Cine No Pretensions


BASTARDOS INGLÓRIOS


 

 

É incrível como a Segunda Guerra Mundial ainda fornece material para novos filmes. Quando pensávamos que não havia mais como explorar esse tema em películas, eis que surge ninguém menos que Quentin Tarantino e nos fornece mais uma obra-prima de sua carreira.

 

Em “Bastardos Inglórios”, temos uma “pequena” desconstrução da história, mas que cai como uma luva na proposta do filme. Se alguém poderia fazer isso com a história real, esse alguém certamente era o Tarantino. Mas, infelizmente, não poderei me alongar nessa parte (que realmente amei), porque não quero estragar a surpresa de quem ainda não assistiu o longa.

 

Uma das maiores qualidades dos filmes do Tarantino são os diálogos travados por seus personagens, e em “Bastardos Inglórios” essa qualidade se destaca novamente. Com efeito, desde a primeira cena, uma das melhores do longa, seus diálogos bem esculpidos dão o toque de qualidade diferenciada que seus somente os seus filmes têm.

 

Aliás, por falar na primeira cena, temos algumas, como essa primeira, que são uma verdadeira obra de arte. Tarantino conseguiu equilibrar muito bem nas cenas, as cores, os diálogos e as emoções com sua trilha sonora escolhida a dedo. É certo que algumas cenas ficaram bem estilosas, mas convenhamos que filme do Tarantino sem cena estilosa não é filme do Tarantino. A questão toda é que o Tarantino é completamente hábil em fazer funcionar seus filmes com todas as suas “Tarantinices” (ou manias “tarantinescas”), que sempre são postas de maneira extremamente eficiente e coerente com sua proposta.

 

O elenco, vale mencionar ainda, também tem seu brilho e merece destaque. Cristoph Waltz está majestoso no papel de um coronel nazista extremamente frio e eficiente em seu trabalho. Sua atuação é absolutamente irretocável. Brad Pitt, no papel do Lt. Aldo Raine, está com o timing preciso, sendo o grande responsável pela maioria das cenas cômicas do longa. Todas as suas cenas são formidáveis, com destaque para a que ele fala em italiano (uma cena absolutamente impagável) e para sua última cena da película. Para não citar todos, já que o elenco é deveras extenso, podemos ainda mencionar as atuações de Eli Roth, Til Schweiger, Mélanie Laurent e B.J. Novak como coadjuvantes de grande qualidade.

 

“Bastardos Inglórios” pode até não ser tudo o que o personagem de Brad Pitt afirma que é, mas certamente é uma das grandes obras da carreira de Tarantino. Suas referências à sétima arte, seus diálogos bem cuidados, suas cenas estilosas, suas violências explícitas, tudo está lá. E tudo isso é mais do que o suficiente para divertir, cativar e, consequentemente, agradar qualquer um. Pode não ser o melhor filme da carreira do Tarantino, mas, para este que vos escreve, é, até agora, o melhor filme do ano. Simplesmente imperdível!


Nota: 9,0


Escrito por Bruno às 00h30
[ ] [ envie esta mensagem ]


FELIZ ANIVERSÁRIO!!!


 

 

E mais um ano se passa! Aos trancos e barrancos, vamos tentando manter o blog da melhor maneira possível, escrevendo sempre que sobra um tempinho. Em três anos muita coisa acontece. Comigo, inúmeras responsabilidades vieram, algumas prioridades que sugam meu tempo surgiram, outros contratempos apareceram e outras tantas coisas maravilhosas também aconteceram comigo nesse meio tempo.

 

O Cine No Pretensions sempre foi, e continua sendo, um local especial, onde posso compartilhar minhas opiniões e minhas visões sobre os filmes, com quem se interessar. Este é um espaço que enquanto eu puder manter, mesmo com atualizações cada vez mais escassas, ele continuará aqui. Sei que já não consigo me dedicar como antes, sei que ando bem menos participativo nos blogs dos amigos que criei através deste blog, mas infelizmente isso fica mais difícil de fazer a cada dia que passa. Claro que tenho a eterna esperança de que um dia voltarei a ter mais tempo para me dedicar melhor, mas esse futuro é incerto e já desisti de tentar adivinhar quando ocorrerá.

Enfim, o Cine No Pretensions vem comemorar seus três anos de vida hoje! Muito obrigado a todos que visitam e continuam visitando este blog, muito obrigado por todo o tipo de interação que vocês possam ter feito com este blog em algum momento. Abramos nosso champanhe! Vida longa ao Cine No Pretensions!


Escrito por Bruno às 09h30
[ ] [ envie esta mensagem ]


AMANTES

 

 

 

É difícil explicar porque “Amantes”, novo filme de James Gray, é tão bom. Talvez seja porque quase tudo o que se passa algum de nós já viu um dia, ou ao menos conhece alguém que já viveu tal situação. Ou talvez seja em razão da estranha necessidade de auto-flagelo imposta pelo longa, que acaba sendo tão cativante. Ou talvez seja por conta das belíssimas atuações, sobretudo do seu protagonista, Joaquin Phoenix, que enchem os olhos. Ou talvez seja por algo mais que não se possa explicar muito bem, mas apenas usar o bordão “é uma questão de feeling”.

 

Se pararmos pra refletir, veremos que realmente todos nós já vivemos algo parecido com o que acontece com o trio principal de “Amantes”, e se não vivemos algo assim, provavelmente conhecemos alguém que o tenha vivido. São retratadas situações quase que mundanas, mas que dentro daquele contexto, mostram-se extremamente verdadeiras, fáceis de digerir como algo real e possível. Desilusões, desencontros, frustrações, esperanças, relacionamentos, pressões de pais, atitudes inconseqüentes, desesperança... são tantas situações criadas em cima de tantos sentimentos diferentes, que fica difícil imaginar alguém que nunca tenha vivido algo disso. E é aí, quando o longa nos traz tantas situações íntimas com nossas próprias experiências de vida, que reside um dos seus grandes méritos, pois tudo passa a ser mais crível quando conseguimos enxergar algo que se passa numa película com algo que se passa ou já se passou em nossas vidas.

 

Além disso, ao analisarmos a fundo os três personagens principais, vividos por Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow e Vinessa Shaw, podemos observar uma estranha necessidade de auto-flagelo de cada um. De fato, todos ele têm a oportunidade de optarem por algo mais seguro, mais estável, mais fácil, menos complicado. Mas todos acabam optando pelo mais difícil, mais complicado, mais inseguro. O personagem de Phoenix vê a oportunidade de se voltar a um relacionamento seguro e tranquilo, mas aparenta preferir o relacionamento mais arriscado, conturbado e complicado. A personagem de Paltrow demonstra uma necessidade de estar em uma relação mais difícil, de menos segurança, como se pra ela fosse vital se relacionar com alguém que já possui outro relacionamento. Algo do tipo “sou capaz de trazê-lo pra mim”. Já a personagem de Vinessa Shaw, que possui vários pretendentes, termina escolhendo a pessoa mais problemática, revelando, em suas próprias palavras, uma necessidade de estar com uma pessoa que ela possa “cuidar”. E é justamente esse auto-flagelo imposto aos personagens principais que parece cativar tanto. Talvez o que motive isso seja aquela nossa necessidade de sempre nos sentirmos solidários torcendo pelo mais fraco, pelo mais sofrido, pelo mais difícil e complicado.

 

Ainda temos um elenco impecável, que sem sombra de dúvidas é responsável pela alta qualidade da película. Joaquin Phoenix está um monstro, é uma das melhores atuações de sua carreira, se não a melhor. A maneira como ele varia suas emoções e a intensidade com que as revela são esplêndidas. São vários os momentos de ápice, como as duas cenas que se passam no telhado, a cena em que conversa com a personagem de Paltrow sobre uma possível viagem, e a cena no mar, pela noite. Phoenix conseguiu extrair com maestria todas as nuances de seu personagem. Apesar de Phoenix ser o “dono” do filme, com sua atuação magistral, ainda se pode enaltecer a atuação de Gwyneth Paltrow, que mostra mais uma vez competência em um papel mais denso, contrariando aqueles que a questionam como atriz. Vinessa Shaw também está ótima, transparecendo toda a doçura e ternura que sua personagem precisava. O restante do elenco, como Isabella Rossellini e Moni Moshonov (os pais do personagem de Phoenix) e Bob Ari (pai da personagem de Vinessa Shaw), completa a qualidade das interpretações.

 

No final das contas, se levarmos em conta tudo o que “Amantes” nos proporciona, talvez seja mais fácil dizer que gostar deste longa está mais relacionado com o sentimento, o sentir, do que com a razão, o racionalizar. Talvez tudo seja uma questão de “feeling” mesmo, e talvez por isso “Amantes” possa agradar muitas pessoas e parecer tão comum para outras tantas. Sendo ou não sendo explicável com fáceis palavras, sendo ou não sendo argumentável em todos os seus pontos positivos, fato é que, para este que vos escreve, “Amantes” é um primor de filme, uma das melhores obras do ano. Se Joaquin Phoenix realmente abandonar sua carreira, como já anunciou, então ele escolheu sair de cena em seu ápice.


Nota: 8,5


Escrito por Bruno às 11h43
[ ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico:

01/10/2009 a 31/10/2009
01/09/2009 a 30/09/2009
01/08/2009 a 31/08/2009
01/07/2009 a 31/07/2009
01/06/2009 a 30/06/2009
01/05/2009 a 31/05/2009
01/04/2009 a 30/04/2009
01/03/2009 a 31/03/2009
01/02/2009 a 28/02/2009
01/01/2009 a 31/01/2009
01/12/2008 a 31/12/2008
01/11/2008 a 30/11/2008
01/10/2008 a 31/10/2008
01/09/2008 a 30/09/2008
01/08/2008 a 31/08/2008
01/07/2008 a 31/07/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006


Filmes Assistidos:

  • Minhas Estimativas

    Perfil:

  • Nome: Bruno
  • Idade: 25 anos
  • Cinéfilo nas horas vagas

    Recomendo:

     Alta Fidelidade
     Baú de Filmes
     Blog Cinefilia
     Cine Carranca
     Cine Resenhas
     Cinéfila por Natureza
     Crônicas Cinéfilas
     Dementia 13
     Diário de um Cinéfilo
     Filmes do Chico
     Nit Zombies
     Sombras Elétricas
     Tudo é Crítica
     Última Sessão