Cine No Pretensions


[--] Melhores e Piores de 2008 [--]


Final do ano é a época que publicamos as nossas adoráveis listas de melhores e piores do ano. Assim como em 2007, não achei 2008 um ano repleto de grandes filmes. Claro que tivemos algumas obras que ficarão para a história e serão sempre lembradas, mas como um todo acho que mais uma vez o ano deixou a desejar.

Não custa comentar que essa minha lista é apenas mais uma diversão, que não visa gerar polêmica, mas apenas refletir meu gosto. E vale ressaltar também que somente estiveram aptos a entrar em ambas as litas, os filmes que entraram em circuito (considerando tanto as estréias nos cinemas como os filmes lançados diretamente nas locadoras) no Brasil em 2008, independentemente do ano que foram produzidos ou que estrearam lá fora.

Por fim, venho desejar a todos um feliz ano novo. Que todos nós tenhamos muita paz, sucesso, que nossas metas se concretizem e que 2009 nos reserve excelentes filmes!

Top 10 - Melhores do ano

1 - Batman - O Cavaleiro das Trevas
2 - O Nevoeiro
3 - Wall-E
4 - O Gângster
5 - Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto
6 - Sangue Negro
7 - Juno
8 - Onde os fracos não têm vez
9 - REC
10 - Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da rua Fleet

Top 10 - Piores do ano

1 - 10.000 A.C.
2 - Super Herói - O filme
3 - A vida por um fio
4 - Uma chamada perdida
5 - Os Aloprados
6 - Max Payne
7 - Cinturão Vermelho
8 - Espelhos do Medo
9 - Jogos Mortais V
10 - A Lista - Você Está Livre Hoje?

Obs: Todos os filmes que estrearam nos cinemas ou foram lançados diretamente em DVD no Brasil, no ano de 2008, que eu assisti, estão aqui (em ordem alfabética).


Escrito por Bruno às 20h04
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MAX PAYNE



São poucos os jogos de videogame que foram satisfatoriamente adaptados para os cinemas. Grande parte por causa da dificuldade que há em transportar o clima, a emoção e a trama desenvolvida pelo game para a telona, e, com uma parcela menor de responsabilidade, se pode atribuir à opção das produtoras em escolher diretores do menor escalão para realizar as adaptações. "Max Payne" sofre justamente desses dois problemas.

É certo que é complicado adaptar um jogo para as telonas. No videogame, há bastante espaço e tempo para desenvolver cenas de ação e trabalhar bastante a história, o que não ocorre nos filmes, que, para conseguirem transportar a mesma proposta, acabam modificando bastante a história inicial. Todavia, em "Max Payne" exageraram nas modificações.

Enquanto no jogo, Max Payne era um policial que teve sua mulher e filhos mortos e, por causa disso, pede transferência para a unidade de infiltrados da polícia, porém, quando infiltrado, acaba sendo descoberto e envolvido em uma conspiração envolvendo uma indústria farmacêutica, no filme ele é um personagem recluso, trabalha arquivando casos de homicídio, obstinado em ainda encontrar alguma pista sobre a morte de sua mulher e filha, e que, em suas investigações, acaba descobrindo um projeto fracassado de uma indústria farmacêutica. Não bastasse isso, alguns personagens importantes são completamente diferentes do jogo (vide o vilão Lupino e o detetive Jim Bravura), a droga valkyr produz outros efeitos além das alucinações, dentre outras coisas.

Até aí, tudo bem, isso não seria problema pra quem nunca jogou o game, mas o problema é que como filme em si, "Max Payne" é realmente fraco. O longa desnecessariamente cria um clima falso envolvendo as valquírias (os monstros com asas que parecem sombras), dando inicialmente uma mentirosa primeira impressão sobre elas; trabalha mal vários personagens secundários (alguns são apressadamente estúpidos e incoerentes, outros contraditórios, e outros simplesmente são descartados no decorrer da trama); despreza a importância do seu principal vilão (e, por conseqüência, a máxima de que "um herói é tão bom quanto o seu vilão"), ao torná-lo apenas num sujeito violento, que pouco fala e pouco aparece; tem vários furos no roteiro (reparem que após um tiroteio contra vários policiais, o personagem-título toma um tiro em cheio, e logo depois é como se ele nunca tivesse sido baleado - ele não sente dor, não sangra, não mostra ele se recuperando ou fazendo um curativo, nada); e, por fim, tem um desfecho infame.

A falta de qualidade do roteiro, do estreante Beau Thorne, não é compensada pelo diretor mediano John Moore, o qual, pelo contrário, contribui pouco, criando somente algumas cenas de ação dignas de não serem criticadas. Pra piorar, o referido diretor extrai atuações ruins de seus atores, como Mark Wahlberg, mais uma vez irreconhecível (onde está todo aquele talento de "Os Infiltrados"?), Olga Kurylenko e Chris O´Donnell, ambos subaproveitados, e Amaury Nolasco (o Sucre, de Prison Break), que pouco consegue fazer com seu calado vilão. Enfim, fica aquela sensação de que o diretor John Moore esteve longe de ter o elenco em suas mãos.

Aliás, esse é justamente o outro problema que as adaptações de games sofrem: a falta de um cineasta de peso. Resident Evil, por exemplo, inicialmente seria adaptado por ninguém menos que o mestre George Romero, mas acabou caindo nas mãos do fraco Paul W. S. Anderson (lembram da adaptação de "Mortal Kombat"?). Acho que a única adaptação de um jogo para o cinema que me agradou foi o excepcional "Silent Hill", tendo Cristophe Gans, este sim bom cineasta, assinando sua direção.

É uma pena que um filme com um visual tão bacana como este, tenha, ao mesmo tempo, um conteúdo fraco e mal trabalhado. É bem verdade que há de se levar em conta a dificuldade de transpor a aura de um game para os cinemas, mas nada justifica as falhas do enredo, e a falta de consistência que "Max Payne" apresenta. Se no excelente prólogo, o espectador tiver uma boa impressão do que está por vir, não há dúvidas de que se decepcionará com todo o resto.


Nota: 4,0


Escrito por Bruno às 00h51
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WALL-E



Desde "Procurando Nemo", longa da Pixar, a categoria dos filmes de animação atingiu um outro patamar. De lá pra cá, a qualidade dos filmes animados melhorou significativamente, por conta da fórmula que muitos passaram a seguir: divertir com uma história inteligente, criticar, quando for o caso, de modo elegante e explorar a aventura de maneira a agradar um público amplo, englobando todas as idades. "Wall-E" segue esta fórmula com maestria, sendo, até agora, o melhor longa de animação do ano.

O que, desde o começo, cativa bastante, chegando a comover o espectador, é a solidão vivida por um robozinho (Wall-E) que se vê isolado num planeta terra devastado, e de repente se vê na companhia de outro robô (Eva), descobrindo que não está sozinho. A melancolia e solidão que provamos no início, dão lugar à curiosidade e ao encanto do encontro de Wall-E com Eva. Aliás, é interessante notar que esse plano de desenvolvimento inicial claramente bebe da fonte dos antigos filmes de Chaplin.

Além disso, "Wall-E" também traz no seu bojo uma crítica à poluição desenfreada do ser humano. O futuro da humanidade é um dos mais pessimistas da história do cinema, e tudo em razão do homem poluidor. O interessante é que essa crítica é posta no longa com sutileza, sendo apenas um ingrediente a mais em sua construção, ao invés de ser sua finalidade principal, como tentou fazer, equivocadamente, Shyamalan em "Fim dos Tempos".

Quanto à qualidade visual e sonora, basta dizer que tudo, absolutamente tudo é impecável. Nos quesitos técnicos, a Pixar nunca deixa a desejar. Mas o grande mérito mesmo de "Wall-E" é sua imensa capacidade de encantar e embelezar através do seu conteúdo. A preocupação maior é em desenvolver sua emocionante aventura, conquistando, ao mesmo tempo, e de forma gradativa, o espectador. É quase impossível não se apaixonar pela dupla de protagonistas e seus divertidos coadjuvantes.

Por tudo isso, pode-se dizer que "Wall-E" é mais um marco no gênero de filmes de animação. Seguramente ele está entre os melhores longas animados do cinema. Repetindo sua fórmula de sucesso, como a utilizada em "Procurando Nemo" e "Ratatouille", a Pixar conseguiu fazer um filme tão bom, que não me surpreenderá nada vê-lo no topo de algumas listas de melhores do ano.


Nota: 9,0


Escrito por Bruno às 13h53
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