Cine No Pretensions


O LUTADOR

 

 

 

Existem poucos filmes que conseguem se sustentar basicamente com a atuação de uma só pessoa, e “O Lutador”, filme mais novo de Darren Aronofsky, é um deles. Claro que isso se deve ao brilhante desempenho de Mickey Rourke, e falar isso já está sendo chover no molhado. Todavia, o que também deve ser enaltecido é o belo roteiro de Robert D. Siegel e a direção simples, e por isso perfeita, de Aronofsky.

 

É verdade que existem algumas semelhanças entre Mickey Rourke e seu personagem Randy “The Ram”, o que deve ter ajudado que sua interpretação ficasse tão formidável. Efetivamente ambos são o resultado, de uma certa forma indesejado, de suas escolhas equivocadas, e isso fica claro tanto quando analisamos a carreira de Rourke como quando presenciamos a emotiva conversa de reconciliação de Randy com sua filha. Contudo, à despeito de tais semelhanças, a composição do personagem impressiona por outros atributos. Rourke é verdadeiramente um monstro nessa película, por conseguir transpor com maestria toda a complexidade dramática de Randy. Suas expressões faciais impressionam, seu tom de voz não tinha como ser mais adequado, enfim, tudo está excelente.

 

Além disso, o roteiro de Robert D. Siegel também é digno de elogios. Impressiona a complexidade que ele conseguiu criar na proposta que, supostamente, seria simples (sujeito que optou por abrir mão de tudo em sua vida em prol de se dedicar a sua profissão, e agora busca um recomeço). A construção de Randy “The Ram” é ótima, garantindo espaço para vermos a doçura por trás do personagem, suas inconseqüências, e o resultado de suas escolhas. Randy é um sujeito sozinho, que viveu apenas em prol de proporcionar entretenimento ao seu público (que o ama), e agora decidi buscar um recomeço. Contudo, na vida nada é simples. Randy procura um possível relacionamento com Cassidy, a stripper interpretada muito bem por Marisa Tomei, tenta se reaproximar de sua filha, e se esforça para arrumar outro emprego, mas não é a toa que ele chegou ao estado que chegou. Randy é a conseqüência triste de suas escolhas: “O único lugar onde meu coração sai machucado é lá fora. O mundo não se importa comigo. Sabe, quando se vive uma vida dura e se joga duro, e você queima sua vela dos dois lados, paga-se o preço por isso.”

 

Darren Aronofsky, por sua vez, acertou ao optar por uma direção mais simples. Aronofsky costuma ser bem estiloso, o que me agrada bastante (e, ao mesmo tempo, desagrada muitos), mas ele acertou em mudar seu estilo neste longa, pois tudo o que Mickey Rourke precisava era de uma câmera atrás dele, e só. Por vezes a filmagem chega a assumir um tom documental. Desta vez, as opções estéticas de Aronosfky, suas cenas detalhadamente acabadas e sua edição moderna, dão lugar à uma câmera passiva, que simplesmente está ali para registrar a atuação poderosa de Rourke.

 

Quanto ao reconhecimento de sua qualidade, “O Lutador” recebeu apenas duas indicações ao Oscar, nas categorias de melhor ator (Mickey Rourke) e melhor atriz coadjuvante (Marisa Tomei). Faltou, no mínimo, uma indicação para melhor filme. E eu ainda não vi o trabalho de Sean Penn, principal concorrente de Rourke, mas digo que se o prêmio for para este último, será extremamente merecido. Afinal, não é todo dia que vemos um único ator sustentar um brilhante filme em sua inteireza. É sempre bom testemunhar a complexidade que se pode extrair da simplicidade.

 

 

Nota: 8,5


Escrito por Bruno às 00h25
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O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON


 

 

Se David Fincher foi elogiado pela maturidade que revelou em seu último longa, “Zodíaco”, agora, com seu recente “O Curioso Caso de Benjamin Button”, ele sacramentou de vez que vive uma nova fase. Não que estes últimos filmes se pareçam, nada disso, mas certamente divergem de tudo aquilo que Fincher vinha produzindo até então, comprovando sua versatilidade e talento.

 

Em “O Curioso Caso de Benjamin Button”, temos a interessantíssima história de um sujeito que nasce como se velho fosse, e ao longo dos anos rejuvenesce, enquanto todos a sua volta envelhecem. O motivo de se elogiar Fincher é a forma como ele desenvolve sua obra. Claramente caberia uma exploração tendendo para o fantástico (conseguem imaginar Tim Burton com esse roteiro?), mas Fincher opta por uma condução simples, limitando-se a desenvolver seu filme sob a ótica passiva de seu principal personagem, que desde o início assume uma postura tão paciente e tranquila com sua condição, que, em certos momentos, quase esquecemos que estamos diante de um sujeito extraordinário.

 

Mas eu diria que uma das grandes qualidades deste filme é o seu poder de causar reflexão. Pelo menos pra mim, foi inevitável pensar em questões relacionadas a relacionamentos, amor, passagens de tempo, decepções, morte, enfim, acabou sendo um daqueles raros filmes que me deixam refletindo bastante após o seu término. Não sei, mas é que o longa explora bem a questão da importância de viver intensamente os momentos bons que a vida proporciona, além de deixar também aquela confortável mensagem de que “há males que vem para o bem”. E, engraçado, no final fiquei com uma estranha sensação de tristeza, muito difícil de explicá-la com palavras, mas não chegou a ser algo ruim, apenas triste.

 

Nos quesitos técnicos, o filme é um primor. A maquiagem, o figurino, a fotografia, que é belíssima, o cenário, enfim, todo o visual do longa é impecável. E é incrível como conseguiram criar diferentes corpos para Benjamin Button de forma tão funcional. O melhor de tudo, é que isso é um ingrediente a mais no todo que é o filme, e não o seu atrativo principal, o que nas mãos de outros cineastas poderia não ter acontecido.

 

Além disso, ainda temos excelentes atuações. O elenco coadjuvante está ótimo, e Brad Pitt e Cate Blanchett estão em plena sintonia. Cate Blanchett sabe administrar formidavelmente a evolução da maturidade de sua personagem, enquanto que Brad Pitt se entrega por completo ao seu personagem, cativando o espectador desde suas primeiras aparições, sendo justa sua indicação ao Oscar de melhor ator. A vitória já é outro assunto, não me parece que essa é uma interpretação impactante o suficiente para levar o prêmio, sobretudo quando se tem na concorrência a tão badalada atuação de Mickey Rourke, pelo filme “O Lutador”.

 

Falando em Oscar, “O Curioso Caso de Benjamin Button” recebeu treze indicações este ano. Acredito que deva levar a maioria nos quesitos técnicos, mas nos principais ainda é cedo para me manifestar, não assisti os outros. Por todo o buzz que está rolando, e pelas comparações, de uma certa forma negativa para o filme, que estão fazendo com “Forrest Gump”, suspeito que ele não terá força suficiente para ser o grande vencedor da festa. Mas seja como for, é muito bom constatar que David Fincher vem galgando um espaço entre os grandes cineastas do momento. Se continuar mostrando versatilidade e talento assim, talvez ganhar um Oscar de melhor diretor, por exemplo, seja uma questão de tempo.


Nota: 8,0


Escrito por Bruno às 23h22
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DEZ FILMES NOTA DEZ


Bom, estou meio receioso de escrever este texto e soar arrogante, mas vamos lá. Recentemente uma amiga veio me dizer que sou muito rígido nas minhas notas, que nunca dou notas muito altas, e que nunca me viu dando uma nota dez. Na verdade não é bem assim, quem acompanha este blog sabe que, por exemplo, já dei a nota máxima para "Os Infiltrados", aqui mesmo, na época em que escrevi sobre ele.

A questão é que eu sou contra a vulgarização da nota dez, somente isso. Faço uma analogia, guardando obviamente as devidas proporções, com o tão usado "eu te amo". Certamente, quase todo mundo já esteve com uma pessoa que gostasse demais dela, mas não ao ponto de amá-la. Isso é mais comum do que se pensa. E não é porque gostamos muito, que chegamos ao ponto de dizer que amamos aquela pessoa. Tem que ser algo de coração, não é? Da mesma forma, guardando as devidas proporções, ocorre com os filmes. As vezes eu gosto bastante de um longa, mas não ao ponto de dizer que ele é digno de nota dez. Se eu vulgarizasse as minhas estimativas, e saísse dando nota dez pra várias obras, como alguém distinguiria uma obra maravilhosa e impecável de uma somente excelente?

Eu sei que posso ser chato em alguns momentos por causa dessas notas, mas em compensação quando alguém vê uma nota alta por aqui, mesmo que não seja a nota maior, tem a certeza de que o filme me agradou bastante.

Enfim, provando que nem sou tão chato assim, e que tem muitos filmes que, pra mim, merecem nota dez, resolvi listar dez filmes que dou nota máxima com louvor. Escolhi dez filmes primeiro pra facilitar minha vida e não ter que pensar muito, segundo pela questão publicitária do título, hehehe. Não são os dez que mais gosto, nem estão necessariamente em ordem de preferência, são simplesmente dez filmes que merecem nota dez:

  • Forrest Gump
  • Um Sonho de Liberdade
  • Pulp Fiction
  • Os Bons Companheiros
  • O Poderoso Chefão
  • Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas
  • Coração Valente
  • O Iluminado
  • Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
  • Oldboy

PS: tentei listar filmes conhecidos por todos, de gêneros diferentes, de diretores distintos, de diversos estilos de filmagem, no intuito de comprovar que qualquer tipo de filme, se bem feito, tem potencial pra receber nota dez deste cinéfilo que vos escreve.


Escrito por Bruno às 01h22
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