Cine No Pretensions


TOP 10 DA DÉCADA DE 2000 – FILMES SUBESTIMADOS

 

Bom, seguindo aquele dito que diz que “na internet nada se cria, tudo se copia”, resolvi me apoderar da idéia do cinéfilo Wallace, do Crônicas Cinéfilas, de fazer vários tops 10 temáticos da década de 2000, antes de chegar ao top 10 melhores filmes da década, que certamente será publicado aqui, no fim deste ano. O critério deste top 10 foram filmes que foram subestimados ou pelo público, ou pela crítica ou pelas premiações. A ordem não está pela minha preferência dos filmes, mas sim pela ordem dos que considero mais subestimados em relação ao que são ou significam. Enfim, sem mais delongas, segue a lista:

 

 

10 - INSÔNIA

 

Muito mais que um simples remake ou que uma obra menor na carreira de Cristopher Nolan, cineasta de uma bela e consistente filmografia, “Insônia” é um filme envolvente, que não teve seu devido reconhecimento. Com uma direção apurada, Nolan extraiu grandes atuações de Al Pacino, Robin Williams, Hilary Swank e o restante do elenco. Hoje em dia, um filme praticamente esquecido pela maioria das pessoas que o assistiu.

 

09 - O PLANO PERFEITO

 

Mais um filme subestimado na carreira de Spike Lee, nem tanto entre os blogueiros cinéfilos, que em sua maioria o aprovaram, mas mais por conta da crítica, das premiações (que o esnobaram) e do público médio. Um longa inteligente, envolvente, com uma pitada de análise sobre o comportamento humano e sobre questões raciais, que consegue ser interessante e cativante até o último minuto. E ainda tem uma Jodie Foster impecável, com Denzel Washington e Clive Owen completando muito bem o elenco.

 

08 - PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS

 

Talvez a melhor obra de Tim Burton, “Big Fish” foi completamente esquecido pelas principais premiações, sendo também insatisfatoriamente difundido ao público médio. Sua trilha sonora até foi indicada ao Oscar, mas os demais quesitos técnicos (direção de arte, fotografia, maquiagem, etc), os quais estão impecáveis, não receberam sequer uma indicação. Isso sem contar na formidável direção de Tim Burton e no maravilhoso roteiro de John August, esnobados também. Essa pequena obra-prima, que encanta e até comove em seus momentos finais, merecia, e ainda merece, um reconhecimento maior.

 

07 - VÔO UNITED 93

 

Verdade seja dita, “Vôo United 93” teve boa recepção, tanto por parte da crítica quanto por parte do público médio. A questão é que não foi tão valorizado quanto a sua grandeza merecia (poucas pessoas se lembraram dele na lista de melhores daquele ano). Afinal, ele teve o mérito de ser minimamente didático, com sua narrativa paralela situada na cabine de controle de vôos, dando ao espectador a correta ordem cronológica dos acontecimentos, e extremamente emotivo e cativante na narrativa situada dentro do avião, sem nunca cair no melodrama. Tem seu ápice aproximadamente nos vinte minutos finais, quando a tripulação decide tomar o avião. Um misto de emoção e desespero inesquecíveis. Uma direção genial de Paul Greengrass.

 

06 - MINORITY REPORT

 

Eu diria que “Minority Report” não é só subestimado, mas também incompreendido. Uma das estórias mais poderosas de Philip K. Dick, teve uma ótima adaptação nas mãos de Spielberg. Rendeu um belo lucro e hoje é mais lembrado como um filme pipoca do que como uma ficção séria, o que é uma injustiça. Quando se trata com profundidade temas como moralidade e justiça, a classificação “filme pipoca” passa a ser, no mínimo, desconfortável. Pra mim, é um dos grandes filmes do Spielberg. Para os criminalistas, um antro de discussão: o crime é da essência da sociedade.

 

05 - O NEVOEIRO

 

Uma verdade obra prima, “O Nevoeiro” não deve ser lembrado pela discussão que acabou sendo travada acerca do seu final, com alguns idolatrando e outros execrando. Seu final, pra mim perfeito, é o que menos importa. “O Nevoeiro” é um filme quase que antropológico, fazendo uma brilhante e pessimista análise do ser humano. E em meio a tudo isso, sobram doses cavalares de tensão com todo o terror trazido pelo estranho nevoeiro que surgiu na cidade. Uma obra genial, talvez a melhor película de terror da década. Merecia muito mais encômios do que teve.

 

04 - A DAMA NA ÁGUA

 

Um filme feito para poucos, talvez aí o maior motivo de ser subestimado. Com uma proposta específica e encantadora, não foi bem recebido, tanto pela crítica quanto pelo público. Quem conseguiu ser transportado para o universo fabuloso criado por Shyamalan, adorou o filme. Quem não conseguiu, detestou. Love it or leave it! Eu amei.

 

03 - GUERRA DOS MUNDOS

 

Mais um do Spielberg que deveria ter recebido mais elogios. Foi criticado num manifesto quase nostálgico dos fãs do conto de Wells. Cenas verdadeiramente assustadoras, tensão constante, excelente narrativa, estupendos efeitos visuais e sonoros. Se tem uma coisa que o Spielberg faz com maestria é estimular as emoções sentidas pelo espectador. Em “Guerra dos Mundos” ele consegue isso com louvor.

 

 

02 - O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON

 

Poucas vezes testemunhei uma subestimação tão grande quanto a que ocorreu com esta bela obra, que possui um enorme poder de causar reflexão. A maioria das pessoas, e em especial os blogueiros de cinema, repetiram em coro que este é um filme de grandes atributos técnicos, mas vazio de conteúdo. Besteira! Várias questões são trazidas à tona de maneira competente, como destino, relacionamentos, decepções, amadurecimento e tantas outras. E, além do primor técnico, do belo roteiro e da competente direção, ainda temos grandes atuações, sobretudo dos principais Brad Pitt e Cate Blanchett. Um belíssimo trabalho feito por David Fincher.

 

01 - GANGUES DE NOVA YORK


Além de subestimado, foi incompreendido e injustiçado. Chegaram a acusar o Scorsese de ter feito este longa apenas pensando na possibilidade de ganhar uma estatueta do Oscar (que só viria anos depois, com o brilhante “Os Infiltrados”). Que nada, “Gangues de Nova York” é muito mais que isso. Um verdadeiro épico brutal e sangrento, que revela as mazelas de uma época não muito distante em que a democracia ainda dava sinais de fraqueza e fragilidade, a justiça era constantemente realizada pelas mãos dos próprios cidadãos, e o preconceito e a intolerância reinavam. Um período histórico dos Estados Unidos, mas com grandes semelhanças em vários outros países. Leonardo Di Caprio já dava sinais do grande ator que se tornaria, e Daniel Day-Lewis, numa das interpretações mais avassaladoras do cinema, mostra porque é um dos maiores atores da atualidade.


Escrito por Bruno às 00h52
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