para os fãs nem para os curiosos, e neste último grupo confesso que me enquadro. Só não sei até quando minha curiosidade continuará me arrastando aos cinemas.

 

 

Nota: 5,0


Escrito por Bruno às 15h00
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